Archive for the ‘Lisboa’ Category

Ah, Lisboa

11 de março de 2010

Morro de saudade de Lisboa. Pelo menos uma vez por semana algo me faz lembrar dos dias que passei por lá. Um cheiro, uma ponta de nariz gelada, um ventinho, um sotaque, uma foto.

Hoje foi um vídeo lindo, lindo que a Carol colocou no blog dela e que eu tomo a liberdade de colocar aqui também.

Coisa linda.

Para lembrar dos meus passeios lusos, clica aqui.

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A noite Lisboeta

12 de maio de 2009

 

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Eu estava quase fechando o capítulo “Portugal” deste blog quando me toquei que não tinha falado nada sobre minhas aventuras noturnas por Lisboa! Um absurdo, porque saí três vezes por lá, e se não foi a melhor cidade em termos de vida noturna das minhas férias, pelo menos me rendeu bastante diversão.

Pois bem, já digo que eu não fui na Lux. Naaaah não fui mesmo. Música eletrônica não é das preferidas da casa, e eu não gosto desses lugares esnobes em que hostess e seguranças dizem quem deve entrar e quem não deve. E além disso eu fui pra lá num esquema econômico, se fosse torrar meus eurinhos seria em vinhos e cervejas, e não em entrada de boate. Mas todo mundo diz que a Lux é um dos melhores clubes da Europa, então se você curte esse esquema de boate badalada, se joga. :)

Também não fui nos bares/boates das Docas, nem nas casas noturnas do Parque das Nações. “Mas que diabos, onde você foi afinal?”. Bom, vamos lá.

Na primeira noite, logo que chegamos a Lisboa, resolvemos bater perna pelo Bairro Alto (que os lisboetas chamam carinhosamente de “Bairro”).  É tipo uma Vila Madalena, em São Paulo, ou uma Lapa, no Rio – uma sucessão de bares, ruas tomadas de gente de todas as idades e estilos bebendo suas cervejinhas… bem divertido. A gente andou, andou e andou, e chegou na Tasca do Chico, que fica na Rua Diario de Notícias, 39. 

 

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Se fosse no Brasil, seria o Boteco do Chico, ou o Bar do Chico. Igualzinho aos nossos pés-sujos. A diferença é que lá, às segundas e quartas, rola o chamado FADO VADIO. Que é praticamente um karaokê de alto nível. As pessoas que gostam e sabem cantar fado ficam circulando pelos bares do Bairro e param nos que tem música ao vivo. Daí a banda toca e o cantor solta a voz. Uma, duas, três ou quatro músicas, quando muito. Ganha seus aplausos, e parte para outro bar. Os cantores são amadores, mas todo mundo fica quietinho e respeita a apresentação, que geralmente é ótima. Entre um cantor e outro, as luzes do bar são acesas e você come e bebe e bate papo e dá risada numa boa. Eu adorei a experiência, sou super contra esses shows de música típica, tipo show de tango ou de flamenco, então essa chance de ouvir um fado TRU foi legal demais. A Tasca do Chico não cobra entrada, nem consumação, e não exige reservas. Se você quiser jantar, ou beber sentadinho, chegue cedo. Senão, se aperte no balcão. E procure a Flavia, garçonete brasileira gente boa :D

Daí minha segunda noitada foi a festa do Couchsurfing na casa da Aoife, que eu já comentei no post sobre Belém. Como não tem como recomendar essa festa, porque ela não deve virar pública tão cedo, vou aproveitar para comentar a experiência de sair à noite sozinha por Lisboa. Confesso que fiquei com um mini-medinho.  A festa começava cedo, às 20h, e eu resolvi que ia ir e voltar de metro e seja lá o que fosse. A estação do metro ficava a cerca de 800m do apartamento onde estávamos. Para ir foi tranquilo, claro, era cedo. Fui lá, fiquei de olho no relógio, e quando deu meia noite e pouco corri pro metro. Cheguei na “minha” estação e aquele deserto… respirei fundo e comecei a andar para casa. Medo, né? Em São Paulo eu até ando sozinha de madrugada, mas sempre muito tensa. Fui andando, cruzei com uns caras e tal… e tudo tranquilo. Passsei por um bando de homens que estavam bebendo num bar, e não ouvi nenhuma gracinha (será que eu tou baranga ou eles não falam baixaria? :P). Cheguei em casa sã e salva. E impressionada com a falta de riscos de andar sozinha de madrugada por Lisboa. Muito bom! :D

Bom, que mais? Voltei no Bairro outra noite, com uma amiga-de-amiga que foi querida o bastante pra me levar pra beber numa sexta a noite. Ela, estudante, já me recebeu dizendo: “vou te levar no bar com a cerveja mais barata do Bairro Alto, bora pro Pinguim!” Bora, claro. 

No caminho ela me explicou que “Pinguim” não era o nome do bar, mas sim o jeito que ela ficava quando ia a esse bar. Porque o lance é pegar a garrafa de um litro de Superbock no bar (custa 2 euros!) e beber na rua. Só que a rua é estreita e lotada, então para garantir que a garrafa não vai ser chutada por ninguém, o lance é enfiar ela entre as pernas. E quando passa carro, ou pior, caminhão de lixo, só resta ir andando com a garrafa entre as pernas, com passos curtos que nem pinguim, pra se espremer contra os muros e paredes. 

