Madrid de noite

 

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

 

 

Eu sou uma pessoa de sorte. Arranjei a melhor guia POSSÍVEL para me levar pela noite de Madri. O nome dela é Carol, e eu a conheci há alguns anos, porque ela é amiga do meu ex-namorado. Quando eu a conheci, ela estava de partida para morar em Madrid, e quando soube que eu iria para lá, foi a pessoa mais gentil do mundo: pediu para eu contar para ela o que eu gostava de fazer e o que eu queria ver na cidade, que ela ia providenciar um tour. Me deu seu número de telefone e prometeu que ia mesmo me levar para passear.

E assim foi. Cheguei em Madrid, fui passear durante o dia, e conforme a noite foi chegando liguei para ela. “Oi, não tá cansada demais não? Quer sair mesmo?” Tsc. Mal sabia eu que a Carol é animadíssima. Que eu, em férias, ia me cansar mais do que ela. Porque segundo um amigo que a gente tem em comum, ela é a pessoa “mais boêmia do mundo”. E deve ser mesmo. Então vou contar o que a gente fez pelas noites de Madrid, e você pode seguir as dicas de olhos fechados, porque são dicas de uma quase-madrileña, que mora lá há uns 3 anos e que é a pessoa mais boêmia do mundo.

Ela ainda foi gentil o bastante para me mandar por e-mail todos os lugares por onde passamos, com comentários! Tomo a liberdade de reproduzir alguns aqui e agradecer pela milésima vez: Madrid não teria sido tão bacana sem ela. Talvez eu nem pensasse em voltar pra lá ano que vem para passar pelo menos um fim de semana de noitadas intensas com a Carol. Menina, você devia virar guia turística da noite madrileña e ganhar dinheiro com isso! Mil vezes obrigada :)

 

Obrigada, obrigada, obrigada :D

Obrigada, obrigada, obrigada :D

 

 

Vamos lá. Tenho poucas fotos dos lugares, por razões etílicas, mas então vou DECORAR o post com fotos da dupla pela noite – até que somos bonitinhas.

 

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

 

 

Na primeira noite que nos levou para passear, Carol começou pela taberna Los Gatos (Calle de Jesus, 2), que era bem pertinho do nosso hotel, mas que curiosamente eu nunca mais consegui encontrar (ah, o álcool).  Fomos fazer um programa tipicamente madrileño, beber caña na barra – ou seja, cerveja no balcão. A decoração é toda típica, diz que o dono da taberna é um (ex?) toureiro, então tem cartazes com a programação das touradas. Tem tapas e tostas bem típicas, e eu adorei! Segundo a Carol: “Com a localização e a fama que tem, esse lugar é uma armadilha para turistas, mas a decoração é divertida, a comida é gostosa, e é bastante madrileña”. Bom, eu chamaria de armadilha se alguma coisa lá fosse ruim, mas muito pelo contrário, foi tudo ótimo! :)

De lá fomos a uma taberna galega (tipicamente da Galícia), o Maceiras (Calle de Jesus, 7) . Aqui você pode se delíciar com coisinhas do mar, mas se você for como eu, que não curte muito, não se preocupe, há opções! Minha mãe comeu um pulpo a la gallega que devia estar sensacional. Carol e eu comemos uma carninha INCRIVEL com pimientos de padrón. Carol diz que “unos picam, otros no” – no meu caso nenhum picou, e estavam incrivelmente saborosos, com um salzinho grosso por cima… nham. Comemos queijo, bebemos vinho, batemos papo, e… já estava na hora de levantar para ir para o próximo lugar.

Sim, porque isso é o mais legal na noite de Madrid – pelo menos eu achei. Você não fica muito tempo num lugar só. Chega num bar, bebe umas duas ou três cañas e parte para o próximo. E vai andando e aproveitando o melhor de cada lugar. É engraçado porque você acaba até encontrando as mesmas pessoas em lugares diferentes – o que pode ser bom ou ruim, né? ;). Ah, o preço do que é servido na barra é mais baixo que a mesma coisa servida na mesa – acho que por isso as pessoas curtem também ficar bebendo em pé.

