Archive for the ‘Madrid’ Category

Madrid-Barcelona – o trem-bala da Renfe

6 de julho de 2009

“Lili, estamos atrasadas!”, minha mãe gritou. Eu nem lembrava, bêbada de sono e de tercios e cañas e copas de vino, que tínhamos que pegar o trem para Barcelona às 8h30. Eram 8h10.

Descemos correndo a rua, arrastando malas, descabeladas, para pegar um táxi para Atocha. Pelos meus cálculos, DAVA. Tinha que dar tempo, Atocha era pertinho, tinha que dar. Paramos o taxista, pedimos pra ele VOAR (em portunhol). Chegamos, subimos a esteira rolante correndo, eu ainda amargando uma ressaca. IA DAR, olha lá o trem na plataforma, vai dar! Vai dar!

E o trem partiu sem a gente. Sério, parecia cena de filme. O trem indo embora, eu praguejando, chorando, PAREM ESSE TREM. Não adiantou, e amargamos um preju de 44 euros para pagar a mudança de horário do trem – fora que tivemos que esperar uma hora até o próximo.

Beleza, uma história engraçada para contar aqui. Apesar disso, eu recomendo MUITO ir para Barcelona de trem, desde Madrid. O trem é o AVE da Renfe, trem de alta velocidade. Chega a incríveis 300 km/h! Dá para comprar a passagem pela internet, e sendo sagaz você consegue a tarifa mais barata, 43 euros. Baraaaaato não é, mas vale a pena pelos seguintes motivos:

– Você sai e chega no centro da cidade, economizando tempo e dinheiro do transporte dos aeroportos até seu hotel/albergue/apartamento
– É muito, mas MUITO mais confortável viajar de trem do que de avião. Tem mais espaço para as pernas, o assento reclina mais, não sacode nem um pouquinho…
– É um trem-bala, po! Vai dizer que você nunca quis viajar de trem-bala?
– É mais rápido do que ir de avião. Ok, Madrid-Barcelona de avião leva 1 hora. Mas se você contar desde o momento em que você sai do seu hotel até a porta do seu outro hotel, vai ver que é mais jogo ir de trem. Não tem check in, não tem despache de bagagem, não tem fila de embarque, não tem nada disso.

Então não bobeie, compre sua passagem Madrid-Barcelona de trem, que é muito mais jogo. Pra comprar é assim.

– Acesse o site da Renfe. USE O INTERNET EXPLORER, senão você não vai ter acesso à tarifa mais barata.
– Selecione o dia em que você quer ir.
– Selecione as estações. Em Madrid é Puerta de Atocha, em Barcelona é a Barcelona-Sants.
– Faça a busca. Escolha a tarifa Web, que é a mais barata.
– Tchanans! Tá comprado.

Só seja esperto e não perca a hora como a gente. Boa viagem ;)

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Madrid de noite

28 de maio de 2009

 

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

 

 

Eu sou uma pessoa de sorte. Arranjei a melhor guia POSSÍVEL para me levar pela noite de Madri. O nome dela é Carol, e eu a conheci há alguns anos, porque ela é amiga do meu ex-namorado. Quando eu a conheci, ela estava de partida para morar em Madrid, e quando soube que eu iria para lá, foi a pessoa mais gentil do mundo: pediu para eu contar para ela o que eu gostava de fazer e o que eu queria ver na cidade, que ela ia providenciar um tour. Me deu seu número de telefone e prometeu que ia mesmo me levar para passear.

E assim foi. Cheguei em Madrid, fui passear durante o dia, e conforme a noite foi chegando liguei para ela. “Oi, não tá cansada demais não? Quer sair mesmo?” Tsc. Mal sabia eu que a Carol é animadíssima. Que eu, em férias, ia me cansar mais do que ela. Porque segundo um amigo que a gente tem em comum, ela é a pessoa “mais boêmia do mundo”. E deve ser mesmo. Então vou contar o que a gente fez pelas noites de Madrid, e você pode seguir as dicas de olhos fechados, porque são dicas de uma quase-madrileña, que mora lá há uns 3 anos e que é a pessoa mais boêmia do mundo.