Este momento do aperto também é ideal para se encostar naquele gatsinho espanhol (ou alemão ou belga ou angolano ou até brasileiro) que está por lá. É que esse bar é famoso por ser frequentado pelos estudantes de Lisboa, em especial pelos do Erasmus, aquele programa de intercambio europeu famosão – se você assistiu “Albergue Espanhol” sabe do que estou falando. Bom, é gente jovem, bonita e animada, cerveja barata, diversão. Só que quando dá 2h da manhã… FUEN. As luzes do Bairro Alto são apagadas, os bares fecham e a farra acaba. Triste, né? Bom, se você quiser ir nesse bar, fica na Rua Diario de Noticias também, mas lá em cima. Eu não tenho certeza se é o Mezcal, mas você vai ver, é o bar com a cerveja mais barata ;)

Daí me restou seguir os amigos recém-feitos naquela noite. Fomos para um clubinho chamado Incognito, que tinham me recomendado para ouvir as indiezices que eu gosto. Chegamos lá, a hostess deixou entrarmos sem pagar entrada (uhul), e… eu estava esperando um inferninho escuro, e entrei numa BOATE, com luzes piscantes. Mas beleza. Pendurei meu casaco num ganchinho (desapego, Brasil! Quando eu voltei o casaco tava lá direitinho) e fui dançar. O DJ não era dos melhores, a cerveja era cara, mas deu pra fechar a noite que já estava divertida. Daí deu 5h, e FUEN, acenderam as luzes. Adeus, adeusinho, a noitada acabou. Lá não tem dessas de “até o último cliente”. Uma pena, porque eu bem ficaria dançando aquelas músicas até de manhã.

E agora sim, TCHAU, Lisboa… o próximo post já vai ser madrileño ;)

Parque das Nações (ou Expo 98)

12 de maio de 2009
Opa, tou bêbada e a foto saiu torta. Ponte e Torre Vasco da Gama ali, tá vendo?

Opa, tou bêbada e a foto saiu torta. Ponte e Torre Vasco da Gama ali, tá vendo?

Em 1998 Lisboa foi sede da Exposição Mundial, uma coisa que eu nunca entendi muito bem o que é e pra que serve (se alguém souber, explica nos comentários, sim?), mas que me parece uma grande festa das nações. Essas “Expos” acontecem desde o século 19 – inclusive a Torre Eiffel foi construida para a Expo 1889.

Pois bem, Lisboa foi sede dessa parada aí, que parece que foi um grande sucesso de público. Para receber a Expo os portugueses construiram um complexo imenso na zona leste da cidade, às margens do Tejo. É uma região que contrasta muito com o resto da cidade, porque é toda moderna, com prédios a la Dubai.

Eu acabei indo ao Parque das Nações duas vezes. Uma à noite, para a festa do Couchsurfing, e outra de dia, para conhecer o Parque mesmo. Agora… vale a pena ir aoParque das Nações? Vejamos.

Essa é a entrada do shopping. Muderno, hum?

Essa é a entrada da estação do Metro. Muderna, hum?

O que há de interessante lá? Muito, muito espaço para andar de bicicleta, ou de patins, ou patinete, ou correr, etc etc etc.  Um museu chamado “Ciência Viva”, voltado para crianças, que dizem que é bem legal mas como eu não tinha nenhuma criança para levar, não fui. Um shopping grandão que pode ser uma boa se você quiser fazer compras, porque tem de tudo lá dentro. A Torre Vasco da Gama e o bondinho, que só são legais se você tiver tara por altura – eu até tenho, mas acabei não indo em nenhum dos dois porque tinha ido na tal festa do 26o. andar uns dias antes. E tem o mais legal, que é o Oceanário.

Dá pra passar horas olhando os peixinhos. Sério!

Dá pra passar horas olhando os peixinhos. Sério!

Assim, né? O mais legal de tudo se você é fascinado pelo fundo do mar. Eu sou. Daí adorei muito o aquarião central, gigantesco e cheio de peixes e arraias e bichos esquisitos. A reprodução de vários habitats dos bichos também é legal demais, você vê pinguins (owwwwwwnnnnn) e peixes que brilham no escuro, e corais, e algas, e caranguejos e anêmonas, etc etc etc.

Nhoim!

Nhoim!

É um barato ver as crianças boquiabertas e querendo ver o Nemo e a Dori (aliás, deviam colocar mais Nemos lá, são pouquinhos. Em compensação tem várias Doris). Não vou mentir, é um programa um pouco infantil também. Mas se você curte o mar, vale a pena sim.

Enfim. No geral, se você não for para o Parque das Nações não vai perder muita coisa. Eu moro em São Paulo, prédios imensos com fachadas de vidro eu vejo aqui. Preferia ver mais ruinas e castelos e muralhas, mas o passeio valeu sim pelo Oceanário. Daí a escolha é sua :)

Belém – o melhor de Lisboa?

11 de maio de 2009
Padrão do Descobrimento, ponte 25 de Abril e o Tejo lindo

Padrão dos Descobrimentos, ponte 25 de Abril e o Tejo lindo

Daí que na noite anterior eu fui a uma festa do pessoal do Couchsurfing. Era *a* noite de lua cheia daquele mês, e a Aoife, uma irlandesa que mora em Lisboa, resolveu abrir as portas de sua casa para vermos a lua e celebrarmos nada em especial além da oportunidade de estarmos juntos, falando português, espanho, portunhol, spanglish, inglês e tantas outras línguas. A festa foi ótima, no 26o. andar de um prédio no Parque Vasco da Gama das Nações, com a lua deslumbrante refletindo no Tejo, e eu não podia acreditar que havia um lugar melhor do que o “aqui e agora”. Mas daí Ricardo, um lisboeta muito do bacana, me perguntou: “já foi à Belém?” E depois do meu “ainda não”, ele disse em um tom de voz mais baixo, como se estivesse contando um segredo: “é o melhor de Lisboa”.

