Barcelona – pra começar

11 de julho de 2009
Eu podia começar dizendo que Barcelona me decepcionou, mas não estaria sendo justa. A verdade, para ser sincera, é que não criei expectativas suficientes sobre Barcelona para ela me decepcionar. Ainda em São Paulo eu comecei a torcer o nariz para a cidade, porque foi TÃO difícil achar hospedagem boa e barata… foi tão difícil que eu acabei optando por uma ruim e barata. Confesso que pensei em riscar Barcelona do meu roteiro algumas vezes: porque foi difícil achar hospedagem, porque das cidades que eu tinha escolhido era a que menos me empolgava, porque nem ler livros e assistir Vicky Cristina Barcelona me deixou animada.
Mas a gente já tinha comprado as passagens de avião, e nosso voo para Paris sairia de Barcelona. E era nossa chance de viajar de trem-bala, algo que realmente me empolgava. E era minha chance de por os pés no Mediterrâneo. E tantas pessoas que amavam Barcelona não poderia estar erradas, né?
Acontece que nas minhas pesquisas pré-férias eu constatei uma coisa. As pessoas se dividem em dois grupos: os fãs de Madrid e os fãs de Barcelona. E eu posso dizer com toda a certeza que sou uma fã de Madrid. Tenho uma birra de cidades praianas (ainda mais uma com praias CONSTRUIDAS). E tem mais fatores, né? A gente já estava cansada… e a proxima parada era Paris, essa sim que eu sonhava conhecer desde criança. Eu só queria que Barcelona passasse logo! :P
Boba, né? Eu preciso voltar lá com mais tempo, com mais amigos, com mais pique, no verão, com a cabeça mais aberta e um biquíni na mochila, eu sei. Mas como ainda não voltei, nem sei quando vou voltar, é das minhas experiências passadas que eu vou falar.
A cidade é linda, isso é indiscutível. As placas em catalão são curiosíssimas, tentar decifrá-las a cada esquina é bem divertido. Tentar entender essa coisa da Espanha ter tantas nações dentro dela é muito bom também – se você tiver a chance de conversar com um catalão sobre o assunto, não perca a oportunidade. Talvez você se irrite com a soberba dessa gente, mas eles têm seus motivos.
As pessoas são muito elegantes, muito bem vestidas (mais do que em Paris, juro!) e o Passeig de Gràcia é uma experiência: muita riqueza, gente bonita e obras de Gaudì aqui e ali. A linda Manzana de la Discordia, La Pedrera, e tantas outras. Como eu fiquei em Gràcia, subi e desci o Passeig pelo menos duas vezes por dia. Uma delícia!
Falando em Gaudì, a Sagrada Familia é sim imperdível, impressionante e emocionante. O Parc Güell também, e talvez tenha sido um dos meus lugares preferidos.
Enfim, foi onde eu fiquei menos tempo (3 dias), e provavelmente onde tive os dias mais puxados: tanto que nem deu tempo de curtir a noite. Em 3 dias a gente viu tudo o que queria ver, mas talvez, se eu pudesse voltar no tempo (e se tivesse tempo de sobra), dedicaria uns 5 dias a Barcelona, para viver o dia e a noite e ter tempo para fazer nada. Quem sabe numa próxima vez…
Olá, Barcelona :)

Olá, Barcelona :)

Eu podia começar dizendo que Barcelona me decepcionou, mas não estaria sendo justa. A verdade, para ser sincera, é que não criei expectativas suficientes sobre Barcelona para ela me decepcionar. Ainda em São Paulo eu comecei a torcer o nariz para a cidade, porque foi TÃO difícil achar hospedagem boa e barata… foi tão difícil que eu acabei optando por uma ruim e barata. Confesso que pensei em riscar Barcelona do meu roteiro algumas vezes: porque foi difícil achar hospedagem, porque das cidades que eu tinha escolhido era a que menos me empolgava, porque nem ler livros e assistir Vicky Cristina Barcelona me deixou animada.

Se ainda tivesse um Javier me esperando...

Se ainda tivesse um Javier me esperando...

Mas a gente já tinha comprado as passagens de avião, e nosso voo para Paris sairia de Barcelona. E era nossa chance de viajar de trem-bala, algo que realmente me empolgava. E era minha chance de por os pés no Mediterrâneo. E tantas pessoas que amavam Barcelona não poderia estar erradas, né?

Acontece que nas minhas pesquisas pré-férias eu constatei uma coisa. As pessoas se dividem em dois grupos: os fãs de Madrid e os fãs de Barcelona. E eu posso dizer com toda a certeza que sou uma fã de Madrid. Tenho uma birra de cidades praianas (ainda mais uma com praias CONSTRUIDAS). E tem mais fatores, né? A gente já estava cansada… e a proxima parada era Paris, essa sim que eu sonhava conhecer desde criança. Eu só queria que Barcelona passasse logo! :P

Boba, né? Eu preciso voltar lá com mais tempo, com mais amigos, com mais pique, no verão, com a cabeça mais aberta e um biquíni na mochila, eu sei. Mas como ainda não voltei, nem sei quando vou voltar, é das minhas experiências passadas que eu vou falar.

Linda, linda, linda. Não dá pra negar.
Linda, linda, linda. Não dá pra negar.

A cidade é linda, isso é indiscutível. As placas em catalão são curiosíssimas, tentar decifrá-las a cada esquina é bem divertido. Tentar entender essa coisa da Espanha ter tantas nações dentro dela é muito bom também – se você tiver a chance de conversar com um catalão sobre o assunto, não perca a oportunidade. Talvez você se irrite com a soberba dessa gente, mas eles têm seus motivos.

As pessoas são muito elegantes, muito bem vestidas (mais do que em Paris, juro!) e o Passeig de Gràcia é uma experiência: muita riqueza, gente bonita e obras de Gaudì aqui e ali. A linda Manzana de la Discordia, La Pedrera, e tantas outras. Como eu fiquei em Gràcia, subi e desci o Passeig pelo menos duas vezes por dia. Uma delícia!

Falando em Gaudì, a Sagrada Familia é sim imperdível, impressionante e emocionante. O Parc Güell também, e talvez tenha sido um dos meus lugares preferidos.

Lotaaaaaaaaaaaaaaaaaaaado de turistas. Tipo eu.

Lotaaaaaaaaaaaaaaaaaaaado de turistas. Tipo eu.