Ela ainda foi gentil o bastante para me mandar por e-mail todos os lugares por onde passamos, com comentários! Tomo a liberdade de reproduzir alguns aqui e agradecer pela milésima vez: Madrid não teria sido tão bacana sem ela. Talvez eu nem pensasse em voltar pra lá ano que vem para passar pelo menos um fim de semana de noitadas intensas com a Carol. Menina, você devia virar guia turística da noite madrileña e ganhar dinheiro com isso! Mil vezes obrigada :)

 

Obrigada, obrigada, obrigada :D

Obrigada, obrigada, obrigada :D

 

 

Vamos lá. Tenho poucas fotos dos lugares, por razões etílicas, mas então vou DECORAR o post com fotos da dupla pela noite – até que somos bonitinhas.

 

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

 

 

Na primeira noite que nos levou para passear, Carol começou pela taberna Los Gatos (Calle de Jesus, 2), que era bem pertinho do nosso hotel, mas que curiosamente eu nunca mais consegui encontrar (ah, o álcool).  Fomos fazer um programa tipicamente madrileño, beber caña na barra – ou seja, cerveja no balcão. A decoração é toda típica, diz que o dono da taberna é um (ex?) toureiro, então tem cartazes com a programação das touradas. Tem tapas e tostas bem típicas, e eu adorei! Segundo a Carol: “Com a localização e a fama que tem, esse lugar é uma armadilha para turistas, mas a decoração é divertida, a comida é gostosa, e é bastante madrileña”. Bom, eu chamaria de armadilha se alguma coisa lá fosse ruim, mas muito pelo contrário, foi tudo ótimo! :)

De lá fomos a uma taberna galega (tipicamente da Galícia), o Maceiras (Calle de Jesus, 7) . Aqui você pode se delíciar com coisinhas do mar, mas se você for como eu, que não curte muito, não se preocupe, há opções! Minha mãe comeu um pulpo a la gallega que devia estar sensacional. Carol e eu comemos uma carninha INCRIVEL com pimientos de padrón. Carol diz que “unos picam, otros no” – no meu caso nenhum picou, e estavam incrivelmente saborosos, com um salzinho grosso por cima… nham. Comemos queijo, bebemos vinho, batemos papo, e… já estava na hora de levantar para ir para o próximo lugar.

Sim, porque isso é o mais legal na noite de Madrid – pelo menos eu achei. Você não fica muito tempo num lugar só. Chega num bar, bebe umas duas ou três cañas e parte para o próximo. E vai andando e aproveitando o melhor de cada lugar. É engraçado porque você acaba até encontrando as mesmas pessoas em lugares diferentes – o que pode ser bom ou ruim, né? ;). Ah, o preço do que é servido na barra é mais baixo que a mesma coisa servida na mesa – acho que por isso as pessoas curtem também ficar bebendo em pé.

Do Maceiras saímos andando, passamos pela Plaza de Santa Ana, que é linda e deve bombar no calor, e fomos em direçao a Puerta del Sol (isso quem disse foi a Carol, eu não fazia a menor idéia de onde estava, hah). Para a primeira noite estava mais que bom – a gente tinha madrugado para pegar o voo para Madrid, e Carol tinha acordado cedo para trabalhar, então combinamos que continuaríamos o passeio em outra noite.

 

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

E assim foi! Na segunda noite em que fomos passear, minha mãe queria porque queria assistir a um espetáculo de flamenco. Mas eu não, rarara. Então encontramos a Carol com a seguinte proposta: faríamos um “esquenta” pré-flamenco todas juntas. Daí deixaríamos minha mãe no espetáculo e iríamos beber e fofocar sozinhas. Depois resgataríamos mamãe para terminar a noite todas juntas e bêbadas! Tchans! Assim foi.

Primeiro fomos ao La Musa de Espronceda (Calle Santa Isabel, 17), um lugar muito lindinho e aconchegante. “Jantamos” tapas de solomillo con mermelada de frambuesa, o que eu recomendo FORTEMENTE, estavam deliciosas. Só de lembrar eu salivo. Bebemos uns vinhozinhos – que alegria sair para lugares onde o vinho é mais barato que o refrigerante – e seguimos para o Plaza Menor.

