Archive for maio \28\UTC 2009

Madrid de noite

28 de maio de 2009

 

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

Esse aí é o La Via Lactea, bombando!

 

 

Eu sou uma pessoa de sorte. Arranjei a melhor guia POSSÍVEL para me levar pela noite de Madri. O nome dela é Carol, e eu a conheci há alguns anos, porque ela é amiga do meu ex-namorado. Quando eu a conheci, ela estava de partida para morar em Madrid, e quando soube que eu iria para lá, foi a pessoa mais gentil do mundo: pediu para eu contar para ela o que eu gostava de fazer e o que eu queria ver na cidade, que ela ia providenciar um tour. Me deu seu número de telefone e prometeu que ia mesmo me levar para passear.

E assim foi. Cheguei em Madrid, fui passear durante o dia, e conforme a noite foi chegando liguei para ela. “Oi, não tá cansada demais não? Quer sair mesmo?” Tsc. Mal sabia eu que a Carol é animadíssima. Que eu, em férias, ia me cansar mais do que ela. Porque segundo um amigo que a gente tem em comum, ela é a pessoa “mais boêmia do mundo”. E deve ser mesmo. Então vou contar o que a gente fez pelas noites de Madrid, e você pode seguir as dicas de olhos fechados, porque são dicas de uma quase-madrileña, que mora lá há uns 3 anos e que é a pessoa mais boêmia do mundo.

Ela ainda foi gentil o bastante para me mandar por e-mail todos os lugares por onde passamos, com comentários! Tomo a liberdade de reproduzir alguns aqui e agradecer pela milésima vez: Madrid não teria sido tão bacana sem ela. Talvez eu nem pensasse em voltar pra lá ano que vem para passar pelo menos um fim de semana de noitadas intensas com a Carol. Menina, você devia virar guia turística da noite madrileña e ganhar dinheiro com isso! Mil vezes obrigada :)

 

Obrigada, obrigada, obrigada :D

Obrigada, obrigada, obrigada :D

 

 

Vamos lá. Tenho poucas fotos dos lugares, por razões etílicas, mas então vou DECORAR o post com fotos da dupla pela noite – até que somos bonitinhas.

 

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

Não OUSE dizer que não somos bonitinhas. Hunfs.

 

 

Na primeira noite que nos levou para passear, Carol começou pela taberna Los Gatos (Calle de Jesus, 2), que era bem pertinho do nosso hotel, mas que curiosamente eu nunca mais consegui encontrar (ah, o álcool).  Fomos fazer um programa tipicamente madrileño, beber caña na barra – ou seja, cerveja no balcão. A decoração é toda típica, diz que o dono da taberna é um (ex?) toureiro, então tem cartazes com a programação das touradas. Tem tapas e tostas bem típicas, e eu adorei! Segundo a Carol: “Com a localização e a fama que tem, esse lugar é uma armadilha para turistas, mas a decoração é divertida, a comida é gostosa, e é bastante madrileña”. Bom, eu chamaria de armadilha se alguma coisa lá fosse ruim, mas muito pelo contrário, foi tudo ótimo! :)

De lá fomos a uma taberna galega (tipicamente da Galícia), o Maceiras (Calle de Jesus, 7) . Aqui você pode se delíciar com coisinhas do mar, mas se você for como eu, que não curte muito, não se preocupe, há opções! Minha mãe comeu um pulpo a la gallega que devia estar sensacional. Carol e eu comemos uma carninha INCRIVEL com pimientos de padrón. Carol diz que “unos picam, otros no” – no meu caso nenhum picou, e estavam incrivelmente saborosos, com um salzinho grosso por cima… nham. Comemos queijo, bebemos vinho, batemos papo, e… já estava na hora de levantar para ir para o próximo lugar.

Sim, porque isso é o mais legal na noite de Madrid – pelo menos eu achei. Você não fica muito tempo num lugar só. Chega num bar, bebe umas duas ou três cañas e parte para o próximo. E vai andando e aproveitando o melhor de cada lugar. É engraçado porque você acaba até encontrando as mesmas pessoas em lugares diferentes – o que pode ser bom ou ruim, né? ;). Ah, o preço do que é servido na barra é mais baixo que a mesma coisa servida na mesa – acho que por isso as pessoas curtem também ficar bebendo em pé.

Do Maceiras saímos andando, passamos pela Plaza de Santa Ana, que é linda e deve bombar no calor, e fomos em direçao a Puerta del Sol (isso quem disse foi a Carol, eu não fazia a menor idéia de onde estava, hah). Para a primeira noite estava mais que bom – a gente tinha madrugado para pegar o voo para Madrid, e Carol tinha acordado cedo para trabalhar, então combinamos que continuaríamos o passeio em outra noite.