Confesso que eu não botei muita fé, porque tinha visto a Torre de Belém do trem quando fui para Cascais e não tinha achado grandes coisas. Mas é claro que eu iria lá conferir. E assim fiz, em plena Sexta-Feira Santa: fui até o Cais do Sodré e lá peguei o tram para Belém. Eu, minha mãe e mais muita, muita gente. Era feriado, e tinha gente da Europa toda passeando por Lisboa.

Descemos em frente ao Mosteiro dos Jeronimos e a fila estava imensa. Deu até um desânimo. Daí enquanto esperávamos na fila, começou a chover. IMAGINE quão felizes estávamos.

Sol e chuva, casamento de viúva

Sol e chuva, casamento de viúva

Mas enfim, a fila andou, como sempre anda, e nós conseguimos entrar no Mosteiro. E ainda bem que nem passou pela nossa cabeça desistir, porque cada minuto sob a chuva passando frio vale a pena quando você dá de cara com o claustro. Eu achava, na minha ignorância, que claustro era uma coisa escura, fechada, úmida e CLAUSTROfóbica. Qual não foi minha surpresa ao conhecer o claustro do Mosteiro dos Jeronimos?

Eu JURO que minutos antes estava chovendo

Eu JURO que minutos antes estava chovendo

UAU. Uau. É lindo de chorar. Esse estilo arquitetônico, que lembra os castelos de areia toscos que eu fazia em Peruibe quando era criança (hahaha) é chamado manuelino e aqui vocês podem saber mais sobre ele. As coisas são muito cheias de detalhinhos e formas e dá para passar minutos olhando uma fachada ou uma coluna e ir identificando os elementos. Rostos, sereias, frutas, cordas, anjinhos, é uma profusão de coisinhas, muito lindo.

Bom, entre as coisas que você pode ver no Mosteiro, além do próprio prédio que é de chorar, está o túmulo de Fernando Pessoa, transferido pra lá em 1985. É bem bonito e emocionante, porque é um bloco de pedra retangular, e em três lados há trechos de poemas dele – na real um do Ricardo Reis, um de Alberto Caeiro e um de Alvaro de Campos. Muito bonito.

A foto ficou uó, pessoalmente é bem mais bonito

A foto ficou uó, pessoalmente é bem mais bonito

NÃO BASTA abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
20.4.1919 – Alberto Caeiro.
PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
14.2.1933 – Ricardo dos Reis.
NÃO. NÃO quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
1923 – Álvaro de Campos

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
20.4.1919 – Alberto Caeiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
14.2.1933 – Ricardo dos Reis

Não. Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
1923 – Álvaro de Campos


Além do Fernando Pessoa, os túmulos de Vasco da Gama e Luis de Camões também ficam no Mosteiro dos Jeronimos. É para lá que vão os grandes homens de Portugal, ser enterrado no Mosteiro dos Jeronimos é honra das honras, você vai ver pelo menos uma meia dúzia de túmulos, para quem curte história é bem interessante. Daí, como parte desse “complexo” tem também um museu arqueologico e um museu da Marinha, mas esses eu não vi.

E daí tem a igreja, né? A igreja deve ser visitada em qualquer dia, em qualquer época, porque ela é imensa e linda e lá que estão os túmulos do Vasco da Gama e do Luis de Camões. Mas lembra que eu disse que era Sexta-Feira Santa? Bom. A gente passou pela igreja, garantiu para o “porteiro” que não éramos turistas, mas sim católicas fervorosas que queriam rezar, e tivemos o privilégio de assistir a um pedaço da Celebração da Paixão de Cristo. Com cantos. Numa igreja fantástica. Nessas horas dá até vontade de ter religião, mas a vontade passa logo ;)

Bom, saímos da igreja e fomos almoçar. O frio pedia um caldo verde, fomos em um restaurante simples e gostosinho nos arredores do Mosteiro. De sobremesa, claro que fomos comer pastéis de Belém. Sério, gente. Acredite no hype e enfrente a fila (anda rapidinho, juro, eles são agilizadíssimos): pastéis de Belém são reconfortantes, são gostosos, são tipo um abraço quentinho em forma de doce. Crocantes por fora, cremosos por dentro… compre e coma quantos você puder, porque depois você vai sentir saudade – eu senti e sinto até hoje.

Alimentadas e descansadas, continuamos nossa caminhada. Tem um jardim lindo demais entre o Mosteiro e a Torre de Belém, então nem pense em pegar o tram para chegar na Torre: ande pelos jardins, vale a pena e você ainda vai poder tirar fotos lindas. Aqui, como em Cascais, é um lugar muito legal para alugar uma bicicleta e passear.

bicis
Você anda, anda, passa pelo Centro Cultural de Belém (ou CCB. Parece ser ótimo, mas eu não fui) atravessa a rua por uma passagem subterrânea (fique esperto e de olho nas placas!) e chega no Padrão dos Descobrimentos, um monumento realtivamente moderno (é de 1960) que homenageia os grandes heróis dos descobrimentos. É mais bonito “pessoalmente” do que nas fotos, e dentro dele tem um museuzinho mas eu não tive vontade de entrar. No chão tem uma rosa dos ventos e um mapa com as antigas colônias de Portugal, tá lá nosso Brasil. Bom, é o monumento que aparece na foto lá do começo do post.