Meninas, eu não sei se demos sorte ou se ele está sempre por lá, mas tem um bartender do Plaza Menor (Calle de Gómez de Mora, 3) que foi simplesmente um dos caras mais lindos que eu vi na viagem toda. Hah. Preciso falar mais alguma coisa? Bom, como se não bastasse tanta beleza, o bar é bem lindo, bebemos mais vinho e comemos os petisquinhos que nos ofereceram. Ah, tem isso em Madrid também: em vários lugares você pede uma bebida e ganha uma porçãozinha de tapas, oferta da casa. Podem ser nuts, ou azeitonas (as melhores da minha vida comi em Madrid, fica a dica), ou uns queijinhos… 

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas minha mãe queria ver flamenco. Carol levou ela até o Las Carboneras (Plaza del Conde de Miranda, 1), enquanto eu fiquei tomando conta de nossos vinhos e do bonitão ;). Mamãe gostou muito do espetáculo, que é um showzinho intimista, nada muito grandioso e cafona. Ela recomenda. 

Enquanto uma se divertia com o flamenco, nós fomos beber mais! Carol me apresentou um dos favoritos dela, o Anti-Cafe (Calle Union, 2), que é realmente muito bacana, com poltroninhas e sofás e trilha sonora excelente (tocou CSS enquanto estávamos lá, o que não é exatamente excelente, mas pelo menos não era Beyoncé en español, que eu ouvi no aeroporto). Batemos papo, fofocamos, bebemos cervejinhas e um Ruso Blanco. Sim, isso mesmo que você está pensando. Um white russian. Que eles chamam de Ruso Blanco. Aceite a realidade espanhola, eles traduzem até os nomes dos príncipes da Inglaterra, por que não traduziriam o pobre white russian? :) 

Vocês conseguem imaginar como já estávamos? Tudo isso em uma noite só! Resgatamos minha mãe (que também continuou bebericando no flamenco) e fomos ao Lamiak (Calle Cava Baja, 42), provavelmente meu lugar preferido da noite. Bom, nós chegamos lá e a galera estava dançando! Veja bem, é um bar, não uma boate, e mesmo assim tinha gente pulando com os braços pra cima, e os bartenders dançando também, felizes da vida. Que lugar ótimo! Minha mãe queria sangria e eles não tinham, então prepararam para ela um tinto de verano INESQUECÍVEL, muito caprichado mesmo. Carol e eu seguimos no vinhozinho, fizemos amigos suecos e demos muita risada.

Pra curar a bebedeira, nada melhor do que voltar para casa à pé, na chuva e com um friozinho de 3 graus. Mas eu não mudaria nada desta noite!

 

No Tupperware dançando e rodando!

No Tupperware dançando e rodando!

 

 

Para minha última noite em Madrid, Carol e eu tínhamos planejado DESTRUIÇÃO. Era uma quinta-feira, noite em que Madrid começa a ferver de verdade, e eu queria conhecer as pistas de dança e a NAITE propriamente dita. Deixei mamãe dormindo no hotel e segui de metrô para encontrar Carol.

Embora Madrid seja maior que Lisboa, e por isso não inspire taaaanta segurança, andar sozinha por lá foi muitíssimo tranquilo também. Para quem vive em São Paulo, ou no Rio, qualquer lugar é tranquilo, né? Pois bem, peguei o metrô sozinha da silva e fui encontrar Carol. Já na saída do metrô Tribunal fui cercada por orientais querendo vender cerveja – aparentemente “quente”. Declinei e fiquei observando a fauna local enquanto esperava. É engraçado, com a globalização todo mundo se veste e se comporta meio igual, e aquilo bem podia ser a saída do metrô Consolação na sexta a noite.

Carol chegou e seguimos para um restaurante/bar mexicano chamado La Catrina (Calle Corredera Alta de San Pablo, 13), muito bacana. Dá para passar horas olhando a decoração bizarra do lugar, cheia de bonequinhos, um mais inusitado que o outro. Comemos nachos e bebemos Negra Modelo, cervejinha booooa, finalmente! Batemos papo com o barmen brasileiro, ouvimos umas musiquinhas boas e já estávamos prontas para a primeira parada.

O La Via Lactea (Calle Velarde, 18) é um lugar antiguinho, da época da Movida Madrileña, era um dos lugares preferidos do Almodovar na década de 80. É engraçadíssimo, porque a decoração é toda futurística a la Hans Donner e Hajime Sorayama, sabe? Futurismo do passado. Quando chegamos estava vazio, e aos poucos foi enchendo e enchendo e enchendo. A Carol disse que lá geralmente o som é mais classic rock, mas na noite que a gente foi estava diferente, com uns blacks e souls. Eu curti. Nas TVzinhas, filmes de terror toscos. Ficamos lá bebendo San Miguel, fizemos um amiguinho catalão, nos divertimos bastante. Mas em Madrid, faça como os madrileños. Rumo à próxima parada.