 

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

Já sem batom, já toda errada, na última BOATE da noite

E assim foi! Na segunda noite em que fomos passear, minha mãe queria porque queria assistir a um espetáculo de flamenco. Mas eu não, rarara. Então encontramos a Carol com a seguinte proposta: faríamos um “esquenta” pré-flamenco todas juntas. Daí deixaríamos minha mãe no espetáculo e iríamos beber e fofocar sozinhas. Depois resgataríamos mamãe para terminar a noite todas juntas e bêbadas! Tchans! Assim foi.

Primeiro fomos ao La Musa de Espronceda (Calle Santa Isabel, 17), um lugar muito lindinho e aconchegante. “Jantamos” tapas de solomillo con mermelada de frambuesa, o que eu recomendo FORTEMENTE, estavam deliciosas. Só de lembrar eu salivo. Bebemos uns vinhozinhos – que alegria sair para lugares onde o vinho é mais barato que o refrigerante – e seguimos para o Plaza Menor.

Meninas, eu não sei se demos sorte ou se ele está sempre por lá, mas tem um bartender do Plaza Menor (Calle de Gómez de Mora, 3) que foi simplesmente um dos caras mais lindos que eu vi na viagem toda. Hah. Preciso falar mais alguma coisa? Bom, como se não bastasse tanta beleza, o bar é bem lindo, bebemos mais vinho e comemos os petisquinhos que nos ofereceram. Ah, tem isso em Madrid também: em vários lugares você pede uma bebida e ganha uma porçãozinha de tapas, oferta da casa. Podem ser nuts, ou azeitonas (as melhores da minha vida comi em Madrid, fica a dica), ou uns queijinhos… 

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas minha mãe queria ver flamenco. Carol levou ela até o Las Carboneras (Plaza del Conde de Miranda, 1), enquanto eu fiquei tomando conta de nossos vinhos e do bonitão ;). Mamãe gostou muito do espetáculo, que é um showzinho intimista, nada muito grandioso e cafona. Ela recomenda. 

Enquanto uma se divertia com o flamenco, nós fomos beber mais! Carol me apresentou um dos favoritos dela, o Anti-Cafe (Calle Union, 2), que é realmente muito bacana, com poltroninhas e sofás e trilha sonora excelente (tocou CSS enquanto estávamos lá, o que não é exatamente excelente, mas pelo menos não era Beyoncé en español, que eu ouvi no aeroporto). Batemos papo, fofocamos, bebemos cervejinhas e um Ruso Blanco. Sim, isso mesmo que você está pensando. Um white russian. Que eles chamam de Ruso Blanco. Aceite a realidade espanhola, eles traduzem até os nomes dos príncipes da Inglaterra, por que não traduziriam o pobre white russian? :) 

Vocês conseguem imaginar como já estávamos? Tudo isso em uma noite só! Resgatamos minha mãe (que também continuou bebericando no flamenco) e fomos ao Lamiak (Calle Cava Baja, 42), provavelmente meu lugar preferido da noite. Bom, nós chegamos lá e a galera estava dançando! Veja bem, é um bar, não uma boate, e mesmo assim tinha gente pulando com os braços pra cima, e os bartenders dançando também, felizes da vida. Que lugar ótimo! Minha mãe queria sangria e eles não tinham, então prepararam para ela um tinto de verano INESQUECÍVEL, muito caprichado mesmo. Carol e eu seguimos no vinhozinho, fizemos amigos suecos e demos muita risada.

Pra curar a bebedeira, nada melhor do que voltar para casa à pé, na chuva e com um friozinho de 3 graus. Mas eu não mudaria nada desta noite!

 

No Tupperware dançando e rodando!

No Tupperware dançando e rodando!

 

 

Para minha última noite em Madrid, Carol e eu tínhamos planejado DESTRUIÇÃO. Era uma quinta-feira, noite em que Madrid começa a ferver de verdade, e eu queria conhecer as pistas de dança e a NAITE propriamente dita. Deixei mamãe dormindo no hotel e segui de metrô para encontrar Carol.

Embora Madrid seja maior que Lisboa, e por isso não inspire taaaanta segurança, andar sozinha por lá foi muitíssimo tranquilo também. Para quem vive em São Paulo, ou no Rio, qualquer lugar é tranquilo, né? Pois bem, peguei o metrô sozinha da silva e fui encontrar Carol. Já na saída do metrô Tribunal fui cercada por orientais querendo vender cerveja – aparentemente “quente”. Declinei e fiquei observando a fauna local enquanto esperava. É engraçado, com a globalização todo mundo se veste e se comporta meio igual, e aquilo bem podia ser a saída do metrô Consolação na sexta a noite.

Carol chegou e seguimos para um restaurante/bar mexicano chamado La Catrina (Calle Corredera Alta de San Pablo, 13), muito bacana. Dá para passar horas olhando a decoração bizarra do lugar, cheia de bonequinhos, um mais inusitado que o outro. Comemos nachos e bebemos Negra Modelo, cervejinha booooa, finalmente! Batemos papo com o barmen brasileiro, ouvimos umas musiquinhas boas e já estávamos prontas para a primeira parada.