Enfim, foi onde eu fiquei menos tempo (3 dias), e provavelmente onde tive os dias mais puxados: tanto que nem deu tempo de curtir a noite. Em 3 dias a gente viu tudo o que queria ver, mas talvez, se eu pudesse voltar no tempo (e se tivesse tempo de sobra), dedicaria uns 5 dias a Barcelona, para viver o dia e a noite e ter tempo para fazer nada. Quem sabe numa próxima vez…

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Madrid-Barcelona – o trem-bala da Renfe

6 de julho de 2009

“Lili, estamos atrasadas!”, minha mãe gritou. Eu nem lembrava, bêbada de sono e de tercios e cañas e copas de vino, que tínhamos que pegar o trem para Barcelona às 8h30. Eram 8h10.

Descemos correndo a rua, arrastando malas, descabeladas, para pegar um táxi para Atocha. Pelos meus cálculos, DAVA. Tinha que dar tempo, Atocha era pertinho, tinha que dar. Paramos o taxista, pedimos pra ele VOAR (em portunhol). Chegamos, subimos a esteira rolante correndo, eu ainda amargando uma ressaca. IA DAR, olha lá o trem na plataforma, vai dar! Vai dar!

E o trem partiu sem a gente. Sério, parecia cena de filme. O trem indo embora, eu praguejando, chorando, PAREM ESSE TREM. Não adiantou, e amargamos um preju de 44 euros para pagar a mudança de horário do trem – fora que tivemos que esperar uma hora até o próximo.

Beleza, uma história engraçada para contar aqui. Apesar disso, eu recomendo MUITO ir para Barcelona de trem, desde Madrid. O trem é o AVE da Renfe, trem de alta velocidade. Chega a incríveis 300 km/h! Dá para comprar a passagem pela internet, e sendo sagaz você consegue a tarifa mais barata, 43 euros. Baraaaaato não é, mas vale a pena pelos seguintes motivos:

– Você sai e chega no centro da cidade, economizando tempo e dinheiro do transporte dos aeroportos até seu hotel/albergue/apartamento
– É muito, mas MUITO mais confortável viajar de trem do que de avião. Tem mais espaço para as pernas, o assento reclina mais, não sacode nem um pouquinho…
– É um trem-bala, po! Vai dizer que você nunca quis viajar de trem-bala?
– É mais rápido do que ir de avião. Ok, Madrid-Barcelona de avião leva 1 hora. Mas se você contar desde o momento em que você sai do seu hotel até a porta do seu outro hotel, vai ver que é mais jogo ir de trem. Não tem check in, não tem despache de bagagem, não tem fila de embarque, não tem nada disso.

Então não bobeie, compre sua passagem Madrid-Barcelona de trem, que é muito mais jogo. Pra comprar é assim.

– Acesse o site da Renfe. USE O INTERNET EXPLORER, senão você não vai ter acesso à tarifa mais barata.
– Selecione o dia em que você quer ir.
– Selecione as estações. Em Madrid é Puerta de Atocha, em Barcelona é a Barcelona-Sants.
– Faça a busca. Escolha a tarifa Web, que é a mais barata.
– Tchanans! Tá comprado.

Só seja esperto e não perca a hora como a gente. Boa viagem ;)

Toledo

6 de julho de 2009

Decidimos ir a Toledo porque minha mãe queria porque queria visitar uma “cidade medieval”. Toledo fica muito pertinho de Madri, menos de uma hora de trem, então decidimos passar um dia por lá, entre muros, em ruas estreitas, respirando ares medievais.

Puerta del Sol, uma das antigas entradas para Toledo

Puerta del Sol, uma das antigas entradas para Toledo

Acordamos cedo e fomos para Atocha pegar o trem. Os trens da Renfe que vão para Toledo são bem bacanas, muito melhores que os de Portugal. O caminho não é bonito, também não é feio, e passa rapidinho. Logo que você começar a ver as industrias de ferro, está chegando à cidade.

Toledo fica na comunidade de Castilla-La Mancha. Sim, a região de Dom Quixote! Mas no caminho de Madrid para lá não vimos nenhum moinho de vento, uma pena.

Poeminha de Miguel de Cervantes

Poeminha de Miguel de Cervantes

Em vários lugares da cidade há referências ao Dom Quixote e ao Miguel de Cervantes, é só ficar de olho que você encontra.

Enfim. Você pega o trem para Toledo (15,20 euros ida e volta) e desce na estação, charmosinha. Fica na cidade de Toledo, mas extra-muros, numa parte moderna. Na estação mesmo você pode comprar um mapa da cidade intra-muros, para se achar no meio de tantas ruelinhas apertadas. Siga o bando de turistas: para chegar nas muralhas você vai levar uns 10 minutos caminhando. É bem legal ver a cidade do lado de fora, e entrar pelas portas imensas é emocionante sim. Eu fiquei ainda mais emocionada por reencontrar meu velho amigo Tejo, que na Espanha chama-se Tajo.

Daí você entra na cidade, e escolhe o que quer ver. A gente ficou andando meio sem rumo. Vimos o Alcázar, super imponente,  a Catedral, nos perdemos nas ruelas, passamos frio, ficamos admirando o Tajo, e até num museu judeu a gente foi.

Mas para ser sincera, Toledo ficou aquém de nossas expectativas. A verdade é que a cidade tem o maior jeitão de pega-turista, sabe? Para visitar qualquer coisa você tem de botar a mão no bolso, e as ruas super medievais estão tomadas de lojas de souvenir de mau gosto. Além disso, é bem lotada de turistas (tipo eu, né?), o que atrapalha um pouco se o que você quer é imaginar como era a vida por lá no século 16.

Se eu pudesse voltar no tempo, não iria para Toledo. Até a parte “menininho” do passeio, de me impressionar com espadas e armaduras, foi um pouco decepcionante. A Armaria Real do Palácio de Madrid é muito, mas muuuito mais legal nesse sentido. Toledo foi um pouco broxante para ser sincera.

Mas pelo menos rendeu boas fotos.

Toledo é uma cidade bege, cor de pedra

Toledo é uma cidade bege, cor de pedra

Aaaaaaaai meu Tejo amado...

Aaaaaaaai meu Tejo amado...

6 de julho de 2009

Preciso voltar a escrever aqui logo, e terminar o capítulo “Europa pela primeira vez” desse blog, porque tem outra viagem prestes a acontecer e eu quero escrever dela também.

Dessa vez vou visitar nuestros hermanos em Buenos Aires.

Vão ser 5 dias pra descansar e fazer passeios não tão turísticos. Mas vai virar post!

Só que antes de Buenos Aires ainda preciso falar de Toledo, Barcelona e Paris. Então vamos lá. A Toledo!