 

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Fomos a um dos favoritos da Carol, o Tupperware (Corredera Alta de San Pablo, 26), que também foi meu preferido da noite e o que mais se assemelhou com os inferninhos que eu costumo frequentar em São Paulo. Pistinha quente e animada, dançamos Killers e Arcade Fire e outras coisinhas, fizemos amiguinhos, revimos algumas pessoas que estavam no La Via Lactea… estava muito bom e por nós ficaríamos lá até amanhecer, mas os bares na Europa tem o péssimo hábito de fechar na hora que tem que fechar, e no caso do Tupperware era umas 3h30. Aaaaaaaah. Mas eu recomendo o lugar, talvez dê pra aproveitar mais chegando um pouquinho mais cedo, mas daí vai do que você quer: pular de bar em bar ou curtir bastante um lugar só? Faça sua escolha e não se arrependa dela, você se diverte dos dois jeitos ;).

Como a gente queria ver o sol nascer (rarara), fomos com nossos recém amiguinhos para uma BOATE, assim, com letra maiúscula. Uma das que eu não via há anos, com várias pistas e ambientes. O nome dela é BarCo (Calle del Barco, 34). Dançamos bastante, fomos paqueradas por ciganos (hahahahaha), bebemos mais um tanto e… gente, já eram umas 5h30. A Carol tinha que trabalhar e eu tinha que pegar meu trem para Barcelona logo cedinho!

Resolvemos dar tchauzinho para a noite madrileña em um lugar bem tradicional: a Chocolateria San Ginés (Pasadizo de San Ginés, 5), para onde vão várias pessoas depois das noitadas. A gente estava tão cansada que mal conseguia falar. Tomamos um chocolate com churros e cada uma foi para seu lado.

Saldo da noite? Carol derrubada no dia seguinte. E eu PERDI meu trem para Barcelona, hahahaha. Mas essa história eu conto depois.

A real é que a noite de Madrid é DEMAIS. Sério, eu fiquei apaixonada. Claro que sem as dicas precisas da Carol não seria tão bom, e já que ela ainda não oferece seus serviços para qualquer um eu compilei alguns lugares muito legais aqui. Faça bom proveito!

Madrid de dia

27 de maio de 2009

Madrid foi madrasta comigo. Mas mesmo assim eu fui embora de lá apaixonada! Então fico imaginando: se com frio e chuva Madrid é tão legal, com tempo bom deve ser melhor ainda. É por isso que ano que vem eu pretendo repetir a dose e passar por Madrid de novo. Mas enquanto o ano que vem não chega, vou falar um pouco do que fiz por lá durante o dia.

Eu fiquei hospedada num lugar excelente: do ladinho do Paseo del Prado, que por si só é lindo, e consequentemente perto do Parque del Retiro, do Museo del Prado, do Reina Sofia, da Estação de Atocha, e também do Caixa Forum e do Thyssen Bornemisza (nesses dois últimos eu não fui). Então mesmo com chuva, bastava uma caminhadinha de nada e já estávamos em algum lugar bacana.

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

No primeiro dia fomos ao Reina Sofia. É um dos principais museus de arte moderna da Europa, tem Mirós e Dalis e Lipchitzs etc etc etc E TEM A GUERNICA. Veja bem, eu não sou uma grande conhecedora de arte, obviamente eu gostei do passeio pelo museu todo, o pátio central é muy agradavel, tem esculturas sensacionais, um Calder e tal, mas como pequena conhecedora de arte eu fiquei UAU com a Guernica mesmo. Que é imensa e impactante. E o jeito que ela é exibida, com outras obras contextualizando, com videos e explicações, é muito legal. Dá pra imaginar o impacto que a obra teve na época. E que não se perdeu. Ah, não é permitido fotografar dentro do Reina Sofia, então só tenho fotos de fora. Até porque, que graça tem ficar fotografando obras de arte?

 

O Calder do pátio :~

O Calder do pátio :~

 

No segundo dia nós acordamos e fomos direto para o Museo del Prado. Veja bem, até chegarmos em Madrid, não tínhamos ido a nenhum museu. Estava friozinho e chovendo. Acordar e ir para o Prado foi uma excelente pedida, e eu recomendo fazer isso porque é um museu grande, vale a pena ir descansado.