O La Via Lactea (Calle Velarde, 18) é um lugar antiguinho, da época da Movida Madrileña, era um dos lugares preferidos do Almodovar na década de 80. É engraçadíssimo, porque a decoração é toda futurística a la Hans Donner e Hajime Sorayama, sabe? Futurismo do passado. Quando chegamos estava vazio, e aos poucos foi enchendo e enchendo e enchendo. A Carol disse que lá geralmente o som é mais classic rock, mas na noite que a gente foi estava diferente, com uns blacks e souls. Eu curti. Nas TVzinhas, filmes de terror toscos. Ficamos lá bebendo San Miguel, fizemos um amiguinho catalão, nos divertimos bastante. Mas em Madrid, faça como os madrileños. Rumo à próxima parada.

 

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Um dos amiguinhos da noite, com uma camiseta intrigante

Fomos a um dos favoritos da Carol, o Tupperware (Corredera Alta de San Pablo, 26), que também foi meu preferido da noite e o que mais se assemelhou com os inferninhos que eu costumo frequentar em São Paulo. Pistinha quente e animada, dançamos Killers e Arcade Fire e outras coisinhas, fizemos amiguinhos, revimos algumas pessoas que estavam no La Via Lactea… estava muito bom e por nós ficaríamos lá até amanhecer, mas os bares na Europa tem o péssimo hábito de fechar na hora que tem que fechar, e no caso do Tupperware era umas 3h30. Aaaaaaaah. Mas eu recomendo o lugar, talvez dê pra aproveitar mais chegando um pouquinho mais cedo, mas daí vai do que você quer: pular de bar em bar ou curtir bastante um lugar só? Faça sua escolha e não se arrependa dela, você se diverte dos dois jeitos ;).

Como a gente queria ver o sol nascer (rarara), fomos com nossos recém amiguinhos para uma BOATE, assim, com letra maiúscula. Uma das que eu não via há anos, com várias pistas e ambientes. O nome dela é BarCo (Calle del Barco, 34). Dançamos bastante, fomos paqueradas por ciganos (hahahahaha), bebemos mais um tanto e… gente, já eram umas 5h30. A Carol tinha que trabalhar e eu tinha que pegar meu trem para Barcelona logo cedinho!

Resolvemos dar tchauzinho para a noite madrileña em um lugar bem tradicional: a Chocolateria San Ginés (Pasadizo de San Ginés, 5), para onde vão várias pessoas depois das noitadas. A gente estava tão cansada que mal conseguia falar. Tomamos um chocolate com churros e cada uma foi para seu lado.

Saldo da noite? Carol derrubada no dia seguinte. E eu PERDI meu trem para Barcelona, hahahaha. Mas essa história eu conto depois.

A real é que a noite de Madrid é DEMAIS. Sério, eu fiquei apaixonada. Claro que sem as dicas precisas da Carol não seria tão bom, e já que ela ainda não oferece seus serviços para qualquer um eu compilei alguns lugares muito legais aqui. Faça bom proveito!

Anúncios

Madrid de dia

27 de maio de 2009

Madrid foi madrasta comigo. Mas mesmo assim eu fui embora de lá apaixonada! Então fico imaginando: se com frio e chuva Madrid é tão legal, com tempo bom deve ser melhor ainda. É por isso que ano que vem eu pretendo repetir a dose e passar por Madrid de novo. Mas enquanto o ano que vem não chega, vou falar um pouco do que fiz por lá durante o dia.

Eu fiquei hospedada num lugar excelente: do ladinho do Paseo del Prado, que por si só é lindo, e consequentemente perto do Parque del Retiro, do Museo del Prado, do Reina Sofia, da Estação de Atocha, e também do Caixa Forum e do Thyssen Bornemisza (nesses dois últimos eu não fui). Então mesmo com chuva, bastava uma caminhadinha de nada e já estávamos em algum lugar bacana.

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

O Reina Sofia visto de fora. Essa praça aí na frente é bacaninha :)

No primeiro dia fomos ao Reina Sofia. É um dos principais museus de arte moderna da Europa, tem Mirós e Dalis e Lipchitzs etc etc etc E TEM A GUERNICA. Veja bem, eu não sou uma grande conhecedora de arte, obviamente eu gostei do passeio pelo museu todo, o pátio central é muy agradavel, tem esculturas sensacionais, um Calder e tal, mas como pequena conhecedora de arte eu fiquei UAU com a Guernica mesmo. Que é imensa e impactante. E o jeito que ela é exibida, com outras obras contextualizando, com videos e explicações, é muito legal. Dá pra imaginar o impacto que a obra teve na época. E que não se perdeu. Ah, não é permitido fotografar dentro do Reina Sofia, então só tenho fotos de fora. Até porque, que graça tem ficar fotografando obras de arte?

