Catedral de Barcelona, Barri Gotic, o Mediterrâneo e o dia em que mais caminhei na vida (até então)

Na hora de planejar a viagem, decidimos, minha mãe e eu, que iriamos passar uma semana em cada país. Na hora de dividir os dias entre Madri e Barcelona, nos pareceu razoável deixar 4 dias para Madrid e 3 para Barcelona. E realmente foi uma boa decisão, mas o resultado foi que nossa estadia curta em Barcelona requeriu muito ânimo e despertador tocando logo cedo para dar conta de fazer tudo que a gente queria fazer.

Daí é legal falar que, poxa, são férias, a gente devia se dar o direito de descansar (e fizemos isso em Lisboa, dormindo até tarde alguns dias e curtindo uma preguicinha), mas por outro lado era nossa primeira vez por lá, e quem disse que a gente resiste a fazer maratonas turísticas, ainda mais passando por lugares bonitos e em um dia perfeitamente ensolarado – mas friozinho na sombra?

Então naquele sábado a gente madrugou e foi direto para a Catedral de Barcelona. Bela caminhada, com direito a Passeig de Gracia, Plaça de Catalunya, Ramblas e um pouquinho de Barri Gotic. Ao chegar lá, a decepção. A fachada estava coberta com um mega banner da Telefònica, que patrocina a reforma da Catedral. Po!

Banner uó :(

Banner uó :(

Depois meu amigo Gus, que mora lá há uns 5 anos, me contou que nesse tempo todo ele nunca viu a fachada da igreja, porque ela está em reforma desde essa época. QUE VACILO, fiquei realmente decepcionada.

O coro, deslumbrante. Acho que mais que o altar inclusive

O coro, deslumbrante. Acho que mais que o altar inclusive

Mas beleza. Por dentro ela é linda, e de fato não estava lotada. Valeu a pena acordar cedo pra ir pra lá. As capelas são lindas, o coro é todo cheio de detalhes, vale a pena gastar tempo observando. Tem um elevador meio escondido que te leva para o telhado (sim, eu sou meio obcecada por SUBIR nos lugares. Torres, telhados, de escada ou elevador. Eu curto ver as coisas por cima), e é muito legal, a vista da cidade é linda e diferente da vista da Sagrada Familia. Você não fica tão no alto e tal. Paga-se um dinheirinho pelo passeio de elevador, uns 2 ou 3 euros.

Olha uma gaivota que bonitinha :) Achou?

Olha uma gaivota que bonitinha :) Achou?

Por fora ou por dentro da Catedral você pode chegar ao claustro, que tem um jardim bonito, com uma fonte, patos e peixinhos. Mas a essa hora já estava tudo lotado demais. Que bom que acordamos cedo! Seguimos nosso caminho pra fora da Catedral cheiona.

Lindo, lindo. Mas faltava paz naquele sábado de manhã

Lindo, lindo. Mas faltava paz naquele sábado de manhã

Daí fomos caminhando pelas ruelinhas do Barri Gotic meio sem rumo. As ruas já são uma atração, estreitas, escuras, úmidas. Andamos, andamos e fomos parar na Plaça Reial, super bonita, cheia de barzinhos e quetais em volta. Me deu uma invejinha das pessoas que estavam por lá de bicicleta, então fica a dica, deve ser ótimo alugar uma bike ou pegar uma excursão de bicicleta… a cidade é plana, cheia de ciclovias, super convidativa pra pedalar.

Bom lugar para esticar as pernas e descansar um pouquinho. Foi o que fizemos

Bom lugar para esticar as pernas e descansar um pouquinho. Foi o que fizemos

De lá pegamos as Ramblas e andamos até o Port Vell. Na boa, todo mundo fala das Ramblas, eu não achei muita graça. Valeu, gente fazendo estátua viva e pintanto retratos ruins eu vejo no centro de SP. Acho que nem fotografei, achei chatão mesmo.

Já portos, barcos e mar eu adoro.  :)

Aí sentamos para comer uma maçã e tomar um solzinho. Tava frio, juro.