Daí é só seguir andando mais um pouco em direção à Torre de Belém. A gente foi pela beirinha do Tejo, pode ser que você encontre gente pescando, e no fim da tarde vale sentar na margem pra ver os pássaros comendo peixinhos e os barcos – de veleirinhos à transatlânticos – passando. Tem sempre bastante gente por lá, o clima é uma delícia.

Namorinho na beira do Tejo. Invejei um pouco

Namorinho na beira do Tejo. Invejei um pouco

Bom, daí você finalmente chega na Torre de Belém! Ela é linda, linda. Foi construída numa ilha do rio, mas agora fica na margem mesmo, com as águas do rio cercando só por um lado. Servia para defender Lisboa de ataques pelo mar (porque o Tejo deságua no mar logo ali), e também é em estilo manuelino, como o Mosteiro. Bom, a visita toda é demais, desde o pátio com os canhões até todas as salas, a primeira imagem de um rinoceronte na Europa (éééé!), a vista do alto da torre… vale muito a pena. Mas vá com paciência, as escadas pra subir e descer das salas são muito estreitas, rolam congestionamentos e dá um pouco de aflicão se espremer naqueles degrauzinhos. Só que é imperdível.

Ela é mais linda pessoalmente

Ela é mais linda pessoalmente

Daí uma dica que eu nem precisava dar, porque você faria isso de qualquer forma. Mas eu vou falar mesmo assim. Quando você chegar lá no topo da torre, vai ver todo o bairro de Belém, lindo, e bem aos pés da torre, um gramadão. O que você vai fazer quando descer da torre? Brincar de europeu e deitar e rolar no gramadão, claro.

Isso que é vida :P

Isso que é vida :P

Daí sim, deitada, olhando pro céu azul, vendo barquinhos passar, eu cheguei à conclusão que o Ricardo estava certíssimo. Belém deve ser mesmo o melhor de Lisboa. Tanto concordei com ele, que foi para lá que eu voltei no último dia de estadia em Portugal. Para me despedir da cidade no seu melhor lugar. E na beirinha do Tejo :)

Ah, Belém... um dia eu volto :)

Ah, Belém... um dia eu volto :)

… ao Castelo de São Jorge

6 de maio de 2009

Você está no ponto mais alto de Lisboa, e subindo nas torres das muralhas do Castelo você terá a vista 360 graus mais sensacional da cidade. Excelente para tirar fotos, muitas fotos, e se você não tiver a oportunidade de ir à Sintra (shame on you), esse também é um castelo mouro – menos legal que o de Sintra, mas ainda assim legal.

O “problema” é que o Castelo de São Jorge é o lugar mais visitado de Lisboa. Então talvez ele seja um pouco cheio demais para pro seu gosto, mas respire fundo e curta  bastante.  Diz que lá que Lisboa foi fundada, e você vai achar várias informações sobre a história da cidade – prato cheio pra quem curte.  É um lugar bom para passar a tarde, tomar um café, esticar as pernas e ficar curtindo o privilégio de estar em uma capital da Europa que – sabe-se lá o porquê – é meio desprezada pelos brasileiros.  

Atoron castelon
Atoron castelon

Ah! Incluido no preço do Castelo está a Torre de Ulisses. Vá se você achar que vale a pena, eu adorei: nessa torre há um periscópio ligado a uma câmara escura. Então de meia em meia hora (acho) há uma sessão de observação da cidade de Lisboa pelo periscópio. É muito legal ver a lente abrindo, e as imagens aparecendo na tela bem debaixo do seu nariz. E por mais que a gente saiba que aquilo é em tempo real, não dá pra não soltar um “uau” quando mostram os carros passando na ponte, e as pessoas andando na rua. Hah, é um grande big brother! Há visitas em português, inglês e espanhol, e é muito legal “passear” por Lisboa pelo periscópio (eu achei, mas eu sou meio nerds, então avalie você mesmo).

 

Magias da óptica física :D

Magias da óptica física :D

Bom, dá para gastar bastante tempo no Castelo, e vale a pena, mas nesse dia a gente andou tanto, mas tanto, mas tanto, que acabamos indo embora meio cedo. E para descer, pulamos dentro de um dos bondes antiguinhos (não sem antes fazer um lanche com direito a vinho do porto).

Daí vou confessar uma coisa feia: a gente não pagou o bonde. Na real acho que ninguém pagou aquele bonde. Porque tem uma maquininha pra você validar a sua passagem, mas eu não vi quando entrei. E daí quando saí não vi também. Mas vi que essa maquina existe. Então se você for pegar esse bonde e quiser ser honesto, procure pela maquininha de validar a passagem e valide. Não faça como eu.

Daí voltamos para casa, porque à noite eu tinha uma festa num lugar FANTASTICO. Mas isso eu conto depois.

 

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Da Baixa à Sé, da Sé à Alfama, de Alfama…

6 de maio de 2009

Depois de visitar o Convento do Carmo resolvemos seguir explorando o centro de Lisboa. Descemos para a Baixa, passando pelo Chiado. O Chiado é o que liga à Baixa ao Bairro Alto, e é uma região legal de explorar, com lojinhas descolex, um shoppingzinho que tem Sephora e Body Shop e Fnac (comprei minha câmera lá) e vários cafés gostosos. É no Chiado que fica o café A Brasileira, aquele que Fernando Pessoa costumava frequentar e onde fica sua estátua – é clichê, mas quem resiste a tirar uma foto batendo papo com Pessoa?

 

"Me conta, hoje ce tá mais Álvaro de Campos ou Ricardo Reis?"