 

O Calder do pátio :~

O Calder do pátio :~

 

No segundo dia nós acordamos e fomos direto para o Museo del Prado. Veja bem, até chegarmos em Madrid, não tínhamos ido a nenhum museu. Estava friozinho e chovendo. Acordar e ir para o Prado foi uma excelente pedida, e eu recomendo fazer isso porque é um museu grande, vale a pena ir descansado.

Bom, se eu tivesse que escolher só um museu pra visitar em Madrid, escolheria o Prado. Nada contra o Reina Sofia (viu Carol?), mas foi no Prado que eu encontrei as obras que eu já conhecia de tanto ver reproduzidas por aí. As obras “famosas”, sabe? E daí foi uma delícia passar a manhã vendo as cores de Rafael, o Jardim das Delícias do Bosch, uns trípticos do El Bosco que pareciam história em quadrinhos, esculturas gregas e romanas e, claro, muito Goya e muito Velázquez. Eu acho que é um bom museu para quem não “entende” de arte mas gosta de arte (meu caso). Ah, dica importante: há máquinas de venda automática de ingresso para o Museu. É o melhor esquema para fugir da fila, caso você não tenha o “passaporte da alegria” dos museus. Dá pra pagar com cartão de crédito. Procure, é do lado esquerdo do museu, no caminho para as bilheterias mesmo.

 

Eu e meu chapa Velazquez

Eu e meu chapa Velazquez

Saímos do Museu morrendo de fome e cometemos um ERRO. Eu já aviso aqui pra você não passar pelo que passamos. A gente resolveu ir comer um sanduíche de jamón no Museo del Jamón. Tem na cidade toda, é mega baratinho e você pode ficar tentado a comer lá, mas EVITE. Na boa, foi a pior coisa que comemos na viagem inteira. Uma baguete com uma fatia de jamón dentro. UMA FATIA. É seco, um horror. Talvez valha a pena passar no Museo del Jamón para comprar jamón pra levar pra casa, ou pra comer outra coisa, mas fuja do bocadillo de jamón. Não vale a economia.

Bão. Saímos de lá frustradas e resolvemos dar uma olhada na estação de Atocha, porque o plano era ir no dia seguinte para Toledo, e o trem sai de lá. Além disso, nosso trem para Barcelona também sairia de lá, então era bom dar uma olhada na estação, fazer um reconhecimento de terreno.

 

Atocha vista do lado de fora

Atocha vista do lado de fora

 

 

E olha, vale a visita. É bem triste lembrar do atentado de 2004, que foi lá, mas não parece haver grandes traumas na população (mas posso estar falando bobagem). A estação é linda e tem aquele curiosíssimo jardim tropical no meio, com trataruguinhas e tudo. 

Atocha vista por dentro

Atocha vista por dentro

Que mais? Também fomos à Plaza Mayor, claro. É um quadrado com nada no meio, mas é incrível como um quadrado com nada no meio pode ser bacana! Desde o século 17 é a principal praça da cidade, era onde ficavam a guilda dos padeiros e a casa de la carniceria, antigo mercado de carnes (ficam uma em frente à outra). Diz que a Plaza Mayor já foi um grande mercado, um teatro ao ar livre e praça de touros, entre outras coisas. Hoje tem uma estátua do Felipe III no centro, e várias lojas, restaurantes e café em volta, nas arcadas. A gente ficou por lá descansando, admirando as construções, olhando as lojinhas e até almoçou num dos restaurantes um dia, mas era inevitável pensar o quanto deve ser mais legal a Plaza Mayor no verão ou em dias de sol. 

 

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Plaza Mayor - um quadrado com nada no meio

Agora, um passeio delícia para fazer em Madri é ir ao Parque del Buen Retiro, ou simplesmente “Retiro”. É o Parque Ibirapuera deles, bem integrado à cidade, mas ao mesmo tempo um super oásis. Você pode ir lá fazer um piquenique, ou se esticar na grama, ou remar no estanque, procurar pelas estátuas e monumentos ou simplesmente fazer nada – vai ser gostoso de qualquer jeito. Se você for na alta primavera, procure pela Rosaleda, é um jardim de rosas que deve ser sensacional quando florido. A gente viu tudo em botão, uma pena…

 

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

O estanque do Parque del Retiro. Dá para alugar barquinhos para remar!

Quando estávamos perto do Palácio de Cristal – que é um espaço de exposições dentro do Parque, vimos uma movimentação estranha. Um noivo e uma noiva e toda a entourage estavam tirando fotos na beira do lago em frente ao Palácio. Todos japoneses! Não resisti e cliquei também, estava muito engraçado.

 

"Sorriam e façam V com os dedos!"