Do Maceiras saímos andando, passamos pela Plaza de Santa Ana, que é linda e deve bombar no calor, e fomos em direçao a Puerta del Sol (isso quem disse foi a Carol, eu não fazia a menor idéia de onde estava, hah). Para a primeira noite estava mais que bom – a gente tinha madrugado para pegar o voo para Madrid, e Carol tinha acordado cedo para trabalhar, então combinamos que continuaríamos o passeio em outra noite.

 

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

E assim foi! Na segunda noite em que fomos passear, minha mãe queria porque queria assistir a um espetáculo de flamenco. Mas eu não, rarara. Então encontramos a Carol com a seguinte proposta: faríamos um “esquenta” pré-flamenco todas juntas. Daí deixaríamos minha mãe no espetáculo e iríamos beber e fofocar sozinhas. Depois resgataríamos mamãe para terminar a noite todas juntas e bêbadas! Tchans! Assim foi.

Primeiro fomos ao La Musa de Espronceda (Calle Santa Isabel, 17), um lugar muito lindinho e aconchegante. “Jantamos” tapas de solomillo con mermelada de frambuesa, o que eu recomendo FORTEMENTE, estavam deliciosas. Só de lembrar eu salivo. Bebemos uns vinhozinhos – que alegria sair para lugares onde o vinho é mais barato que o refrigerante – e seguimos para o Plaza Menor.

Meninas, eu não sei se demos sorte ou se ele está sempre por lá, mas tem um bartender do Plaza Menor (Calle de Gómez de Mora, 3) que foi simplesmente um dos caras mais lindos que eu vi na viagem toda. Hah. Preciso falar mais alguma coisa? Bom, como se não bastasse tanta beleza, o bar é bem lindo, bebemos mais vinho e comemos os petisquinhos que nos ofereceram. Ah, tem isso em Madrid também: em vários lugares você pede uma bebida e ganha uma porçãozinha de tapas, oferta da casa. Podem ser nuts, ou azeitonas (as melhores da minha vida comi em Madrid, fica a dica), ou uns queijinhos… 

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas minha mãe queria ver flamenco. Carol levou ela até o Las Carboneras (Plaza del Conde de Miranda, 1), enquanto eu fiquei tomando conta de nossos vinhos e do bonitão ;). Mamãe gostou muito do espetáculo, que é um showzinho intimista, nada muito grandioso e cafona. Ela recomenda. 

Enquanto uma se divertia com o flamenco, nós fomos beber mais! Carol me apresentou um dos favoritos dela, o Anti-Cafe (Calle Union, 2), que é realmente muito bacana, com poltroninhas e sofás e trilha sonora excelente (tocou CSS enquanto estávamos lá, o que não é exatamente excelente, mas pelo menos não era Beyoncé en español, que eu ouvi no aeroporto). Batemos papo, fofocamos, bebemos cervejinhas e um Ruso Blanco. Sim, isso mesmo que você está pensando. Um white russian. Que eles chamam de Ruso Blanco. Aceite a realidade espanhola, eles traduzem até os nomes dos príncipes da Inglaterra, por que não traduziriam o pobre white russian? :) 

Vocês conseguem imaginar como já estávamos? Tudo isso em uma noite só! Resgatamos minha mãe (que também continuou bebericando no flamenco) e fomos ao Lamiak (Calle Cava Baja, 42), provavelmente meu lugar preferido da noite. Bom, nós chegamos lá e a galera estava dançando! Veja bem, é um bar, não uma boate, e mesmo assim tinha gente pulando com os braços pra cima, e os bartenders dançando também, felizes da vida. Que lugar ótimo! Minha mãe queria sangria e eles não tinham, então prepararam para ela um tinto de verano INESQUECÍVEL, muito caprichado mesmo. Carol e eu seguimos no vinhozinho, fizemos amigos suecos e demos muita risada.

