Madrid de dia

Madrid foi madrasta comigo. Mas mesmo assim eu fui embora de lá apaixonada! Então fico imaginando: se com frio e chuva Madrid é tão legal, com tempo bom deve ser melhor ainda. É por isso que ano que vem eu pretendo repetir a dose e passar por Madrid de novo. Mas enquanto o ano que vem não chega, vou falar um pouco do que fiz por lá durante o dia.

Eu fiquei hospedada num lugar excelente: do ladinho do Paseo del Prado, que por si só é lindo, e consequentemente perto do Parque del Retiro, do Museo del Prado, do Reina Sofia, da Estação de Atocha, e também do Caixa Forum e do Thyssen Bornemisza (nesses dois últimos eu não fui). Então mesmo com chuva, bastava uma caminhadinha de nada e já estávamos em algum lugar bacana.

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

No primeiro dia fomos ao Reina Sofia. É um dos principais museus de arte moderna da Europa, tem Mirós e Dalis e Lipchitzs etc etc etc E TEM A GUERNICA. Veja bem, eu não sou uma grande conhecedora de arte, obviamente eu gostei do passeio pelo museu todo, o pátio central é muy agradavel, tem esculturas sensacionais, um Calder e tal, mas como pequena conhecedora de arte eu fiquei UAU com a Guernica mesmo. Que é imensa e impactante. E o jeito que ela é exibida, com outras obras contextualizando, com videos e explicações, é muito legal. Dá pra imaginar o impacto que a obra teve na época. E que não se perdeu. Ah, não é permitido fotografar dentro do Reina Sofia, então só tenho fotos de fora. Até porque, que graça tem ficar fotografando obras de arte?

 

O Calder do pátio :~

O Calder do pátio :~

 

No segundo dia nós acordamos e fomos direto para o Museo del Prado. Veja bem, até chegarmos em Madrid, não tínhamos ido a nenhum museu. Estava friozinho e chovendo. Acordar e ir para o Prado foi uma excelente pedida, e eu recomendo fazer isso porque é um museu grande, vale a pena ir descansado.

Bom, se eu tivesse que escolher só um museu pra visitar em Madrid, escolheria o Prado. Nada contra o Reina Sofia (viu Carol?), mas foi no Prado que eu encontrei as obras que eu já conhecia de tanto ver reproduzidas por aí. As obras “famosas”, sabe? E daí foi uma delícia passar a manhã vendo as cores de Rafael, o Jardim das Delícias do Bosch, uns trípticos do El Bosco que pareciam história em quadrinhos, esculturas gregas e romanas e, claro, muito Goya e muito Velázquez. Eu acho que é um bom museu para quem não “entende” de arte mas gosta de arte (meu caso). Ah, dica importante: há máquinas de venda automática de ingresso para o Museu. É o melhor esquema para fugir da fila, caso você não tenha o “passaporte da alegria” dos museus. Dá pra pagar com cartão de crédito. Procure, é do lado esquerdo do museu, no caminho para as bilheterias mesmo.

 

Eu e meu chapa Velazquez

Eu e meu chapa Velazquez

Saímos do Museu morrendo de fome e cometemos um ERRO. Eu já aviso aqui pra você não passar pelo que passamos. A gente resolveu ir comer um sanduíche de jamón no Museo del Jamón. Tem na cidade toda, é mega baratinho e você pode ficar tentado a comer lá, mas EVITE. Na boa, foi a pior coisa que comemos na viagem inteira. Uma baguete com uma fatia de jamón dentro. UMA FATIA. É seco, um horror. Talvez valha a pena passar no Museo del Jamón para comprar jamón pra levar pra casa, ou pra comer outra coisa, mas fuja do bocadillo de jamón. Não vale a economia.

Bão. Saímos de lá frustradas e resolvemos dar uma olhada na estação de Atocha, porque o plano era ir no dia seguinte para Toledo, e o trem sai de lá. Além disso, nosso trem para Barcelona também sairia de lá, então era bom dar uma olhada na estação, fazer um reconhecimento de terreno.

 

Atocha vista do lado de fora

Atocha vista do lado de fora

 

 

E olha, vale a visita. É bem triste lembrar do atentado de 2004, que foi lá, mas não parece haver grandes traumas na população (mas posso estar falando bobagem). A estação é linda e tem aquele curiosíssimo jardim tropical no meio, com trataruguinhas e tudo. 

Atocha vista por dentro

Atocha vista por dentro

Que mais? Também fomos à Plaza Mayor, claro. É um quadrado com nada no meio, mas é incrível como um quadrado com nada no meio pode ser bacana! Desde o século 17 é a principal praça da cidade, era onde ficavam a guilda dos padeiros e a casa de la carniceria, antigo mercado de carnes (ficam uma em frente à outra). Diz que a Plaza Mayor já foi um grande mercado, um teatro ao ar livre e praça de touros, entre outras coisas. Hoje tem uma estátua do Felipe III no centro, e várias lojas, restaurantes e café em volta, nas arcadas. A gente ficou por lá descansando, admirando as construções, olhando as lojinhas e até almoçou num dos restaurantes um dia, mas era inevitável pensar o quanto deve ser mais legal a Plaza Mayor no verão ou em dias de sol. 