"Me conta, hoje ce tá mais Álvaro de Campos ou Ricardo Reis?"

Bom, daí vocês desce, anda, se embrenha, faz os caminhos mais longos, e de repente pode chegar aos pés do elevador de Santa Justa, que é lindo e vive com uma fila gigante de turistas querendo passear nele. Eu fiquei feliz só em ver do lado de fora, valheu.

O elevadorzão liga lá em cima a aqui embaixo, mas eu fui à pé mesmo

O elevadorzão liga lá em cima a aqui embaixo, mas eu fui à pé mesmo

Daí você segue andando, e pode passar pela Rua Augusta, que é tão bacana quanto a nossa, mas de um jeito diferente. É um calçadão cheio de turistas e lojinhas e cafés, que começa no Rossio e termina num arco triunfal lindão. Eu subi e desci a Augusta muitas vezes na semana em que fiquei lá. 

O arco triunfal da Rua Augusta emoldurando Dom José I

O arco triunfal da Rua Augusta emoldurando Dom José I

Depois do arco tem uma praça, a Praça do Comercio, e logo depois o Tejo. Quando estive lá, a praça estava em obras – algo sobre saneamento básico e a limpeza do Tejo, se não me engano. Mas mesmo assim deu pra admirar as arcadas da praça e chegar até a beirinha do rio – e pra mim o Tejo é a alma de Lisboa, é emocionante estar às margens dele, não dá pra não lembrar de Pessoa. Tanto que eu me despedi de Lisboa às margens do Tejo, mas isso vocês veem mais pra frente.

Bom, siga andando. Eu peguei a Rua das Pedras Negras, e caminhando, caminhando, dei de cara com isso:

 

Para nascer, Portugal; para morrer, o mundo

«Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas terras para a sepultura. Para nascer, pouca terra, para morrer, toda a terra; para nascer Portugal, para morrer o mundo» - Pe. Antonio Vieira

Me deu um misto de inveja com orgulho das minhas raízes portuguesas, meus olhos encheram de lágrimas (Lisboa me fisgou de um jeito que eu nunca pensei ser capaz de ser fisgada, então se quiserem, relativizem o que eu digo, eu me emocionava a cada espiadinha no Tejo, a cada esquina, a cada sotaque). 

Fiquei tão emo que nem me liguei que do outro lado estava a igreja de Santo Antonio. Yeah, baby, THE Santo Antonio, aquele casamenteiro, diz que nasceu ali em Portugal, e que foi batizado na igreja da Sé. “Mas Ligia, ele não é de Pádua?”. ARRÁ: Santo Antonio de Padua MORREU em Padua. Mas nasceu em Portugal. Para nascer, Portugal; para morrer, o mundo! Mas enfim, fiquei emo e perdi a oportunidade de ir pedir um maridex pro Santo, em linha direta. Acho que pedidos feitos lá são mais TRUE. Enfim, Santo Antonio, sigo solteira, se você tiver acesso à internet, der um google no seu nome e cair aqui, cá estou ;)

Mas tergiverso. O fato é que seguimos caminhando, caminhando, caminhando e chegamos à Sé de Lisboa, que é bem menor que a Sé de São Paulo, mas tem seu charme. Diz que lá estão os restos mortais de São Vicente. A gente deu uma espiadinha e… seguiu andando.

Nosso objetivo final, vou contar pra vocês, era chegar ao Castelo de São Jorge. Mas não sei se vocês sabem: o Castelo de São Jorge é o ponto mais alto da cidade de Lisboa. E a gente resolveu que ia à pé. Numa cidade já famosa por suas ladeiras, a gente resolveu ir ao ponto mais alto à pé. 

Daí você pode achar a gente maluca, e querer pegar um ônibus ou um bonde até lá em cima. E eu, apesar de ter sofrido bastante com a caminhada deste dia, insisto: vá à pé. Especialmente porque você pode ir pelo caminho que a gente foi: se perdendo pela Alfama.

 

Telhadinhos da Alfama

Telhadinhos da Alfama. E o Tejo. Não é LINDO?

Passear pela Alfama é o melhor jeito de saber como era a Lisboa pré-Terremoto, porque foi uma das áreas que foi menos destruída. Então as ruazinhas ainda são meio medievais, estreitas, sem espaço para carros, e cheias de casas daquelas que a gente vê em filme, com as roupas secando do lado de fora da janela.

Eu não sei se faz sentido na cabeça de mais alguém, mas a Alfama me lembrou um pouco o esquema das favelas cariocas. Ruelas estreitas, subidas intermináveis, escadões cortando caminho aqui e ali, e uma gente mais simples. Ele é (ou era, não sei) o bairro dos pescadores, e até hoje você sente um cheirinho de peixe – diz que os moradores colocam suas churrasqueirinhas para assar sardinhas na porta de casa – eu não vi, mas bem senti cheiro. É bom passear por lá, e inevitavelmente você vai encontrar velhinhos bem velhinhos subindo as ladeiras com suas bengalas. Eu estava ofegante e vi uma dessas velhinhas recusar a ajuda de uma menina de uns 13 anos que queria carregar as sacolinhas de compra dela: “eu ‘stou bem, m’deixe subir sozinha”. E lá foi ela. Enquanto eu quase morria de cansaço.

Bom, uma vez que você chega no fim da Alfama, eu recomendo dar uma parada no Miradouro de Santa Luzia para recuperar as energias.  De lá você tem uma vista sensacional do tejo e dos telhadinhos, e se der sorte pega uma boa musica na rua. Eu ainda vi uns meninos muito bonitinhos andando de skate.