Ligelena responde

15 de junho de 2009

Vou aproveitar esse intervalinho para responder algumas das “perguntas” que fizeram para o Google e que o Google indicou meu blog como resposta. Espero que sejam úteis para alguém.

noite de madrid – DEZOITO pessoas caíram aqui procurando por isso. Bom, a noite de Madrid é SENSACIONAL, talvez a coisa mais legal da cidade. Não perca. Aqui nesse post você acha o que eu fiz e aprovei em Madrid, com endereços, link pro Google Maps e tudo. Tá?

barajas + metro – TRÊS pessoas querem saber como se chega ou sai de Barajas de Metrô. É fácil e eu super recomendo. Foi nesse post que eu falei disso, mas recapitulando: siga as placas em Barajas até o metrô, lá você compra o bilhete comum + o adicional do aeroporto. Se bem me lembro isso vai custar 2 euros. Daí é só ir seguindo os mapas, é bem fácil se localizar no metrô de Madrid, que é super eficiente e cobre a cidade toda. Se você quer ir para Barajas de metrô também é esse esquema de pagar o adicional. Não sei se dá pra ser espertalhão e burlar isso. AH, lembre que Barajas é IMENSO, então chegue sempre com bastante antecedência no aeroporto – você pode levar até meia hora indo de um terminal para o outro, e daí perder o voo fica fácil, né?

boates no parque das nações – OITO pessoas querem saber, e infelizmente eu não tenho muito para dizer além de que SIM, há boates e bares e restaurantes, me parecem que mais mainstream do que alternativos, e me parecem que não exatamente baratos. Dá pra chegar no Parque das Nações de metrô (estação Oriente) e é tranquilo e seguro andar por lá a noite (eu achei, pelo menos).

o melhor de lisboa – BELÉM! Mas também o Castelo de São Jorge, o Convento do Carmo, a Baixa, o Bairro Alto, o Chiado, a Alfama, os miradouros… vá com calma e descubra você mesmo. Lisboa é demais e eu morro de saudade.

madrid o q visitar? – Museu do Prado, Reina Sofia e Thyssen Bornemisza, Parque del Retiro, Paseo del Prado, Palacio Real (obrigatório!!!)… eu juntei tudo o que fiz de dia em Madrid aqui nesse post

ônibus para subir o castelo de sintra – SIM. Pegue-o. Acho que custa 4 euros, mas mesmo se custar mais, PEGUE O ÔNIBUS. A não ser que seu lance seja caminhar mesmo. Eu escrevi sobre Sintra aqui.

plaza maior –  toda cidade da Espanha tem a sua, e você deve visitar todas que puder ;)

torre de ulisses – portugal – É legal, eu recomendei aqui, olha.

quanto custa uma semana em sintra – não faço ideia, mas acho que uma semana é tempo demais em Sintra, hein? :P

viagens de ligelena 8
viagens de lijelena 5
ponte elevadiça 4
noite em madrid 4
barajas + metro 3
noites em madrid 3
alfama skate 3
boates no parque das nações 3
o melhor de lisboa 3
castelo de sao jorge 3
lua cheia praia peruibe 2
madrid o q visitar? 2
parque das nações à noite 2
noites de madrid 2
castelo s. jorge 2
imagens da ponte vasco da gama a noite 2
emo no shopping 2
onibus para subir o castelo de sintra o 2
praias peruanas 2
plaza maior 2
imagens da fachada do centro coltural de 2
torre de ulisses – portugal 2
minha viagem a lisboa 2
cafe da marina de rio caldo 2
mosteiro lisboa mar 1
fui de lisboa em viagem belem 1
jardim junto ao mosteiro dos jerónimos e 1
viagens da ligelena 1
viagensligelena 1
foto monumento descobrimentos belém 1
faroleiros portugueses 1
lijelena viagens 1
alberto caeiro – não me venham com concl 1
quanto custa uma semana em sintra 1
centro cultural de belem mapa 1
imagens sobre o tejo e ponte 25 abril 1
bares para aproveitar a noite em lisboa 1
boate castelo 1
dica de turismo em belém 1
sexta feira santa em belem 1
como ir pastel belem 1
espanha 1
a noite lisboeta 1
porra 1
madrid portas 1
noite em madrid blog 1
incognito pior noite música 1
convento carmo lisboa

Mea culpa [não desistam de mim!]

15 de junho de 2009

Eu sei, esse blog está largado às moscas, tão largado que nem meu pai (oi, pai!) reclama mais da falta de atualização. Mas os dias estão horrivelmente corridos, eu (ainda) não ganho a vida escrevendo sobre viagens, e quando tenho folga eu aproveito para dormir ou encher a cara.

Sei também que é ridículo escrever no blog que estou sem tempo de escrever, mas achei que seria interessante avisar do que ainda vem por aí.

Ainda vou escrever sobre minha ida para Toledo, sobre Barcelona, Versailles e Paris. E só para não deixar esse post totalmente inútil, fica um videozinho que eu fiz resumindo minha estadia em Paris em 2 minutos. Algumas pessoas que viram me disseram que o vídeo fez elas ficarem com vontade de ir pra Paris, e esse foi meu objetivo! Ficou meio tosco porque foi minha primeira experiência com o Movie Maker, mas ANFÃ, segue o teaserzinho:

Talvez eu use esse blog também para falar sobre o planejamento da minha próxima viagenzona, que está finalmente tomando forma dentro da minha cabeça. Veremos ;)

Madrid de noite

28 de maio de 2009

 

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

 

 

Eu sou uma pessoa de sorte. Arranjei a melhor guia POSSÍVEL para me levar pela noite de Madri. O nome dela é Carol, e eu a conheci há alguns anos, porque ela é amiga do meu ex-namorado. Quando eu a conheci, ela estava de partida para morar em Madrid, e quando soube que eu iria para lá, foi a pessoa mais gentil do mundo: pediu para eu contar para ela o que eu gostava de fazer e o que eu queria ver na cidade, que ela ia providenciar um tour. Me deu seu número de telefone e prometeu que ia mesmo me levar para passear.

E assim foi. Cheguei em Madrid, fui passear durante o dia, e conforme a noite foi chegando liguei para ela. “Oi, não tá cansada demais não? Quer sair mesmo?” Tsc. Mal sabia eu que a Carol é animadíssima. Que eu, em férias, ia me cansar mais do que ela. Porque segundo um amigo que a gente tem em comum, ela é a pessoa “mais boêmia do mundo”. E deve ser mesmo. Então vou contar o que a gente fez pelas noites de Madrid, e você pode seguir as dicas de olhos fechados, porque são dicas de uma quase-madrileña, que mora lá há uns 3 anos e que é a pessoa mais boêmia do mundo.