Aí sentamos para comer uma maçã e tomar um solzinho. Tava frio, juro.

Andamos, andamos, andamos (e andamos, e andamos) beirando o mar. Belas paisagens, pessoas maravilhosas e uma banda ali, outro artista de rua acolá… dá nervoso só de pensar como deve ser o verão lá, uma coisa “tudo acontece aqui e agora”. Deve ser foda (mas não pra mim, que detesto temperaturas acima de 25 graus).

Daí chegamos em Barceloneta, que eu imaginei que seria um bairro tosco e nem é. É charmosinho, de pescadores, com casinhas, uma fofura! A praia é estranha, devo dizer. Tem sistema de som, uma areia que parece de construção, gente fazendo topless (isso é legal!) gente tomando sol de underwear… divertido, vá. Tomei coragem, troquei meus tênis por chinelos e pus o pezinho no Mediterrêneo, verdinho, salgado (duh) e geladíssimo.

Cheia de sinalizações, sistema de som, tá mais pra parque do que pra praia...

Cheia de sinalizações, sistema de som, tá mais pra parque do que pra praia...

Seguimos caminhando. Vimos velhinhos jogando dominó, crianças brincando num brinquedo todo de design ousado (hah), e um patinador que quase atropelou uma senhora. A senhorinha xingou: BOLUDO!; e recebeu como resposta um BOLUDA! que arrancou risos de todo mundo que estava perto. Po, tava um clima genial, eu queria ficar lá a beira-mar pra sempre. Mentira, não queria não. Mas que estava bom, estava.

Seguimos andando (ééééé) até chegarmos no Port Olimpic, em frente à Vila Olímpica. Olha, isso é bem particular, mas eu me emocionei com todas as coisinhas que me remetiam às Olimpíadas de Barcelona, são os primeiros Jogos Olímpicos de que me lembro com clareza. Passeamos por lá um pouco, é uma área muderna, com esculturas e prédios imensos e tal.

Esse aí é o Peix d'or, de Frank Gehry. Não sei se gosto.

Esse aí é o Peix d'or, de Frank Gehry. Não sei se gosto.

Tá. Aí, adivinha: andamos. Fomos beirando o Parc de la Ciutadella até chegarmos ao Passeig de Lluis Companys, onde fica o Arc de Trionf de Barcelona. No sábado tava rolando uma feira lá, a Feria de la Tierra. Cheeeeeeia de coisas naturebas, uma delícia. “Almoçamos” uma quiche de queso y vegetales maravilhosa. Devia ser a fome, comemos aquilo em cima de um pedaço de papelão, e parecia um MANJAR. Hehehehe.

Feria de la tierra, recomendo! Lá no fundo, o Arc de Triomf :)

Feria de la tierra, recomendo! Lá no fundo, o Arc de Triomf :)

Daí de lá fomos para casa, em Gracia. Pra descansar? NÃO. Pra pegar a encomenda que o meu amigo Gus fez pra mim: Tangs de sabores diversos. Acho hilários esses pedidos que brasileiros expatriados fazem, serião. TANG? SUCO TANG? Levei uns 30 pacotinhos. Daí toca descer o Passeig de Gracia inteirinho de novo, até a Plaça de Catalunya, onde ele trabalha. Sentamos num barzinho ali no comecinho do Raval (acho), bebemos muitas cervejas e colocamos a conversa de anos e anos em dia. Delícia :)

DAÍ SIM voltamos pra casa (andando de novo). Eu calculei essa rota no Google Maps, deu uns 25 km. Sério. Não foi à toa que na volta pra casa eu tive que sentar várias vezes nos bancos do Passeig de Gracia. E até derramei umas lágrimas de dor no pé. Mas faria tudo de novo, igualzinho! :)

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Uma resposta to “Catedral de Barcelona, Barri Gotic, o Mediterrâneo e o dia em que mais caminhei na vida (até então)”

  1. valéria januzzi Says:

    Gostaria de saber como foi sua estadia em paris?
    Gostei de seu blog da Espanha, estarei indso em março de 2012

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