"Sorriam e façam V com os dedos!"

Ah, OBRIGATORIO é ir ao Palacio Real. Foi meu palácio favorito na viagem inteira, deixou Versailles no chinelo (depois falo mais sobre isso). É muito legal porque é um Palacio que ainda é usado para cerimônias oficiais, então é bem vivo, não tem tanta cara de museu como os que vimos em Portugal. Alguns dias depois que eu passei por lá o Sarkozy fez uma visita oficial à Espanha e jantou na sala que eu tinha visitado… isso é super bacana! Mas por outro lado restringe um pouco o número de salas abertas à visitação, e se você der o azar de estar lá em um dia de cerimônia,  bye bye visita. Vale a pena se informar antes. 

 

Palacio Real de Madrid -  lindo por fora e por dentro

Palacio Real de Madrid - lindo por fora e por dentro

Bom, você entra no Palácio e cai em um pátio imenso. Tava MUITO frio e chovendo no dia em que fomos lá, e o vento nesse pátio é CRUEL, mas valeu enfrentar isso para ter a vista  dos antigos campos de caça da realeza. Daí começamos a visita pela farmácia real. Uma pena que não permitam fotografar, mas acreditem em mim, é uma belezinha essa farmácia, cheia de vidrinhos e potinhos, todos com os nomes dos produtos, os instrumentos dos farmacêuticos… muito bacana. Mas não prepara ninguém para o palácio de verdade. 

Bom, só a escadaria já é de cair o queixo. Reza a lenda que Napoleão disse “José, você estará melhor que eu” quando deixou o irmão no trono da Espanha. E eu não duvido. É muita riqueza – os afrescos do teto são inexplicáveis. Assim, TEM QUE VER. Daí é uma sala mais linda que a outra, mas as que me deixaram mais passada foram a sala do trono, toda vermelha e imponente, e o salão de gala, que tem uma mesa interminável – foi nessa que foi servido o banquete pro Sarkozy. Eu contei umas 60 cadeiras à mesa, mas dizem que nesse jantar do Sarkozy eles adaptaram para mais de 100 pessoas. UAU.

E daí tem uma outra parte fantástica no Palácio que é a Armaria Real. Quando eu entrei na sala me deu uma sensação esquisitíssima, porque por mais que eu soubesse que as lutas com armaduras que eu sempre vi em filmes existiram na vida real, é diferente quando você vê as armaduras pessoalmente. E na Armaria Real estão expostas MUITAS armaduras – de gente, de cavalo, de cachorro (!), de adulto, de criança – e espadas, revolveres… é demais!

Bom. E andar, andar e andar, né? Nós fomos à Chueca, o “bairro gay” de Madrid, e voltamos passeando. Passamos por Sol, pela Gran Via, vimos a Puerta de Alcalá, passamos pela Calle Fuencarral… Madrid é pequena e plana, o melhor que você pode fazer é descobrir tudo andando, se perdendo e se embrenhando.  Deve ser uma excelente cidade para passar um tempão descobrindo coisinhas. Me arrependi um pouco de ter reservado só 4 dias…

 

Puerta de Alcala

Puerta de Alcala

Madrid – pra começar

19 de maio de 2009

 

Oi Madri :)

Oi Madri :)

Eu disse lá no comecinho, mas acho válido lembrar aqui que a Espanha só entrou no meu roteiro de viagem porque estava no meio do caminho entre Portugal e França. Assim… não é que eu não quisesse conhecer a Espanha, mas na minha listinha de prioridades, ela não era nem top 5. Mas havia tempo, e era pertinho… por que não?

Então eu fui para Madrid com expectativas baixíssimas. Claro que também pesquisei sobre a cidade, e me animei com algumas possibilidades, comprei um guiazinho, etc e tal, mas estaria mentindo se dissesse que estava tão ansiosa pela Espanha como estava por Portugal e Paris.

Daí a gente chegou. Vale avisar que o aeroporto de Barajas, que é o grandão de Madrid, é uma coisa bizarramente gigante. Imaginem vocês que há um terminal, o T4, que é exclusivo da Iberia. E mesmo DENTRO deste terminal, mesmo pegando o trenzinho, se você for fazer uma conexão pode levar quase meia hora só se deslocando de um portão ao outro. Eu devia parecer uma caipira, foi o maior aeroporto que eu vi na minha vida. E isso porque eu só vi um terminal. Mas enfim. Só pra avisar que Barajas é uma enormidade.

 

Até a esteira de bagagem é superlativa.

Até a esteira de bagagem é superlativa.

Mas como em qualquer cidade minimamente civilizada, você consegue sair do aeroporto usando transporte público numa boa. Siga as plaquinhas do metrô – que em Madrid é realmente muito bom – e pronto, você chega a qualquer lugar. A maior parte das estações tem elevador ou escada rolante, mas algumas não tem, então lembre-se das dicas sobre malas.  Para sair do aeroporto (ou para chegar nele) de metro você vai gastar 2 euros, se não me engano.