Ela ainda foi gentil o bastante para me mandar por e-mail todos os lugares por onde passamos, com comentários! Tomo a liberdade de reproduzir alguns aqui e agradecer pela milésima vez: Madrid não teria sido tão bacana sem ela. Talvez eu nem pensasse em voltar pra lá ano que vem para passar pelo menos um fim de semana de noitadas intensas com a Carol. Menina, você devia virar guia turística da noite madrileña e ganhar dinheiro com isso! Mil vezes obrigada :)

 

Obrigada, obrigada, obrigada :D

Obrigada, obrigada, obrigada :D

 

 

Vamos lá. Tenho poucas fotos dos lugares, por razões etílicas, mas então vou DECORAR o post com fotos da dupla pela noite – até que somos bonitinhas.

 

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

 

 

Na primeira noite que nos levou para passear, Carol começou pela taberna Los Gatos (Calle de Jesus, 2), que era bem pertinho do nosso hotel, mas que curiosamente eu nunca mais consegui encontrar (ah, o álcool).  Fomos fazer um programa tipicamente madrileño, beber caña na barra – ou seja, cerveja no balcão. A decoração é toda típica, diz que o dono da taberna é um (ex?) toureiro, então tem cartazes com a programação das touradas. Tem tapas e tostas bem típicas, e eu adorei! Segundo a Carol: “Com a localização e a fama que tem, esse lugar é uma armadilha para turistas, mas a decoração é divertida, a comida é gostosa, e é bastante madrileña”. Bom, eu chamaria de armadilha se alguma coisa lá fosse ruim, mas muito pelo contrário, foi tudo ótimo! :)

De lá fomos a uma taberna galega (tipicamente da Galícia), o Maceiras (Calle de Jesus, 7) . Aqui você pode se delíciar com coisinhas do mar, mas se você for como eu, que não curte muito, não se preocupe, há opções! Minha mãe comeu um pulpo a la gallega que devia estar sensacional. Carol e eu comemos uma carninha INCRIVEL com pimientos de padrón. Carol diz que “unos picam, otros no” – no meu caso nenhum picou, e estavam incrivelmente saborosos, com um salzinho grosso por cima… nham. Comemos queijo, bebemos vinho, batemos papo, e… já estava na hora de levantar para ir para o próximo lugar.

Sim, porque isso é o mais legal na noite de Madrid – pelo menos eu achei. Você não fica muito tempo num lugar só. Chega num bar, bebe umas duas ou três cañas e parte para o próximo. E vai andando e aproveitando o melhor de cada lugar. É engraçado porque você acaba até encontrando as mesmas pessoas em lugares diferentes – o que pode ser bom ou ruim, né? ;). Ah, o preço do que é servido na barra é mais baixo que a mesma coisa servida na mesa – acho que por isso as pessoas curtem também ficar bebendo em pé.

Do Maceiras saímos andando, passamos pela Plaza de Santa Ana, que é linda e deve bombar no calor, e fomos em direçao a Puerta del Sol (isso quem disse foi a Carol, eu não fazia a menor idéia de onde estava, hah). Para a primeira noite estava mais que bom – a gente tinha madrugado para pegar o voo para Madrid, e Carol tinha acordado cedo para trabalhar, então combinamos que continuaríamos o passeio em outra noite.

 

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

E assim foi! Na segunda noite em que fomos passear, minha mãe queria porque queria assistir a um espetáculo de flamenco. Mas eu não, rarara. Então encontramos a Carol com a seguinte proposta: faríamos um “esquenta” pré-flamenco todas juntas. Daí deixaríamos minha mãe no espetáculo e iríamos beber e fofocar sozinhas. Depois resgataríamos mamãe para terminar a noite todas juntas e bêbadas! Tchans! Assim foi.

Primeiro fomos ao La Musa de Espronceda (Calle Santa Isabel, 17), um lugar muito lindinho e aconchegante. “Jantamos” tapas de solomillo con mermelada de frambuesa, o que eu recomendo FORTEMENTE, estavam deliciosas. Só de lembrar eu salivo. Bebemos uns vinhozinhos – que alegria sair para lugares onde o vinho é mais barato que o refrigerante – e seguimos para o Plaza Menor.

Meninas, eu não sei se demos sorte ou se ele está sempre por lá, mas tem um bartender do Plaza Menor (Calle de Gómez de Mora, 3) que foi simplesmente um dos caras mais lindos que eu vi na viagem toda. Hah. Preciso falar mais alguma coisa? Bom, como se não bastasse tanta beleza, o bar é bem lindo, bebemos mais vinho e comemos os petisquinhos que nos ofereceram. Ah, tem isso em Madrid também: em vários lugares você pede uma bebida e ganha uma porçãozinha de tapas, oferta da casa. Podem ser nuts, ou azeitonas (as melhores da minha vida comi em Madrid, fica a dica), ou uns queijinhos… 

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas minha mãe queria ver flamenco. Carol levou ela até o Las Carboneras (Plaza del Conde de Miranda, 1), enquanto eu fiquei tomando conta de nossos vinhos e do bonitão ;). Mamãe gostou muito do espetáculo, que é um showzinho intimista, nada muito grandioso e cafona. Ela recomenda. 

Enquanto uma se divertia com o flamenco, nós fomos beber mais! Carol me apresentou um dos favoritos dela, o Anti-Cafe (Calle Union, 2), que é realmente muito bacana, com poltroninhas e sofás e trilha sonora excelente (tocou CSS enquanto estávamos lá, o que não é exatamente excelente, mas pelo menos não era Beyoncé en español, que eu ouvi no aeroporto). Batemos papo, fofocamos, bebemos cervejinhas e um Ruso Blanco. Sim, isso mesmo que você está pensando. Um white russian. Que eles chamam de Ruso Blanco. Aceite a realidade espanhola, eles traduzem até os nomes dos príncipes da Inglaterra, por que não traduziriam o pobre white russian? :) 

Vocês conseguem imaginar como já estávamos? Tudo isso em uma noite só! Resgatamos minha mãe (que também continuou bebericando no flamenco) e fomos ao Lamiak (Calle Cava Baja, 42), provavelmente meu lugar preferido da noite. Bom, nós chegamos lá e a galera estava dançando! Veja bem, é um bar, não uma boate, e mesmo assim tinha gente pulando com os braços pra cima, e os bartenders dançando também, felizes da vida. Que lugar ótimo! Minha mãe queria sangria e eles não tinham, então prepararam para ela um tinto de verano INESQUECÍVEL, muito caprichado mesmo. Carol e eu seguimos no vinhozinho, fizemos amigos suecos e demos muita risada.