 

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Agora, um passeio delícia para fazer em Madri é ir ao Parque del Buen Retiro, ou simplesmente “Retiro”. É o Parque Ibirapuera deles, bem integrado à cidade, mas ao mesmo tempo um super oásis. Você pode ir lá fazer um piquenique, ou se esticar na grama, ou remar no estanque, procurar pelas estátuas e monumentos ou simplesmente fazer nada – vai ser gostoso de qualquer jeito. Se você for na alta primavera, procure pela Rosaleda, é um jardim de rosas que deve ser sensacional quando florido. A gente viu tudo em botão, uma pena…

 

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

Quando estávamos perto do Palácio de Cristal – que é um espaço de exposições dentro do Parque, vimos uma movimentação estranha. Um noivo e uma noiva e toda a entourage estavam tirando fotos na beira do lago em frente ao Palácio. Todos japoneses! Não resisti e cliquei também, estava muito engraçado.

 

"Sorriam e façam V com os dedos!"

"Sorriam e façam V com os dedos!"

Ah, OBRIGATORIO é ir ao Palacio Real. Foi meu palácio favorito na viagem inteira, deixou Versailles no chinelo (depois falo mais sobre isso). É muito legal porque é um Palacio que ainda é usado para cerimônias oficiais, então é bem vivo, não tem tanta cara de museu como os que vimos em Portugal. Alguns dias depois que eu passei por lá o Sarkozy fez uma visita oficial à Espanha e jantou na sala que eu tinha visitado… isso é super bacana! Mas por outro lado restringe um pouco o número de salas abertas à visitação, e se você der o azar de estar lá em um dia de cerimônia,  bye bye visita. Vale a pena se informar antes. 

 

Palacio Real de Madrid -  lindo por fora e por dentro

Palacio Real de Madrid - lindo por fora e por dentro

Bom, você entra no Palácio e cai em um pátio imenso. Tava MUITO frio e chovendo no dia em que fomos lá, e o vento nesse pátio é CRUEL, mas valeu enfrentar isso para ter a vista  dos antigos campos de caça da realeza. Daí começamos a visita pela farmácia real. Uma pena que não permitam fotografar, mas acreditem em mim, é uma belezinha essa farmácia, cheia de vidrinhos e potinhos, todos com os nomes dos produtos, os instrumentos dos farmacêuticos… muito bacana. Mas não prepara ninguém para o palácio de verdade. 

Bom, só a escadaria já é de cair o queixo. Reza a lenda que Napoleão disse “José, você estará melhor que eu” quando deixou o irmão no trono da Espanha. E eu não duvido. É muita riqueza – os afrescos do teto são inexplicáveis. Assim, TEM QUE VER. Daí é uma sala mais linda que a outra, mas as que me deixaram mais passada foram a sala do trono, toda vermelha e imponente, e o salão de gala, que tem uma mesa interminável – foi nessa que foi servido o banquete pro Sarkozy. Eu contei umas 60 cadeiras à mesa, mas dizem que nesse jantar do Sarkozy eles adaptaram para mais de 100 pessoas. UAU.

E daí tem uma outra parte fantástica no Palácio que é a Armaria Real. Quando eu entrei na sala me deu uma sensação esquisitíssima, porque por mais que eu soubesse que as lutas com armaduras que eu sempre vi em filmes existiram na vida real, é diferente quando você vê as armaduras pessoalmente. E na Armaria Real estão expostas MUITAS armaduras – de gente, de cavalo, de cachorro (!), de adulto, de criança – e espadas, revolveres… é demais!

Bom. E andar, andar e andar, né? Nós fomos à Chueca, o “bairro gay” de Madrid, e voltamos passeando. Passamos por Sol, pela Gran Via, vimos a Puerta de Alcalá, passamos pela Calle Fuencarral… Madrid é pequena e plana, o melhor que você pode fazer é descobrir tudo andando, se perdendo e se embrenhando.  Deve ser uma excelente cidade para passar um tempão descobrindo coisinhas. Me arrependi um pouco de ter reservado só 4 dias…

 

Puerta de Alcala

Puerta de Alcala

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2 Respostas to “Madrid de dia”

  1. Ligelena responde « Viagens de Ligelena Says:

    […] madrid o q visitar? – Museu do Prado, Reina Sofia e Thyssen Bornemisza, Parque del Retiro, Paseo del Prado, Palacio Real (obrigatório!!!)… eu juntei tudo o que fiz de dia em Madrid aqui nesse post.  […]

  2. Edewal Nunes Says:

    Afinal foram retomadas as viagens.
    Espero, para o bem do blog, que a licença médica venha a ser prorrogada.

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