Importante: prepare-se para exercitar seu espanhol ou enrolar no portunhol, pois como me disseram e eu pude constatar, os espanhóis não falam inglês, lamento. Mas obviamente você, brasileirinho cheio de ginga, vai super conseguir se virar por lá.

 

Vai uma porra recheada de chocolate aí?

Vai uma porra recheada de chocolate aí?

Em diversos aspectos Madrid me lembrou  São Paulo. Primeiro porque se alguém te pergunta “o que você vai visitar em Madrid?”, dificilmente você terá uma resposta na ponta da língua. Em Paris, visita-se a Torre Eiffel ou o Arco do Triunfo. Em Londres, você vê o Big Ben, o Parlamento. No Rio, o Cristo Redentor ou o Pão de Açucar. E em São Paulo? E em Madrid? O que faz o coração dessas cidades bater não são pontos turísticos, mas sim museus, bares, restaurantes, parques, coisas que talvez você não lembre de bate-pronto, mas que claro que podem ser muitíssimo marcantes.

Depois porque é uma cidade cosmopolita, agitada, de negócios e famosa por sua vida noturna. E pra completar, Madrid nos recebeu com céu cinza, chuva e friozinho. São Paulo, gente! 

 

Olha que nuvens familiares para uma paulistana

Olha que nuvens familiares para uma paulistana

Bom, nós ficamos 4 noites em Madrid, naquele hotel que eu já contei para vocês. Demos um azar danado, o tempo esteve péssimo na maior parte dos dias, e chegamos a pegar 4 graus na madrugada. Considerando que era primavera, foi bem atípico. Mas a chuva não nos impediu de curtir para caramba a cidade. Só demos uma escapadinha, para Toledo, o que no fim das contas não foi muito legal, mas isso eu conto mais pre frente.

Madrid é mais cara que Lisboa, mas não muito. Pode ir sossegado porque dá para almoçar, jantar, beber e ser feliz. Vale lembrar que os horários dos espanhóis são meio malucos: a manhã vai até umas 14h, a tarde até umas 20h e a noite só Deus sabe. Então, se quiser almoçar como os espanhóis, é depois das 14h. Em compensação você pode acordar tarde e tomar café da manhã sem culpa. E se bater uma vontadinha de tomar cerveja no café da manhã, pode se jogar: eles não vão olhar torto.

Ah, outra coisa importante. Tirando os lugares turisticos, tudo fecha entre 14h e 17h. É a siesta, meu bem: serious business. Não estranhe as portas fechadas, tente se adaptar aos horários deles e em pouco tempo você vai sacar que eles sim sabem viver!

O transporte: eu andei muito à pé. Muito mesmo. Acho que só peguei metro umas 3 vezes. Mas daí você que sabe se tem pique ou não. De qualquer forma, o transporte público lá parece funcionar muito bem. Além do metrô, que eu já disse, diz que os ônibus são pontualíssimos e excelentes. 

A cerveja: bom, nessa altura do campeonato eu já estava abandonando a loira gelada e aderindo à turma do vinho, mas em Madri você vai encontrar pelo menos duas cervejas razoáveis: meio fraquinhas, mas que não comprometem: a Mahou (lê-se MAOU) e a San Miguel. Se você for pedir um copo de cerveja em algum lugar, peça uma CAÑA. Se for pedir uma long neck na boate, peça um TERCIO (acho que é isso). Vinho, é una copa de viño, e não una taza, pelamordedeus.

A comida: bom, eu mais tapeei do que comi comida em Madrid. Para quem não sabe, tapear é comer tapas, que são porçõezinhas de comida que você come numa bocada só. Mas se você quiser almoçar, há menus do dia por 8 ou 10 euros, com prato, sobremesa e bebida. Mais pra frente eu vou falar dos lugares aonde fui e das coisas que comi, porque comer e beber bem é bom demais em Madrid.

 

E a noite, ahhhh a noite de Madri

E a noite, ahhhh a noite de Madri

A noite Lisboeta

12 de maio de 2009

 

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Feshtinha no vigésimo sexto, lua cheia sobre o Tejo... ai ai

Eu estava quase fechando o capítulo “Portugal” deste blog quando me toquei que não tinha falado nada sobre minhas aventuras noturnas por Lisboa! Um absurdo, porque saí três vezes por lá, e se não foi a melhor cidade em termos de vida noturna das minhas férias, pelo menos me rendeu bastante diversão.