Pra curar a bebedeira, nada melhor do que voltar para casa à pé, na chuva e com um friozinho de 3 graus. Mas eu não mudaria nada desta noite!

 

No Tupperware dançando e rodando!

No Tupperware dançando e rodando!

 

 

Para minha última noite em Madrid, Carol e eu tínhamos planejado DESTRUIÇÃO. Era uma quinta-feira, noite em que Madrid começa a ferver de verdade, e eu queria conhecer as pistas de dança e a NAITE propriamente dita. Deixei mamãe dormindo no hotel e segui de metrô para encontrar Carol.

Embora Madrid seja maior que Lisboa, e por isso não inspire taaaanta segurança, andar sozinha por lá foi muitíssimo tranquilo também. Para quem vive em São Paulo, ou no Rio, qualquer lugar é tranquilo, né? Pois bem, peguei o metrô sozinha da silva e fui encontrar Carol. Já na saída do metrô Tribunal fui cercada por orientais querendo vender cerveja – aparentemente “quente”. Declinei e fiquei observando a fauna local enquanto esperava. É engraçado, com a globalização todo mundo se veste e se comporta meio igual, e aquilo bem podia ser a saída do metrô Consolação na sexta a noite.

Carol chegou e seguimos para um restaurante/bar mexicano chamado La Catrina (Calle Corredera Alta de San Pablo, 13), muito bacana. Dá para passar horas olhando a decoração bizarra do lugar, cheia de bonequinhos, um mais inusitado que o outro. Comemos nachos e bebemos Negra Modelo, cervejinha booooa, finalmente! Batemos papo com o barmen brasileiro, ouvimos umas musiquinhas boas e já estávamos prontas para a primeira parada.

O La Via Lactea (Calle Velarde, 18) é um lugar antiguinho, da época da Movida Madrileña, era um dos lugares preferidos do Almodovar na década de 80. É engraçadíssimo, porque a decoração é toda futurística a la Hans Donner e Hajime Sorayama, sabe? Futurismo do passado. Quando chegamos estava vazio, e aos poucos foi enchendo e enchendo e enchendo. A Carol disse que lá geralmente o som é mais classic rock, mas na noite que a gente foi estava diferente, com uns blacks e souls. Eu curti. Nas TVzinhas, filmes de terror toscos. Ficamos lá bebendo San Miguel, fizemos um amiguinho catalão, nos divertimos bastante. Mas em Madrid, faça como os madrileños. Rumo à próxima parada.

 

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Fomos a um dos favoritos da Carol, o Tupperware (Corredera Alta de San Pablo, 26), que também foi meu preferido da noite e o que mais se assemelhou com os inferninhos que eu costumo frequentar em São Paulo. Pistinha quente e animada, dançamos Killers e Arcade Fire e outras coisinhas, fizemos amiguinhos, revimos algumas pessoas que estavam no La Via Lactea… estava muito bom e por nós ficaríamos lá até amanhecer, mas os bares na Europa tem o péssimo hábito de fechar na hora que tem que fechar, e no caso do Tupperware era umas 3h30. Aaaaaaaah. Mas eu recomendo o lugar, talvez dê pra aproveitar mais chegando um pouquinho mais cedo, mas daí vai do que você quer: pular de bar em bar ou curtir bastante um lugar só? Faça sua escolha e não se arrependa dela, você se diverte dos dois jeitos ;).

Como a gente queria ver o sol nascer (rarara), fomos com nossos recém amiguinhos para uma BOATE, assim, com letra maiúscula. Uma das que eu não via há anos, com várias pistas e ambientes. O nome dela é BarCo (Calle del Barco, 34). Dançamos bastante, fomos paqueradas por ciganos (hahahahaha), bebemos mais um tanto e… gente, já eram umas 5h30. A Carol tinha que trabalhar e eu tinha que pegar meu trem para Barcelona logo cedinho!

Resolvemos dar tchauzinho para a noite madrileña em um lugar bem tradicional: a Chocolateria San Ginés (Pasadizo de San Ginés, 5), para onde vão várias pessoas depois das noitadas. A gente estava tão cansada que mal conseguia falar. Tomamos um chocolate com churros e cada uma foi para seu lado.

Saldo da noite? Carol derrubada no dia seguinte. E eu PERDI meu trem para Barcelona, hahahaha. Mas essa história eu conto depois.

A real é que a noite de Madrid é DEMAIS. Sério, eu fiquei apaixonada. Claro que sem as dicas precisas da Carol não seria tão bom, e já que ela ainda não oferece seus serviços para qualquer um eu compilei alguns lugares muito legais aqui. Faça bom proveito!

Madrid de dia

27 de maio de 2009

Madrid foi madrasta comigo. Mas mesmo assim eu fui embora de lá apaixonada! Então fico imaginando: se com frio e chuva Madrid é tão legal, com tempo bom deve ser melhor ainda. É por isso que ano que vem eu pretendo repetir a dose e passar por Madrid de novo. Mas enquanto o ano que vem não chega, vou falar um pouco do que fiz por lá durante o dia.

Eu fiquei hospedada num lugar excelente: do ladinho do Paseo del Prado, que por si só é lindo, e consequentemente perto do Parque del Retiro, do Museo del Prado, do Reina Sofia, da Estação de Atocha, e também do Caixa Forum e do Thyssen Bornemisza (nesses dois últimos eu não fui). Então mesmo com chuva, bastava uma caminhadinha de nada e já estávamos em algum lugar bacana.

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

No primeiro dia fomos ao Reina Sofia. É um dos principais museus de arte moderna da Europa, tem Mirós e Dalis e Lipchitzs etc etc etc E TEM A GUERNICA. Veja bem, eu não sou uma grande conhecedora de arte, obviamente eu gostei do passeio pelo museu todo, o pátio central é muy agradavel, tem esculturas sensacionais, um Calder e tal, mas como pequena conhecedora de arte eu fiquei UAU com a Guernica mesmo. Que é imensa e impactante. E o jeito que ela é exibida, com outras obras contextualizando, com videos e explicações, é muito legal. Dá pra imaginar o impacto que a obra teve na época. E que não se perdeu. Ah, não é permitido fotografar dentro do Reina Sofia, então só tenho fotos de fora. Até porque, que graça tem ficar fotografando obras de arte?

