A noite Lisboeta

 

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Eu estava quase fechando o capítulo “Portugal” deste blog quando me toquei que não tinha falado nada sobre minhas aventuras noturnas por Lisboa! Um absurdo, porque saí três vezes por lá, e se não foi a melhor cidade em termos de vida noturna das minhas férias, pelo menos me rendeu bastante diversão.

Pois bem, já digo que eu não fui na Lux. Naaaah não fui mesmo. Música eletrônica não é das preferidas da casa, e eu não gosto desses lugares esnobes em que hostess e seguranças dizem quem deve entrar e quem não deve. E além disso eu fui pra lá num esquema econômico, se fosse torrar meus eurinhos seria em vinhos e cervejas, e não em entrada de boate. Mas todo mundo diz que a Lux é um dos melhores clubes da Europa, então se você curte esse esquema de boate badalada, se joga. :)

Também não fui nos bares/boates das Docas, nem nas casas noturnas do Parque das Nações. “Mas que diabos, onde você foi afinal?”. Bom, vamos lá.

Na primeira noite, logo que chegamos a Lisboa, resolvemos bater perna pelo Bairro Alto (que os lisboetas chamam carinhosamente de “Bairro”).  É tipo uma Vila Madalena, em São Paulo, ou uma Lapa, no Rio – uma sucessão de bares, ruas tomadas de gente de todas as idades e estilos bebendo suas cervejinhas… bem divertido. A gente andou, andou e andou, e chegou na Tasca do Chico, que fica na Rua Diario de Notícias, 39. 

 

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Se fosse no Brasil, seria o Boteco do Chico, ou o Bar do Chico. Igualzinho aos nossos pés-sujos. A diferença é que lá, às segundas e quartas, rola o chamado FADO VADIO. Que é praticamente um karaokê de alto nível. As pessoas que gostam e sabem cantar fado ficam circulando pelos bares do Bairro e param nos que tem música ao vivo. Daí a banda toca e o cantor solta a voz. Uma, duas, três ou quatro músicas, quando muito. Ganha seus aplausos, e parte para outro bar. Os cantores são amadores, mas todo mundo fica quietinho e respeita a apresentação, que geralmente é ótima. Entre um cantor e outro, as luzes do bar são acesas e você come e bebe e bate papo e dá risada numa boa. Eu adorei a experiência, sou super contra esses shows de música típica, tipo show de tango ou de flamenco, então essa chance de ouvir um fado TRU foi legal demais. A Tasca do Chico não cobra entrada, nem consumação, e não exige reservas. Se você quiser jantar, ou beber sentadinho, chegue cedo. Senão, se aperte no balcão. E procure a Flavia, garçonete brasileira gente boa :D

Daí minha segunda noitada foi a festa do Couchsurfing na casa da Aoife, que eu já comentei no post sobre Belém. Como não tem como recomendar essa festa, porque ela não deve virar pública tão cedo, vou aproveitar para comentar a experiência de sair à noite sozinha por Lisboa. Confesso que fiquei com um mini-medinho.  A festa começava cedo, às 20h, e eu resolvi que ia ir e voltar de metro e seja lá o que fosse. A estação do metro ficava a cerca de 800m do apartamento onde estávamos. Para ir foi tranquilo, claro, era cedo. Fui lá, fiquei de olho no relógio, e quando deu meia noite e pouco corri pro metro. Cheguei na “minha” estação e aquele deserto… respirei fundo e comecei a andar para casa. Medo, né? Em São Paulo eu até ando sozinha de madrugada, mas sempre muito tensa. Fui andando, cruzei com uns caras e tal… e tudo tranquilo. Passsei por um bando de homens que estavam bebendo num bar, e não ouvi nenhuma gracinha (será que eu tou baranga ou eles não falam baixaria? :P). Cheguei em casa sã e salva. E impressionada com a falta de riscos de andar sozinha de madrugada por Lisboa. Muito bom! :D

Bom, que mais? Voltei no Bairro outra noite, com uma amiga-de-amiga que foi querida o bastante pra me levar pra beber numa sexta a noite. Ela, estudante, já me recebeu dizendo: “vou te levar no bar com a cerveja mais barata do Bairro Alto, bora pro Pinguim!” Bora, claro. 

No caminho ela me explicou que “Pinguim” não era o nome do bar, mas sim o jeito que ela ficava quando ia a esse bar. Porque o lance é pegar a garrafa de um litro de Superbock no bar (custa 2 euros!) e beber na rua. Só que a rua é estreita e lotada, então para garantir que a garrafa não vai ser chutada por ninguém, o lance é enfiar ela entre as pernas. E quando passa carro, ou pior, caminhão de lixo, só resta ir andando com a garrafa entre as pernas, com passos curtos que nem pinguim, pra se espremer contra os muros e paredes. 

Este momento do aperto também é ideal para se encostar naquele gatsinho espanhol (ou alemão ou belga ou angolano ou até brasileiro) que está por lá. É que esse bar é famoso por ser frequentado pelos estudantes de Lisboa, em especial pelos do Erasmus, aquele programa de intercambio europeu famosão – se você assistiu “Albergue Espanhol” sabe do que estou falando. Bom, é gente jovem, bonita e animada, cerveja barata, diversão. Só que quando dá 2h da manhã… FUEN. As luzes do Bairro Alto são apagadas, os bares fecham e a farra acaba. Triste, né? Bom, se você quiser ir nesse bar, fica na Rua Diario de Noticias também, mas lá em cima. Eu não tenho certeza se é o Mezcal, mas você vai ver, é o bar com a cerveja mais barata ;)

Daí me restou seguir os amigos recém-feitos naquela noite. Fomos para um clubinho chamado Incognito, que tinham me recomendado para ouvir as indiezices que eu gosto. Chegamos lá, a hostess deixou entrarmos sem pagar entrada (uhul), e… eu estava esperando um inferninho escuro, e entrei numa BOATE, com luzes piscantes. Mas beleza. Pendurei meu casaco num ganchinho (desapego, Brasil! Quando eu voltei o casaco tava lá direitinho) e fui dançar. O DJ não era dos melhores, a cerveja era cara, mas deu pra fechar a noite que já estava divertida. Daí deu 5h, e FUEN, acenderam as luzes. Adeus, adeusinho, a noitada acabou. Lá não tem dessas de “até o último cliente”. Uma pena, porque eu bem ficaria dançando aquelas músicas até de manhã.

E agora sim, TCHAU, Lisboa… o próximo post já vai ser madrileño ;)

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Uma resposta to “A noite Lisboeta”

  1. Manuel Says:

    O LUX é uma experiência ultra-ultra-ultra sensorial…amanhecer a dançar com o céu azul da madrugada diluido no rio! E o incógnito…o pessoal da minha faculdade ia muito, eu nunca fui fã…e há muito mais!

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