Pois bem, já digo que eu não fui na Lux. Naaaah não fui mesmo. Música eletrônica não é das preferidas da casa, e eu não gosto desses lugares esnobes em que hostess e seguranças dizem quem deve entrar e quem não deve. E além disso eu fui pra lá num esquema econômico, se fosse torrar meus eurinhos seria em vinhos e cervejas, e não em entrada de boate. Mas todo mundo diz que a Lux é um dos melhores clubes da Europa, então se você curte esse esquema de boate badalada, se joga. :)

Também não fui nos bares/boates das Docas, nem nas casas noturnas do Parque das Nações. “Mas que diabos, onde você foi afinal?”. Bom, vamos lá.

Na primeira noite, logo que chegamos a Lisboa, resolvemos bater perna pelo Bairro Alto (que os lisboetas chamam carinhosamente de “Bairro”).  É tipo uma Vila Madalena, em São Paulo, ou uma Lapa, no Rio – uma sucessão de bares, ruas tomadas de gente de todas as idades e estilos bebendo suas cervejinhas… bem divertido. A gente andou, andou e andou, e chegou na Tasca do Chico, que fica na Rua Diario de Notícias, 39. 

 

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Qualquer semelhança com nossos botecos não é mera coincidência

Se fosse no Brasil, seria o Boteco do Chico, ou o Bar do Chico. Igualzinho aos nossos pés-sujos. A diferença é que lá, às segundas e quartas, rola o chamado FADO VADIO. Que é praticamente um karaokê de alto nível. As pessoas que gostam e sabem cantar fado ficam circulando pelos bares do Bairro e param nos que tem música ao vivo. Daí a banda toca e o cantor solta a voz. Uma, duas, três ou quatro músicas, quando muito. Ganha seus aplausos, e parte para outro bar. Os cantores são amadores, mas todo mundo fica quietinho e respeita a apresentação, que geralmente é ótima. Entre um cantor e outro, as luzes do bar são acesas e você come e bebe e bate papo e dá risada numa boa. Eu adorei a experiência, sou super contra esses shows de música típica, tipo show de tango ou de flamenco, então essa chance de ouvir um fado TRU foi legal demais. A Tasca do Chico não cobra entrada, nem consumação, e não exige reservas. Se você quiser jantar, ou beber sentadinho, chegue cedo. Senão, se aperte no balcão. E procure a Flavia, garçonete brasileira gente boa :D

Daí minha segunda noitada foi a festa do Couchsurfing na casa da Aoife, que eu já comentei no post sobre Belém. Como não tem como recomendar essa festa, porque ela não deve virar pública tão cedo, vou aproveitar para comentar a experiência de sair à noite sozinha por Lisboa. Confesso que fiquei com um mini-medinho.  A festa começava cedo, às 20h, e eu resolvi que ia ir e voltar de metro e seja lá o que fosse. A estação do metro ficava a cerca de 800m do apartamento onde estávamos. Para ir foi tranquilo, claro, era cedo. Fui lá, fiquei de olho no relógio, e quando deu meia noite e pouco corri pro metro. Cheguei na “minha” estação e aquele deserto… respirei fundo e comecei a andar para casa. Medo, né? Em São Paulo eu até ando sozinha de madrugada, mas sempre muito tensa. Fui andando, cruzei com uns caras e tal… e tudo tranquilo. Passsei por um bando de homens que estavam bebendo num bar, e não ouvi nenhuma gracinha (será que eu tou baranga ou eles não falam baixaria? :P). Cheguei em casa sã e salva. E impressionada com a falta de riscos de andar sozinha de madrugada por Lisboa. Muito bom! :D

Bom, que mais? Voltei no Bairro outra noite, com uma amiga-de-amiga que foi querida o bastante pra me levar pra beber numa sexta a noite. Ela, estudante, já me recebeu dizendo: “vou te levar no bar com a cerveja mais barata do Bairro Alto, bora pro Pinguim!” Bora, claro. 

No caminho ela me explicou que “Pinguim” não era o nome do bar, mas sim o jeito que ela ficava quando ia a esse bar. Porque o lance é pegar a garrafa de um litro de Superbock no bar (custa 2 euros!) e beber na rua. Só que a rua é estreita e lotada, então para garantir que a garrafa não vai ser chutada por ninguém, o lance é enfiar ela entre as pernas. E quando passa carro, ou pior, caminhão de lixo, só resta ir andando com a garrafa entre as pernas, com passos curtos que nem pinguim, pra se espremer contra os muros e paredes. 