 

Um fazia as manobras, o outro filmava. Vi essa cena umas 15 vezes

Um fazia as manobras, o outro filmava. Vi essa cena umas 15 vezes

Recuperou o fôlego? Siga subindo então. Não desanime, o Castelo está pertinho. Chegue até lá, pague o ingresso e divirta-se.

Ruínas do Convento do Carmo

4 de maio de 2009

 

O Convento visto da Praça do Rossio

O Convento visto da Praça do Rossio

Talvez você não saiba (eu não sabia), mas no século XVIII a cidade de Lisboa foi quase totalmente destruida por um terremoto. Foi um lance muito cruel, porque depois do terremoto diz que teve um tsunami e vários incêndios. Morreu uma cacetada de gente, e vários prédios foram completamente destruidos, bem como livros e obras de arte, etc e tal. A cidade foi reconstruida sob a batuta do Marquês de Pombal, que fez um belo trabalho – isso sou eu que acho. 

Mas o Convento do Carmo não foi reconstruido. Parece que até tentaram começar, mas faltou dinheiro, e enfim.  Ficaram lá as ruínas do que foi uma das construções góticas mais importantes de Portugal, como uma espécie de memorial do terremoto. 

 

Largo do Carmo - a portinha vermelha engana...

Largo do Carmo - a portinha vermelha engana...

Bom, quando você chega ao Largo do Carmo – que é beeeeeeem charmosinho -, e entra pelos portões para pagar seu ingresso, não dá pra imaginar o que vai ver quando finalmente entrar no Convento. Aliás, uma das coisas mais legais foi ficar sentada nas escadarias da entrada observando a reação das pessoas quando entravam. Não dá pra segurar, o seu queixo VAI cair, especialmente se o dia estiver lindo como estava quando eu fui.

 

Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaau...

Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaau...

Bom, o que você vê é uma igreja gótica, toda imponente, apontando para o céu, mas sem o teto, então você de fato vê o céu para onde as paredes apontam. Dá pra imaginar como ela devia ser bonita. As paredes brancas contrastam com o céu azul, e você fica sem fôlego de tanta LINDEZA. 

Ali mesmo, ao ar livre, são expostas algumas peças que foram encontradas após o terremoto. Cruzes, túmulos, placas com inscrições em português de antigamente, pias batismais, enfim, coisas de igreja, que existia desde o século XIV. Daí tem também um museu arqueológico indoor, pequenininho mas bastante interessante. O destaque, pra mim, foram as peças romanas e as duas múmias peruanas.  

Fiz um videozinho tosco, olha aí:

Cascais

4 de maio de 2009
Oi, mar de Cascais :)

Oi, mar de Cascais :)

Antes de viajar eu tinha um mini-objetivo pra essas férias: colocar os pés no Mediterrâneo, quando chegasse em Barcelona. Babaquice, mas po, passei 26 anos da minha vida só sabendo o que é o Atlântico, queria ver como era outro oceano. Nessas, nem me liguei que estando em Lisboa, estaria ao lado do Atlântico Norte, que não é exatamente outro oceano, mas né? Daí, quando me toquei, decidi que também queria colocar os pés no Atlântico Norte.

Ir à praia de jeans é coisa de gringo - coisa que eu era lá, então beleza

Ir à praia de jeans é coisa de gringo - coisa que eu era lá, então beleza

O lugar que escolhi pra isso foi Cascais. Eu seeeeeei, a Costa da Caparica é bem mais badalada, mas eu não tava indo lá pra fritar no sol. Queria um lugar pertinho, pra ir de trem, voltar rapidinho e tal. Então voltei de Queluz na estação do Rossio, e fui para a estação de trem de onde saem os trens para Cascais: Cais do Sodré (dá pra ir de metro ou andando de uma pra outra. Eu fui andando).

O trem para Cascais já é uma alegria. Você vai beirando o Tejo, que é lindo e emocionante, até ele encontrar com o mar. Passa por cidadezinhas que dá vontade de descer do trem e morar por lá pra sempre. Passa por baixo da Ponte 25 de Abril, que é muito bonita, e ao lado do Padrão do Descobrimento e da Torre de Belém (que do trem parece pequena e feia, mas não é não).

É mais ou menos assim que você vai ver a Ponte 25 de Abril de dentro do trem

É mais ou menos assim que você vai ver a Ponte 25 de Abril de dentro do trem

Há quem opte por descer antes de Cascais para conhecer Estoril. Lá tem um cassino, pra quem curte jogar deve ser legal. Mas tem cassino em Lisboa também, no Parque das Nações, então a opção é sua. Eu fui direto para Cascais. A viagem dura cerca de 3o ou 40 minutos também, como a ida para Sintra.

Bom, Cascais é uma cidadezinha praiana como tantas outras que a gente conhece. Se você quiser, pode ir de biquini e fritar no sol, mas na boa – no Brasil a gente tem praias muito mais lindas e legais. Então acho que é muito mais jogo explorar a cidadezinha à pé. Ela tem um centrinho comercial cheio de restaurantes e lojas, é tudo mais caro que Lisboa, claro, mas nada é proibitivo. Daí você vai se embrenhando por vielas e bequinhos e quando vê, está numa das escadarias que levam a uma das praias. Eu molhei meu pé na praia da Rainha, que estava assim:

praia-da-rainha

Cheeeeeeeeeeia de nórdicos achando que só porque estava sol era verão – sem brincadeira, a temperatura na sombra devia ser de uns 15 graus, e a água era geladíssima. É divertido observá-los durante um tempo, eles ficam muito felizes mesmo com a chance de poder tomar um solzinho. A areia é meio marrom, nem branca como no Rio, nem cinza como no litoral sul de São Paulo, mas é bem grossa e fofa, o que faz a água ficar clara. Se o dia estiver bonito é demais, você pode até fingir que está na riviera francesa (aham).