 

O Calder do pátio :~

O Calder do pátio :~

 

No segundo dia nós acordamos e fomos direto para o Museo del Prado. Veja bem, até chegarmos em Madrid, não tínhamos ido a nenhum museu. Estava friozinho e chovendo. Acordar e ir para o Prado foi uma excelente pedida, e eu recomendo fazer isso porque é um museu grande, vale a pena ir descansado.

Bom, se eu tivesse que escolher só um museu pra visitar em Madrid, escolheria o Prado. Nada contra o Reina Sofia (viu Carol?), mas foi no Prado que eu encontrei as obras que eu já conhecia de tanto ver reproduzidas por aí. As obras “famosas”, sabe? E daí foi uma delícia passar a manhã vendo as cores de Rafael, o Jardim das Delícias do Bosch, uns trípticos do El Bosco que pareciam história em quadrinhos, esculturas gregas e romanas e, claro, muito Goya e muito Velázquez. Eu acho que é um bom museu para quem não “entende” de arte mas gosta de arte (meu caso). Ah, dica importante: há máquinas de venda automática de ingresso para o Museu. É o melhor esquema para fugir da fila, caso você não tenha o “passaporte da alegria” dos museus. Dá pra pagar com cartão de crédito. Procure, é do lado esquerdo do museu, no caminho para as bilheterias mesmo.

 

Eu e meu chapa Velazquez

Eu e meu chapa Velazquez

Saímos do Museu morrendo de fome e cometemos um ERRO. Eu já aviso aqui pra você não passar pelo que passamos. A gente resolveu ir comer um sanduíche de jamón no Museo del Jamón. Tem na cidade toda, é mega baratinho e você pode ficar tentado a comer lá, mas EVITE. Na boa, foi a pior coisa que comemos na viagem inteira. Uma baguete com uma fatia de jamón dentro. UMA FATIA. É seco, um horror. Talvez valha a pena passar no Museo del Jamón para comprar jamón pra levar pra casa, ou pra comer outra coisa, mas fuja do bocadillo de jamón. Não vale a economia.

Bão. Saímos de lá frustradas e resolvemos dar uma olhada na estação de Atocha, porque o plano era ir no dia seguinte para Toledo, e o trem sai de lá. Além disso, nosso trem para Barcelona também sairia de lá, então era bom dar uma olhada na estação, fazer um reconhecimento de terreno.

 

Atocha vista do lado de fora

Atocha vista do lado de fora

 

 

E olha, vale a visita. É bem triste lembrar do atentado de 2004, que foi lá, mas não parece haver grandes traumas na população (mas posso estar falando bobagem). A estação é linda e tem aquele curiosíssimo jardim tropical no meio, com trataruguinhas e tudo. 

Atocha vista por dentro

Atocha vista por dentro

Que mais? Também fomos à Plaza Mayor, claro. É um quadrado com nada no meio, mas é incrível como um quadrado com nada no meio pode ser bacana! Desde o século 17 é a principal praça da cidade, era onde ficavam a guilda dos padeiros e a casa de la carniceria, antigo mercado de carnes (ficam uma em frente à outra). Diz que a Plaza Mayor já foi um grande mercado, um teatro ao ar livre e praça de touros, entre outras coisas. Hoje tem uma estátua do Felipe III no centro, e várias lojas, restaurantes e café em volta, nas arcadas. A gente ficou por lá descansando, admirando as construções, olhando as lojinhas e até almoçou num dos restaurantes um dia, mas era inevitável pensar o quanto deve ser mais legal a Plaza Mayor no verão ou em dias de sol. 

 

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Agora, um passeio delícia para fazer em Madri é ir ao Parque del Buen Retiro, ou simplesmente “Retiro”. É o Parque Ibirapuera deles, bem integrado à cidade, mas ao mesmo tempo um super oásis. Você pode ir lá fazer um piquenique, ou se esticar na grama, ou remar no estanque, procurar pelas estátuas e monumentos ou simplesmente fazer nada – vai ser gostoso de qualquer jeito. Se você for na alta primavera, procure pela Rosaleda, é um jardim de rosas que deve ser sensacional quando florido. A gente viu tudo em botão, uma pena…

 

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

Quando estávamos perto do Palácio de Cristal – que é um espaço de exposições dentro do Parque, vimos uma movimentação estranha. Um noivo e uma noiva e toda a entourage estavam tirando fotos na beira do lago em frente ao Palácio. Todos japoneses! Não resisti e cliquei também, estava muito engraçado.

 

"Sorriam e façam V com os dedos!"

"Sorriam e façam V com os dedos!"

Ah, OBRIGATORIO é ir ao Palacio Real. Foi meu palácio favorito na viagem inteira, deixou Versailles no chinelo (depois falo mais sobre isso). É muito legal porque é um Palacio que ainda é usado para cerimônias oficiais, então é bem vivo, não tem tanta cara de museu como os que vimos em Portugal. Alguns dias depois que eu passei por lá o Sarkozy fez uma visita oficial à Espanha e jantou na sala que eu tinha visitado… isso é super bacana! Mas por outro lado restringe um pouco o número de salas abertas à visitação, e se você der o azar de estar lá em um dia de cerimônia,  bye bye visita. Vale a pena se informar antes. 

 

Palacio Real de Madrid -  lindo por fora e por dentro

Palacio Real de Madrid - lindo por fora e por dentro

Bom, você entra no Palácio e cai em um pátio imenso. Tava MUITO frio e chovendo no dia em que fomos lá, e o vento nesse pátio é CRUEL, mas valeu enfrentar isso para ter a vista  dos antigos campos de caça da realeza. Daí começamos a visita pela farmácia real. Uma pena que não permitam fotografar, mas acreditem em mim, é uma belezinha essa farmácia, cheia de vidrinhos e potinhos, todos com os nomes dos produtos, os instrumentos dos farmacêuticos… muito bacana. Mas não prepara ninguém para o palácio de verdade. 

Bom, só a escadaria já é de cair o queixo. Reza a lenda que Napoleão disse “José, você estará melhor que eu” quando deixou o irmão no trono da Espanha. E eu não duvido. É muita riqueza – os afrescos do teto são inexplicáveis. Assim, TEM QUE VER. Daí é uma sala mais linda que a outra, mas as que me deixaram mais passada foram a sala do trono, toda vermelha e imponente, e o salão de gala, que tem uma mesa interminável – foi nessa que foi servido o banquete pro Sarkozy. Eu contei umas 60 cadeiras à mesa, mas dizem que nesse jantar do Sarkozy eles adaptaram para mais de 100 pessoas. UAU.