Pra curar a bebedeira, nada melhor do que voltar para casa à pé, na chuva e com um friozinho de 3 graus. Mas eu não mudaria nada desta noite!

 

No Tupperware dançando e rodando!

No Tupperware dançando e rodando!

 

 

Para minha última noite em Madrid, Carol e eu tínhamos planejado DESTRUIÇÃO. Era uma quinta-feira, noite em que Madrid começa a ferver de verdade, e eu queria conhecer as pistas de dança e a NAITE propriamente dita. Deixei mamãe dormindo no hotel e segui de metrô para encontrar Carol.

Embora Madrid seja maior que Lisboa, e por isso não inspire taaaanta segurança, andar sozinha por lá foi muitíssimo tranquilo também. Para quem vive em São Paulo, ou no Rio, qualquer lugar é tranquilo, né? Pois bem, peguei o metrô sozinha da silva e fui encontrar Carol. Já na saída do metrô Tribunal fui cercada por orientais querendo vender cerveja – aparentemente “quente”. Declinei e fiquei observando a fauna local enquanto esperava. É engraçado, com a globalização todo mundo se veste e se comporta meio igual, e aquilo bem podia ser a saída do metrô Consolação na sexta a noite.

Carol chegou e seguimos para um restaurante/bar mexicano chamado La Catrina (Calle Corredera Alta de San Pablo, 13), muito bacana. Dá para passar horas olhando a decoração bizarra do lugar, cheia de bonequinhos, um mais inusitado que o outro. Comemos nachos e bebemos Negra Modelo, cervejinha booooa, finalmente! Batemos papo com o barmen brasileiro, ouvimos umas musiquinhas boas e já estávamos prontas para a primeira parada.

O La Via Lactea (Calle Velarde, 18) é um lugar antiguinho, da época da Movida Madrileña, era um dos lugares preferidos do Almodovar na década de 80. É engraçadíssimo, porque a decoração é toda futurística a la Hans Donner e Hajime Sorayama, sabe? Futurismo do passado. Quando chegamos estava vazio, e aos poucos foi enchendo e enchendo e enchendo. A Carol disse que lá geralmente o som é mais classic rock, mas na noite que a gente foi estava diferente, com uns blacks e souls. Eu curti. Nas TVzinhas, filmes de terror toscos. Ficamos lá bebendo San Miguel, fizemos um amiguinho catalão, nos divertimos bastante. Mas em Madrid, faça como os madrileños. Rumo à próxima parada.

 

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Fomos a um dos favoritos da Carol, o Tupperware (Corredera Alta de San Pablo, 26), que também foi meu preferido da noite e o que mais se assemelhou com os inferninhos que eu costumo frequentar em São Paulo. Pistinha quente e animada, dançamos Killers e Arcade Fire e outras coisinhas, fizemos amiguinhos, revimos algumas pessoas que estavam no La Via Lactea… estava muito bom e por nós ficaríamos lá até amanhecer, mas os bares na Europa tem o péssimo hábito de fechar na hora que tem que fechar, e no caso do Tupperware era umas 3h30. Aaaaaaaah. Mas eu recomendo o lugar, talvez dê pra aproveitar mais chegando um pouquinho mais cedo, mas daí vai do que você quer: pular de bar em bar ou curtir bastante um lugar só? Faça sua escolha e não se arrependa dela, você se diverte dos dois jeitos ;).

Como a gente queria ver o sol nascer (rarara), fomos com nossos recém amiguinhos para uma BOATE, assim, com letra maiúscula. Uma das que eu não via há anos, com várias pistas e ambientes. O nome dela é BarCo (Calle del Barco, 34). Dançamos bastante, fomos paqueradas por ciganos (hahahahaha), bebemos mais um tanto e… gente, já eram umas 5h30. A Carol tinha que trabalhar e eu tinha que pegar meu trem para Barcelona logo cedinho!