Daí siga sua caminhada pela orla. Ou então alugue uma bicicleta, tem vários lugares pra você fazer isso, e deve ser uma delícia pedalar por lá. Eu andei no sentido oposto a Estoril, mas dá pra ir em direção a Estoril e chegar até lá. Não sei se é legal, porque não fui.  Bom, se você for pro lado que eu fui, vai encontrar praias charmosinhas, outras nem tanto, um paredão de pedra, restos de muralhas, e eventualmente vai chegar à Marina de Cascais, que é bem lindinha. Eu curto andar perto dos barcos ancorados e ficar sonhando com o dia em que eu vou ter um iate. Hehehe.

marina-de-cascais
Diz que vez por outra aparecem uns golfinhos na Marina de bobeira. Eu só vi peixes, MUITOS peixes ali pertinho dos cascos dos barcos.

Nessa hora pode bater uma preguiça e uma vontade de voltar, mas talvez, se você olhar para a sua direita, veja um farol branco e azul muito do lindinho. Então siga caminhando (ou pedalando), porque vale a pena. Esse é o Farol de Santa Marta. Chegue até ele, porque lá você vai encontrar um museusinho dos faróis de Portugal (é minúsculo, mas ver as lentes dos faróis de perto impressiona), uma sala multimidia (não sei se sempre rola, mas quando eu estive lá estava passando um documentário sobre a vida dos faroleiros portugueses, e sem sacanagem, é MEGA interessante) e um café. Ótima pedida pra descansar os pés e recarregar as energias pra voltar pro centro. E é tudo de graça (menos o café, né?)

Além de tudo é um lugar FODA pra fotografar

Além de tudo é um lugar FODA pra fotografar

Daí eu voltei. Mas se por acaso você se empolgar, e tiver pique pra pedalar, acho que até rola chegar na praia do Guincho, que dizem ser a mais espetacular da região. Se você estiver de carro, rola ir ao Cabo da Roca, que é o ponto mais a oeste da Europa. Eu não fui, então…

Ah, do lado da estação de trem de Cascais tem um shopping. Eu entrei lá pra comprar DVDs virgens, mas acho que vale comentar que lá dentro tem um supermercado Pingo Doce, então se você quiser fazer um piquenique em Cascais pode comprar suas coisinhas lá. ;)

Por algum motivo esotérico, Cascais e o Farol me deixaram EMO

Por algum motivo esotérico, Cascais e o Farol me deixaram EMO

Queluz

3 de maio de 2009
Olá, Queluz :)

Olá, Queluz :)

 

Outra cidadezinha nos arredores de Lisboa. Queluz é menos hypada (hahaha) que Sintra. É uma cidade que parece interior de São Paulo, meio sem charme e tal. “Mas por que então eu deveria ir para Queluz?”, você pergunta. E a resposta é simples – por causa do Palácio de Queluz. 

Assim. Eu não acho Queluz obrigatória como eu acho Sintra. Mas se você curte história do Brasil (e de Portugal, néam) e se está com tempo, vale ir sim. Eu fui cedinho para Queluz, voltei para Lisboa no fim da manhã e segui para Cascais. Tem quem combine Queluz com Sintra, mas como já disse, não recomendo. Com Cascais rolou bem. 

O trem é o mesmo de Sintra – sai da estação do Rossio. Mas Queluz é bem mais perto que Sintra, em 15 ou 20 minutinhos você chega lá. Saia da estação e vá seguindo as plaquinhas que indicam o Palácio. A cidade é bem sinalizada e se você se perder é só perguntar pra qualquer pessoa – pelo menos comigo todo mundo foi fofo e prestativo.

 

Versalhes com gripe, coitada

Versalhes com gripe, coitada

Rola um comentário a boca pequena que o Palácio de Queluz é uma miniatura de Versalhes. Os portugueses não curtem muito essa comparação não, mas depois de ver os dois, digo que Queluz é LIVREMENTE INSPIRADO em Versalhes. E bem mais pobrinho, evidentemente. 

 

Uaaaaaaaaaaaau...

Uaaaaaaaaaaaau...

Foi nesse Palácio que a Maria I (popularmente conhecida como “a louca”, hahahaha) ficou quando endoidou. O Palácio foi construido pelo Dom Pedro III, pai avô do Dom Pedro IV de Portugal, que vem a ser nosso Dom Pedro I do Brasil.  Aliás, o Dom Pedro IV / I nasceu em Queluz. Quando o Palácio finalmente ficou bombeitor e entrou em sua fase de ouro, Napoleão resolveu invadir Portugal e a Família Real mudou pro Brasil, e daí vocês já viram isso tudo no Carlota Joaquina :P

 

Macumba Real

Macumba Real

Bom, assim como em Versalhes, o Palácio é todo em volta de um jardim bacanudo. E assim como em Versalhes, tem uma sala de espelhos.  Mas é o Versalhes pobrinho, tadinho. E se você foi pra Sintra na véspera (como eu fiz), o Palácio não tem tanta graça. Passeie pelos jardins, tire fotos da fonte e das estátuas, e dê sua visita por encerrada.