E daí tem uma outra parte fantástica no Palácio que é a Armaria Real. Quando eu entrei na sala me deu uma sensação esquisitíssima, porque por mais que eu soubesse que as lutas com armaduras que eu sempre vi em filmes existiram na vida real, é diferente quando você vê as armaduras pessoalmente. E na Armaria Real estão expostas MUITAS armaduras – de gente, de cavalo, de cachorro (!), de adulto, de criança – e espadas, revolveres… é demais!

Bom. E andar, andar e andar, né? Nós fomos à Chueca, o “bairro gay” de Madrid, e voltamos passeando. Passamos por Sol, pela Gran Via, vimos a Puerta de Alcalá, passamos pela Calle Fuencarral… Madrid é pequena e plana, o melhor que você pode fazer é descobrir tudo andando, se perdendo e se embrenhando.  Deve ser uma excelente cidade para passar um tempão descobrindo coisinhas. Me arrependi um pouco de ter reservado só 4 dias…

 

Puerta de Alcala

Puerta de Alcala

Madrid – pra começar

19 de maio de 2009

 

Oi Madri :)

Oi Madri :)

Eu disse lá no comecinho, mas acho válido lembrar aqui que a Espanha só entrou no meu roteiro de viagem porque estava no meio do caminho entre Portugal e França. Assim… não é que eu não quisesse conhecer a Espanha, mas na minha listinha de prioridades, ela não era nem top 5. Mas havia tempo, e era pertinho… por que não?

Então eu fui para Madrid com expectativas baixíssimas. Claro que também pesquisei sobre a cidade, e me animei com algumas possibilidades, comprei um guiazinho, etc e tal, mas estaria mentindo se dissesse que estava tão ansiosa pela Espanha como estava por Portugal e Paris.

Daí a gente chegou. Vale avisar que o aeroporto de Barajas, que é o grandão de Madrid, é uma coisa bizarramente gigante. Imaginem vocês que há um terminal, o T4, que é exclusivo da Iberia. E mesmo DENTRO deste terminal, mesmo pegando o trenzinho, se você for fazer uma conexão pode levar quase meia hora só se deslocando de um portão ao outro. Eu devia parecer uma caipira, foi o maior aeroporto que eu vi na minha vida. E isso porque eu só vi um terminal. Mas enfim. Só pra avisar que Barajas é uma enormidade.

 

Até a esteira de bagagem é superlativa.

Até a esteira de bagagem é superlativa.

Mas como em qualquer cidade minimamente civilizada, você consegue sair do aeroporto usando transporte público numa boa. Siga as plaquinhas do metrô – que em Madrid é realmente muito bom – e pronto, você chega a qualquer lugar. A maior parte das estações tem elevador ou escada rolante, mas algumas não tem, então lembre-se das dicas sobre malas.  Para sair do aeroporto (ou para chegar nele) de metro você vai gastar 2 euros, se não me engano.

Importante: prepare-se para exercitar seu espanhol ou enrolar no portunhol, pois como me disseram e eu pude constatar, os espanhóis não falam inglês, lamento. Mas obviamente você, brasileirinho cheio de ginga, vai super conseguir se virar por lá.

 

Vai uma porra recheada de chocolate aí?

Vai uma porra recheada de chocolate aí?

Em diversos aspectos Madrid me lembrou  São Paulo. Primeiro porque se alguém te pergunta “o que você vai visitar em Madrid?”, dificilmente você terá uma resposta na ponta da língua. Em Paris, visita-se a Torre Eiffel ou o Arco do Triunfo. Em Londres, você vê o Big Ben, o Parlamento. No Rio, o Cristo Redentor ou o Pão de Açucar. E em São Paulo? E em Madrid? O que faz o coração dessas cidades bater não são pontos turísticos, mas sim museus, bares, restaurantes, parques, coisas que talvez você não lembre de bate-pronto, mas que claro que podem ser muitíssimo marcantes.

Depois porque é uma cidade cosmopolita, agitada, de negócios e famosa por sua vida noturna. E pra completar, Madrid nos recebeu com céu cinza, chuva e friozinho. São Paulo, gente! 

 

Olha que nuvens familiares para uma paulistana

Olha que nuvens familiares para uma paulistana

Bom, nós ficamos 4 noites em Madrid, naquele hotel que eu já contei para vocês. Demos um azar danado, o tempo esteve péssimo na maior parte dos dias, e chegamos a pegar 4 graus na madrugada. Considerando que era primavera, foi bem atípico. Mas a chuva não nos impediu de curtir para caramba a cidade. Só demos uma escapadinha, para Toledo, o que no fim das contas não foi muito legal, mas isso eu conto mais pre frente.

Madrid é mais cara que Lisboa, mas não muito. Pode ir sossegado porque dá para almoçar, jantar, beber e ser feliz. Vale lembrar que os horários dos espanhóis são meio malucos: a manhã vai até umas 14h, a tarde até umas 20h e a noite só Deus sabe. Então, se quiser almoçar como os espanhóis, é depois das 14h. Em compensação você pode acordar tarde e tomar café da manhã sem culpa. E se bater uma vontadinha de tomar cerveja no café da manhã, pode se jogar: eles não vão olhar torto.

Ah, outra coisa importante. Tirando os lugares turisticos, tudo fecha entre 14h e 17h. É a siesta, meu bem: serious business. Não estranhe as portas fechadas, tente se adaptar aos horários deles e em pouco tempo você vai sacar que eles sim sabem viver!

O transporte: eu andei muito à pé. Muito mesmo. Acho que só peguei metro umas 3 vezes. Mas daí você que sabe se tem pique ou não. De qualquer forma, o transporte público lá parece funcionar muito bem. Além do metrô, que eu já disse, diz que os ônibus são pontualíssimos e excelentes. 

A cerveja: bom, nessa altura do campeonato eu já estava abandonando a loira gelada e aderindo à turma do vinho, mas em Madri você vai encontrar pelo menos duas cervejas razoáveis: meio fraquinhas, mas que não comprometem: a Mahou (lê-se MAOU) e a San Miguel. Se você for pedir um copo de cerveja em algum lugar, peça uma CAÑA. Se for pedir uma long neck na boate, peça um TERCIO (acho que é isso). Vinho, é una copa de viño, e não una taza, pelamordedeus.

A comida: bom, eu mais tapeei do que comi comida em Madrid. Para quem não sabe, tapear é comer tapas, que são porçõezinhas de comida que você come numa bocada só. Mas se você quiser almoçar, há menus do dia por 8 ou 10 euros, com prato, sobremesa e bebida. Mais pra frente eu vou falar dos lugares aonde fui e das coisas que comi, porque comer e beber bem é bom demais em Madrid.