Resolvemos dar tchauzinho para a noite madrileña em um lugar bem tradicional: a Chocolateria San Ginés (Pasadizo de San Ginés, 5), para onde vão várias pessoas depois das noitadas. A gente estava tão cansada que mal conseguia falar. Tomamos um chocolate com churros e cada uma foi para seu lado.

Saldo da noite? Carol derrubada no dia seguinte. E eu PERDI meu trem para Barcelona, hahahaha. Mas essa história eu conto depois.

A real é que a noite de Madrid é DEMAIS. Sério, eu fiquei apaixonada. Claro que sem as dicas precisas da Carol não seria tão bom, e já que ela ainda não oferece seus serviços para qualquer um eu compilei alguns lugares muito legais aqui. Faça bom proveito!

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13 Respostas to “Madrid de noite”

  1. victor Says:

    Olha meu nonbre es victor estou em madri gostaria de emcontrar umas para sair comigo!estou no hotel ISIS

  2. luis miguel Says:

    ola ligia eu tive a ler sua aventura e gostaria que me desse algumas dicas,pois eu vou passar apenas uma noite em madrid com uma amiga especial e nao queria fazer má figura.

    obrigado

  3. Marco Says:

    Olá Ligia. Vi a descrição da noitada e curti. Vou estar em Madrid de 21 a 24 de Outubro com mais 2 amigos. Gostava de saber se nos podes ajudar a descobrir a movida madrilena. Como já conheço um pouco a cidade de dia, falta agora desbravar a night :)

    Xau
    Marco

  4. Um jarro de sangria e as pinturas negras — Calmantes com Champagne 2.0 Says:

    […] da noite madrilenha, e esse é um ponto que nao posso opinar muito (ela tem ótimas dicas – veja aqui). Tanto esta viagem quanto a do ano passado nao foram viagens de baladas, noitadas e bares (no […]

  5. A ordem em Madri é: nadar em cerveza — Calmantes com Champagne 2.0 Says:

    […] da noite madrilenha, e esse é um ponto que nao posso opinar muito (ela tem ótimas dicas – veja aqui). Tanto esta viagem quanto a do ano passado nao foram viagens de baladas, noitadas e bares (no […]

  6. Um jarro de sangria e as pinturas negras de Goya — Calmantes com Champagne 2.0 Says:

    […] da noite madrilenha, e esse é um ponto que nao posso opinar muito (ela tem ótimas dicas – veja aqui). Tanto esta viagem quanto a do ano passado nao foram viagens de baladas, noitadas e bares (no […]

  7. Ligelena responde « Viagens de Ligelena Says:

    […] por isso. Bom, a noite de Madrid é SENSACIONAL, talvez a coisa mais legal da cidade. Não perca. Aqui nesse post você acha o que eu fiz e aprovei em Madrid, com endereços, link pro Google Maps e tudo. […]

  8. Tina Burnier Says:

    Pessoas,
    Morram de invejinha, pois essa maravilha de pessoa é minha irmã!!!!
    Mas eu divido ela de vez em quando, ok?!
    Bjs Tina

  9. Celta Says:

    Uau Ligia!!!
    Você não só publicou uma das fotos mais bonitas que já tiraram de mim (aquela primeira lá em cima), como também encheu minha bola de uma maneira que nem passo pelas portas agora!!!
    Menina, o prazer de rodar por Madrid contigo foi todo meu! Você é bacana demais, e ainda tem o mesmo bom gosto que eu! Volte sim no ano que vem, estarei esperando!
    E quem quiser dar uma voltas por aqui, é só avisar que a gente ajuda! Servimos bem para servir sempre! :P

  10. Rach Says:

    HAHAHAHAHAHA!! Caolha, ;)

    A Celta é PURO lazer!!!

  11. Giglio Says:

    Cara, encontro de potências. Não tinha como dar errado vocês duas saindo, sério mesmo. :) Curti o relato.

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