Bom, se eu tivesse que escolher só um museu pra visitar em Madrid, escolheria o Prado. Nada contra o Reina Sofia (viu Carol?), mas foi no Prado que eu encontrei as obras que eu já conhecia de tanto ver reproduzidas por aí. As obras “famosas”, sabe? E daí foi uma delícia passar a manhã vendo as cores de Rafael, o Jardim das Delícias do Bosch, uns trípticos do El Bosco que pareciam história em quadrinhos, esculturas gregas e romanas e, claro, muito Goya e muito Velázquez. Eu acho que é um bom museu para quem não “entende” de arte mas gosta de arte (meu caso). Ah, dica importante: há máquinas de venda automática de ingresso para o Museu. É o melhor esquema para fugir da fila, caso você não tenha o “passaporte da alegria” dos museus. Dá pra pagar com cartão de crédito. Procure, é do lado esquerdo do museu, no caminho para as bilheterias mesmo.

 

Eu e meu chapa Velazquez

Eu e meu chapa Velazquez

Saímos do Museu morrendo de fome e cometemos um ERRO. Eu já aviso aqui pra você não passar pelo que passamos. A gente resolveu ir comer um sanduíche de jamón no Museo del Jamón. Tem na cidade toda, é mega baratinho e você pode ficar tentado a comer lá, mas EVITE. Na boa, foi a pior coisa que comemos na viagem inteira. Uma baguete com uma fatia de jamón dentro. UMA FATIA. É seco, um horror. Talvez valha a pena passar no Museo del Jamón para comprar jamón pra levar pra casa, ou pra comer outra coisa, mas fuja do bocadillo de jamón. Não vale a economia.

Bão. Saímos de lá frustradas e resolvemos dar uma olhada na estação de Atocha, porque o plano era ir no dia seguinte para Toledo, e o trem sai de lá. Além disso, nosso trem para Barcelona também sairia de lá, então era bom dar uma olhada na estação, fazer um reconhecimento de terreno.

 

Atocha vista do lado de fora

Atocha vista do lado de fora

 

 

E olha, vale a visita. É bem triste lembrar do atentado de 2004, que foi lá, mas não parece haver grandes traumas na população (mas posso estar falando bobagem). A estação é linda e tem aquele curiosíssimo jardim tropical no meio, com trataruguinhas e tudo. 

Atocha vista por dentro

Atocha vista por dentro

Que mais? Também fomos à Plaza Mayor, claro. É um quadrado com nada no meio, mas é incrível como um quadrado com nada no meio pode ser bacana! Desde o século 17 é a principal praça da cidade, era onde ficavam a guilda dos padeiros e a casa de la carniceria, antigo mercado de carnes (ficam uma em frente à outra). Diz que a Plaza Mayor já foi um grande mercado, um teatro ao ar livre e praça de touros, entre outras coisas. Hoje tem uma estátua do Felipe III no centro, e várias lojas, restaurantes e café em volta, nas arcadas. A gente ficou por lá descansando, admirando as construções, olhando as lojinhas e até almoçou num dos restaurantes um dia, mas era inevitável pensar o quanto deve ser mais legal a Plaza Mayor no verão ou em dias de sol. 

 

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Agora, um passeio delícia para fazer em Madri é ir ao Parque del Buen Retiro, ou simplesmente “Retiro”. É o Parque Ibirapuera deles, bem integrado à cidade, mas ao mesmo tempo um super oásis. Você pode ir lá fazer um piquenique, ou se esticar na grama, ou remar no estanque, procurar pelas estátuas e monumentos ou simplesmente fazer nada – vai ser gostoso de qualquer jeito. Se você for na alta primavera, procure pela Rosaleda, é um jardim de rosas que deve ser sensacional quando florido. A gente viu tudo em botão, uma pena…

 

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

Quando estávamos perto do Palácio de Cristal – que é um espaço de exposições dentro do Parque, vimos uma movimentação estranha. Um noivo e uma noiva e toda a entourage estavam tirando fotos na beira do lago em frente ao Palácio. Todos japoneses! Não resisti e cliquei também, estava muito engraçado.

 

"Sorriam e façam V com os dedos!"

"Sorriam e façam V com os dedos!"