 

Dona Ligia I, a Louca

Dona Ligia I, a Louca

Sintra

3 de maio de 2009

 

Oi Sintra :)

Oi Sintra :)

 

 

Vai passar dois dias em Lisboa? Reserve um para Sintra. Eu digo isso de coração. Sei que é meio forte começar o texto assim, mas mantenha isso na sua cabeça: você tem de ir para Sintra. TEM. Nem pense em não ir. 

Sintra é uma outra cidade, fica a cerca de 40 minutos de Lisboa. Você pode ir de trem, que sai da estação de trem do Rossio ( que misteriosamente fica mais perto da estação Restauradores do metro do que da estação de metro do Rossio, mas tudo bem, no fim das contas é tudo perto). Custa baratinho, acho que nem 3 euros, e o passeio é gostoso, você passa pelo aqueduto do Campolide, que é lindo e imenso, e vê um pouco da perifa de Lisboa. É o mesmo trem que vai para Queluz, mas se você tiver tempo, dedique um dia inteirinho só para Sintra e deixe Queluz para outro dia. Muita gente desce em Queluz pela manhã e vai para Sintra a tarde, eu não recomendo – a menos que você não tenha tempo e faça muuuita questão de ir pra Queluz. Falo depois sobre essa outra cidadezinha.

É importante saber que Sintra fica na serra, então é ligeiramente mais fria que Lisboa. Se não for verão, vale uma agasalhada extra. Lá era o recanto de verão preferido da família real portuguesa desde o século 13. Eles não eram nada bobos. Fica na serra, é fresquinho, mas é bem perto do litoral.

Bom, você vai chegar em Sintra na estação de trem. Saindo, à direita, vai ter uns ônibus turísticos que passam pelos principais pontos de Sintra: Palácio Nacional, Castelo dos Mouros e Palácio da Pena. Pegue esse ônibus, nem pense em dar uma economizadinha e ir à pé, porque aqui o negócio é sério: distâncias grandes e subidas bizarras. Você paga uma passagem só e pode passar pelo circuito inteiro, descendo em cada parada e só voltando quando quiser. Eu recomendo ir aos dois Palácios, que cada um é fantástico de uma forma, mas recomendo especialmente ir ao Castelo dos Mouros, talvez meu lugar favorito na viagem inteira.

A primeira parada é no Palácio Nacional, que fica no centrinho histórico da cidade. Por fora, o que se destaca são duas torres gigantes, que depois você descobre que são chaminés (um dos momentos UAU desse palácio é quando você percebe que está debaixo da chaminé e olha pra cima e… UAU. Hehehe). Bom, é superbonito ver os azulejos antigões, a sala dos brasões é linda e se você tem família portuguesa pode passar uns bons minutos vendo se o seu brasão está lá (o meu não está, fuén), os tetos com pinturas simples e tal. A cozinha é fantástica, acho que não é à toa que é uma das últimas coisas que você visita. 

 

Azulejos no Palácio Nacional de Sintra

Azulejos no Palácio Nacional de Sintra

 

Daí, subindo um tanto a serra, você chega ao Castelo dos Mouros. Nesse momento vale a pena você comprar o ingresso combinado Castelo dos Mouros + Palácio da Pena, tem um descontinho amigo. 

Não vá pensando que você vai encontrar um castelo inteirinho, decorado e tal. Aqui o lance são as muralhas e fortificações. É meio o que restou do castelo, que foi construido no século 8 para defender o território dos ataques pelo mar. Bom, aqui o lance é andar, andar, andar, subir, subir, subir as muralhas e ir apreciando a vista e curtindo o ventinho gelado. Não deve ser muito agradável no inverno, mas na primavera foi foda. Quando eu cheguei no topo e vi o mar, e aquele vendaval, e as bandeiras de Portugal de todos os tempos tremulando, confesso que dei uma choradinha. Foi um daqueles momentos “obrigada por poder estar aqui vendo isso e estar viva e etc etc etc”. Hippie, eu sei, então IMAGINE o quanto foi emocionante, pra eu estar aqui confessando essa cafonice pra vocês. ;)

 

Mil vezes lindo. Essa moça da esquerda tava de SALTO FINO, muito guerreira

Mil vezes lindo. Essa moça da esquerda tava de SALTO FINO, muito guerreira

    

Descabelada, emocionada e feliz

Descabelada, emocionada e feliz

Do Castelo dos Mouros você vai pro Palacio da Pena.  Vença o cansaço, porque vale a pena (sem trocadilhos). O mais legal desse palácio, além dele parecer de conto de fadas, é que ele é todo mantido como se a família real ainda vivesse por lá. A mesa do jantar tem até pãozinho.  Ele é super romântico e fofinho e brega/kitsch. Uma pena que não deixem fotografar por dentro. 

 

De conto de fadas, tem até ponte elevadiça (que não funciona)

De conto de fadas, tem até ponte elevadiça (que não funciona)

 

"Sou muderno, o século XVII me entedia"

"Sou muderno, o século XVII me entedia"

Daí, depois de ver esses três lugares, você viu o basicão de Sintra. Tem muito mais passeios, o Parque da Pena parece ser incrível, assim como o Monserrate e a Quinta da Regaleira, mas eu já estava moída. Recomendo comer muito bem no centrinho histórico e comprar MUITAS queijadas e almofadas na Periquita. É um ótimo lanchinho pra comer no trem.

Ah. Fica a dica: prefira ir para Sintra durante a semana. Diz que nos finais de semana fica intransitável, o que deve tirar boa parte do charme da cidade. E repare nos jardins e nas matas. Depois compare com os jardins de Paris. É um choque.