 

E a noite, ahhhh a noite de Madri

E a noite, ahhhh a noite de Madri

A noite Lisboeta

12 de maio de 2009

 

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Eu estava quase fechando o capítulo “Portugal” deste blog quando me toquei que não tinha falado nada sobre minhas aventuras noturnas por Lisboa! Um absurdo, porque saí três vezes por lá, e se não foi a melhor cidade em termos de vida noturna das minhas férias, pelo menos me rendeu bastante diversão.

Pois bem, já digo que eu não fui na Lux. Naaaah não fui mesmo. Música eletrônica não é das preferidas da casa, e eu não gosto desses lugares esnobes em que hostess e seguranças dizem quem deve entrar e quem não deve. E além disso eu fui pra lá num esquema econômico, se fosse torrar meus eurinhos seria em vinhos e cervejas, e não em entrada de boate. Mas todo mundo diz que a Lux é um dos melhores clubes da Europa, então se você curte esse esquema de boate badalada, se joga. :)

Também não fui nos bares/boates das Docas, nem nas casas noturnas do Parque das Nações. “Mas que diabos, onde você foi afinal?”. Bom, vamos lá.

Na primeira noite, logo que chegamos a Lisboa, resolvemos bater perna pelo Bairro Alto (que os lisboetas chamam carinhosamente de “Bairro”).  É tipo uma Vila Madalena, em São Paulo, ou uma Lapa, no Rio – uma sucessão de bares, ruas tomadas de gente de todas as idades e estilos bebendo suas cervejinhas… bem divertido. A gente andou, andou e andou, e chegou na Tasca do Chico, que fica na Rua Diario de Notícias, 39. 

 

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Se fosse no Brasil, seria o Boteco do Chico, ou o Bar do Chico. Igualzinho aos nossos pés-sujos. A diferença é que lá, às segundas e quartas, rola o chamado FADO VADIO. Que é praticamente um karaokê de alto nível. As pessoas que gostam e sabem cantar fado ficam circulando pelos bares do Bairro e param nos que tem música ao vivo. Daí a banda toca e o cantor solta a voz. Uma, duas, três ou quatro músicas, quando muito. Ganha seus aplausos, e parte para outro bar. Os cantores são amadores, mas todo mundo fica quietinho e respeita a apresentação, que geralmente é ótima. Entre um cantor e outro, as luzes do bar são acesas e você come e bebe e bate papo e dá risada numa boa. Eu adorei a experiência, sou super contra esses shows de música típica, tipo show de tango ou de flamenco, então essa chance de ouvir um fado TRU foi legal demais. A Tasca do Chico não cobra entrada, nem consumação, e não exige reservas. Se você quiser jantar, ou beber sentadinho, chegue cedo. Senão, se aperte no balcão. E procure a Flavia, garçonete brasileira gente boa :D

Daí minha segunda noitada foi a festa do Couchsurfing na casa da Aoife, que eu já comentei no post sobre Belém. Como não tem como recomendar essa festa, porque ela não deve virar pública tão cedo, vou aproveitar para comentar a experiência de sair à noite sozinha por Lisboa. Confesso que fiquei com um mini-medinho.  A festa começava cedo, às 20h, e eu resolvi que ia ir e voltar de metro e seja lá o que fosse. A estação do metro ficava a cerca de 800m do apartamento onde estávamos. Para ir foi tranquilo, claro, era cedo. Fui lá, fiquei de olho no relógio, e quando deu meia noite e pouco corri pro metro. Cheguei na “minha” estação e aquele deserto… respirei fundo e comecei a andar para casa. Medo, né? Em São Paulo eu até ando sozinha de madrugada, mas sempre muito tensa. Fui andando, cruzei com uns caras e tal… e tudo tranquilo. Passsei por um bando de homens que estavam bebendo num bar, e não ouvi nenhuma gracinha (será que eu tou baranga ou eles não falam baixaria? :P). Cheguei em casa sã e salva. E impressionada com a falta de riscos de andar sozinha de madrugada por Lisboa. Muito bom! :D

Bom, que mais? Voltei no Bairro outra noite, com uma amiga-de-amiga que foi querida o bastante pra me levar pra beber numa sexta a noite. Ela, estudante, já me recebeu dizendo: “vou te levar no bar com a cerveja mais barata do Bairro Alto, bora pro Pinguim!” Bora, claro. 

No caminho ela me explicou que “Pinguim” não era o nome do bar, mas sim o jeito que ela ficava quando ia a esse bar. Porque o lance é pegar a garrafa de um litro de Superbock no bar (custa 2 euros!) e beber na rua. Só que a rua é estreita e lotada, então para garantir que a garrafa não vai ser chutada por ninguém, o lance é enfiar ela entre as pernas. E quando passa carro, ou pior, caminhão de lixo, só resta ir andando com a garrafa entre as pernas, com passos curtos que nem pinguim, pra se espremer contra os muros e paredes. 

Este momento do aperto também é ideal para se encostar naquele gatsinho espanhol (ou alemão ou belga ou angolano ou até brasileiro) que está por lá. É que esse bar é famoso por ser frequentado pelos estudantes de Lisboa, em especial pelos do Erasmus, aquele programa de intercambio europeu famosão – se você assistiu “Albergue Espanhol” sabe do que estou falando. Bom, é gente jovem, bonita e animada, cerveja barata, diversão. Só que quando dá 2h da manhã… FUEN. As luzes do Bairro Alto são apagadas, os bares fecham e a farra acaba. Triste, né? Bom, se você quiser ir nesse bar, fica na Rua Diario de Noticias também, mas lá em cima. Eu não tenho certeza se é o Mezcal, mas você vai ver, é o bar com a cerveja mais barata ;)

Daí me restou seguir os amigos recém-feitos naquela noite. Fomos para um clubinho chamado Incognito, que tinham me recomendado para ouvir as indiezices que eu gosto. Chegamos lá, a hostess deixou entrarmos sem pagar entrada (uhul), e… eu estava esperando um inferninho escuro, e entrei numa BOATE, com luzes piscantes. Mas beleza. Pendurei meu casaco num ganchinho (desapego, Brasil! Quando eu voltei o casaco tava lá direitinho) e fui dançar. O DJ não era dos melhores, a cerveja era cara, mas deu pra fechar a noite que já estava divertida. Daí deu 5h, e FUEN, acenderam as luzes. Adeus, adeusinho, a noitada acabou. Lá não tem dessas de “até o último cliente”. Uma pena, porque eu bem ficaria dançando aquelas músicas até de manhã.

E agora sim, TCHAU, Lisboa… o próximo post já vai ser madrileño ;)