Ah, OBRIGATORIO é ir ao Palacio Real. Foi meu palácio favorito na viagem inteira, deixou Versailles no chinelo (depois falo mais sobre isso). É muito legal porque é um Palacio que ainda é usado para cerimônias oficiais, então é bem vivo, não tem tanta cara de museu como os que vimos em Portugal. Alguns dias depois que eu passei por lá o Sarkozy fez uma visita oficial à Espanha e jantou na sala que eu tinha visitado… isso é super bacana! Mas por outro lado restringe um pouco o número de salas abertas à visitação, e se você der o azar de estar lá em um dia de cerimônia,  bye bye visita. Vale a pena se informar antes. 

 

Palacio Real de Madrid -  lindo por fora e por dentro

Palacio Real de Madrid - lindo por fora e por dentro

Bom, você entra no Palácio e cai em um pátio imenso. Tava MUITO frio e chovendo no dia em que fomos lá, e o vento nesse pátio é CRUEL, mas valeu enfrentar isso para ter a vista  dos antigos campos de caça da realeza. Daí começamos a visita pela farmácia real. Uma pena que não permitam fotografar, mas acreditem em mim, é uma belezinha essa farmácia, cheia de vidrinhos e potinhos, todos com os nomes dos produtos, os instrumentos dos farmacêuticos… muito bacana. Mas não prepara ninguém para o palácio de verdade. 

Bom, só a escadaria já é de cair o queixo. Reza a lenda que Napoleão disse “José, você estará melhor que eu” quando deixou o irmão no trono da Espanha. E eu não duvido. É muita riqueza – os afrescos do teto são inexplicáveis. Assim, TEM QUE VER. Daí é uma sala mais linda que a outra, mas as que me deixaram mais passada foram a sala do trono, toda vermelha e imponente, e o salão de gala, que tem uma mesa interminável – foi nessa que foi servido o banquete pro Sarkozy. Eu contei umas 60 cadeiras à mesa, mas dizem que nesse jantar do Sarkozy eles adaptaram para mais de 100 pessoas. UAU.

E daí tem uma outra parte fantástica no Palácio que é a Armaria Real. Quando eu entrei na sala me deu uma sensação esquisitíssima, porque por mais que eu soubesse que as lutas com armaduras que eu sempre vi em filmes existiram na vida real, é diferente quando você vê as armaduras pessoalmente. E na Armaria Real estão expostas MUITAS armaduras – de gente, de cavalo, de cachorro (!), de adulto, de criança – e espadas, revolveres… é demais!

Bom. E andar, andar e andar, né? Nós fomos à Chueca, o “bairro gay” de Madrid, e voltamos passeando. Passamos por Sol, pela Gran Via, vimos a Puerta de Alcalá, passamos pela Calle Fuencarral… Madrid é pequena e plana, o melhor que você pode fazer é descobrir tudo andando, se perdendo e se embrenhando.  Deve ser uma excelente cidade para passar um tempão descobrindo coisinhas. Me arrependi um pouco de ter reservado só 4 dias…

 

Puerta de Alcala

Puerta de Alcala

Madrid – pra começar

19 de maio de 2009

 

Oi Madri :)

Oi Madri :)

Eu disse lá no comecinho, mas acho válido lembrar aqui que a Espanha só entrou no meu roteiro de viagem porque estava no meio do caminho entre Portugal e França. Assim… não é que eu não quisesse conhecer a Espanha, mas na minha listinha de prioridades, ela não era nem top 5. Mas havia tempo, e era pertinho… por que não?

Então eu fui para Madrid com expectativas baixíssimas. Claro que também pesquisei sobre a cidade, e me animei com algumas possibilidades, comprei um guiazinho, etc e tal, mas estaria mentindo se dissesse que estava tão ansiosa pela Espanha como estava por Portugal e Paris.

Daí a gente chegou. Vale avisar que o aeroporto de Barajas, que é o grandão de Madrid, é uma coisa bizarramente gigante. Imaginem vocês que há um terminal, o T4, que é exclusivo da Iberia. E mesmo DENTRO deste terminal, mesmo pegando o trenzinho, se você for fazer uma conexão pode levar quase meia hora só se deslocando de um portão ao outro. Eu devia parecer uma caipira, foi o maior aeroporto que eu vi na minha vida. E isso porque eu só vi um terminal. Mas enfim. Só pra avisar que Barajas é uma enormidade.

 

Até a esteira de bagagem é superlativa.

Até a esteira de bagagem é superlativa.

Mas como em qualquer cidade minimamente civilizada, você consegue sair do aeroporto usando transporte público numa boa. Siga as plaquinhas do metrô – que em Madrid é realmente muito bom – e pronto, você chega a qualquer lugar. A maior parte das estações tem elevador ou escada rolante, mas algumas não tem, então lembre-se das dicas sobre malas.  Para sair do aeroporto (ou para chegar nele) de metro você vai gastar 2 euros, se não me engano.

Importante: prepare-se para exercitar seu espanhol ou enrolar no portunhol, pois como me disseram e eu pude constatar, os espanhóis não falam inglês, lamento. Mas obviamente você, brasileirinho cheio de ginga, vai super conseguir se virar por lá.

 

Vai uma porra recheada de chocolate aí?

Vai uma porra recheada de chocolate aí?

Em diversos aspectos Madrid me lembrou  São Paulo. Primeiro porque se alguém te pergunta “o que você vai visitar em Madrid?”, dificilmente você terá uma resposta na ponta da língua. Em Paris, visita-se a Torre Eiffel ou o Arco do Triunfo. Em Londres, você vê o Big Ben, o Parlamento. No Rio, o Cristo Redentor ou o Pão de Açucar. E em São Paulo? E em Madrid? O que faz o coração dessas cidades bater não são pontos turísticos, mas sim museus, bares, restaurantes, parques, coisas que talvez você não lembre de bate-pronto, mas que claro que podem ser muitíssimo marcantes.

Depois porque é uma cidade cosmopolita, agitada, de negócios e famosa por sua vida noturna. E pra completar, Madrid nos recebeu com céu cinza, chuva e friozinho. São Paulo, gente! 

 

Olha que nuvens familiares para uma paulistana

Olha que nuvens familiares para uma paulistana

Bom, nós ficamos 4 noites em Madrid, naquele hotel que eu já contei para vocês. Demos um azar danado, o tempo esteve péssimo na maior parte dos dias, e chegamos a pegar 4 graus na madrugada. Considerando que era primavera, foi bem atípico. Mas a chuva não nos impediu de curtir para caramba a cidade. Só demos uma escapadinha, para Toledo, o que no fim das contas não foi muito legal, mas isso eu conto mais pre frente.

Madrid é mais cara que Lisboa, mas não muito. Pode ir sossegado porque dá para almoçar, jantar, beber e ser feliz. Vale lembrar que os horários dos espanhóis são meio malucos: a manhã vai até umas 14h, a tarde até umas 20h e a noite só Deus sabe. Então, se quiser almoçar como os espanhóis, é depois das 14h. Em compensação você pode acordar tarde e tomar café da manhã sem culpa. E se bater uma vontadinha de tomar cerveja no café da manhã, pode se jogar: eles não vão olhar torto.

Ah, outra coisa importante. Tirando os lugares turisticos, tudo fecha entre 14h e 17h. É a siesta, meu bem: serious business. Não estranhe as portas fechadas, tente se adaptar aos horários deles e em pouco tempo você vai sacar que eles sim sabem viver!

O transporte: eu andei muito à pé. Muito mesmo. Acho que só peguei metro umas 3 vezes. Mas daí você que sabe se tem pique ou não. De qualquer forma, o transporte público lá parece funcionar muito bem. Além do metrô, que eu já disse, diz que os ônibus são pontualíssimos e excelentes. 

A cerveja: bom, nessa altura do campeonato eu já estava abandonando a loira gelada e aderindo à turma do vinho, mas em Madri você vai encontrar pelo menos duas cervejas razoáveis: meio fraquinhas, mas que não comprometem: a Mahou (lê-se MAOU) e a San Miguel. Se você for pedir um copo de cerveja em algum lugar, peça uma CAÑA. Se for pedir uma long neck na boate, peça um TERCIO (acho que é isso). Vinho, é una copa de viño, e não una taza, pelamordedeus.

A comida: bom, eu mais tapeei do que comi comida em Madrid. Para quem não sabe, tapear é comer tapas, que são porçõezinhas de comida que você come numa bocada só. Mas se você quiser almoçar, há menus do dia por 8 ou 10 euros, com prato, sobremesa e bebida. Mais pra frente eu vou falar dos lugares aonde fui e das coisas que comi, porque comer e beber bem é bom demais em Madrid.

 

E a noite, ahhhh a noite de Madri

E a noite, ahhhh a noite de Madri