Este momento do aperto também é ideal para se encostar naquele gatsinho espanhol (ou alemão ou belga ou angolano ou até brasileiro) que está por lá. É que esse bar é famoso por ser frequentado pelos estudantes de Lisboa, em especial pelos do Erasmus, aquele programa de intercambio europeu famosão – se você assistiu “Albergue Espanhol” sabe do que estou falando. Bom, é gente jovem, bonita e animada, cerveja barata, diversão. Só que quando dá 2h da manhã… FUEN. As luzes do Bairro Alto são apagadas, os bares fecham e a farra acaba. Triste, né? Bom, se você quiser ir nesse bar, fica na Rua Diario de Noticias também, mas lá em cima. Eu não tenho certeza se é o Mezcal, mas você vai ver, é o bar com a cerveja mais barata ;)

Daí me restou seguir os amigos recém-feitos naquela noite. Fomos para um clubinho chamado Incognito, que tinham me recomendado para ouvir as indiezices que eu gosto. Chegamos lá, a hostess deixou entrarmos sem pagar entrada (uhul), e… eu estava esperando um inferninho escuro, e entrei numa BOATE, com luzes piscantes. Mas beleza. Pendurei meu casaco num ganchinho (desapego, Brasil! Quando eu voltei o casaco tava lá direitinho) e fui dançar. O DJ não era dos melhores, a cerveja era cara, mas deu pra fechar a noite que já estava divertida. Daí deu 5h, e FUEN, acenderam as luzes. Adeus, adeusinho, a noitada acabou. Lá não tem dessas de “até o último cliente”. Uma pena, porque eu bem ficaria dançando aquelas músicas até de manhã.

E agora sim, TCHAU, Lisboa… o próximo post já vai ser madrileño ;)

Parque das Nações (ou Expo 98)

12 de maio de 2009
Opa, tou bêbada e a foto saiu torta. Ponte e Torre Vasco da Gama ali, tá vendo?

Opa, tou bêbada e a foto saiu torta. Ponte e Torre Vasco da Gama ali, tá vendo?

Em 1998 Lisboa foi sede da Exposição Mundial, uma coisa que eu nunca entendi muito bem o que é e pra que serve (se alguém souber, explica nos comentários, sim?), mas que me parece uma grande festa das nações. Essas “Expos” acontecem desde o século 19 – inclusive a Torre Eiffel foi construida para a Expo 1889.

Pois bem, Lisboa foi sede dessa parada aí, que parece que foi um grande sucesso de público. Para receber a Expo os portugueses construiram um complexo imenso na zona leste da cidade, às margens do Tejo. É uma região que contrasta muito com o resto da cidade, porque é toda moderna, com prédios a la Dubai.

Eu acabei indo ao Parque das Nações duas vezes. Uma à noite, para a festa do Couchsurfing, e outra de dia, para conhecer o Parque mesmo. Agora… vale a pena ir aoParque das Nações? Vejamos.

Essa é a entrada do shopping. Muderno, hum?

Essa é a entrada da estação do Metro. Muderna, hum?

O que há de interessante lá? Muito, muito espaço para andar de bicicleta, ou de patins, ou patinete, ou correr, etc etc etc.  Um museu chamado “Ciência Viva”, voltado para crianças, que dizem que é bem legal mas como eu não tinha nenhuma criança para levar, não fui. Um shopping grandão que pode ser uma boa se você quiser fazer compras, porque tem de tudo lá dentro. A Torre Vasco da Gama e o bondinho, que só são legais se você tiver tara por altura – eu até tenho, mas acabei não indo em nenhum dos dois porque tinha ido na tal festa do 26o. andar uns dias antes. E tem o mais legal, que é o Oceanário.

Dá pra passar horas olhando os peixinhos. Sério!

Dá pra passar horas olhando os peixinhos. Sério!

Assim, né? O mais legal de tudo se você é fascinado pelo fundo do mar. Eu sou. Daí adorei muito o aquarião central, gigantesco e cheio de peixes e arraias e bichos esquisitos. A reprodução de vários habitats dos bichos também é legal demais, você vê pinguins (owwwwwwnnnnn) e peixes que brilham no escuro, e corais, e algas, e caranguejos e anêmonas, etc etc etc.

Nhoim!

Nhoim!

É um barato ver as crianças boquiabertas e querendo ver o Nemo e a Dori (aliás, deviam colocar mais Nemos lá, são pouquinhos. Em compensação tem várias Doris). Não vou mentir, é um programa um pouco infantil também. Mas se você curte o mar, vale a pena sim.

Enfim. No geral, se você não for para o Parque das Nações não vai perder muita coisa. Eu moro em São Paulo, prédios imensos com fachadas de vidro eu vejo aqui. Preferia ver mais ruinas e castelos e muralhas, mas o passeio valeu sim pelo Oceanário. Daí a escolha é sua :)

Belém – o melhor de Lisboa?

11 de maio de 2009
Padrão do Descobrimento, ponte 25 de Abril e o Tejo lindo

Padrão dos Descobrimentos, ponte 25 de Abril e o Tejo lindo

Daí que na noite anterior eu fui a uma festa do pessoal do Couchsurfing. Era *a* noite de lua cheia daquele mês, e a Aoife, uma irlandesa que mora em Lisboa, resolveu abrir as portas de sua casa para vermos a lua e celebrarmos nada em especial além da oportunidade de estarmos juntos, falando português, espanho, portunhol, spanglish, inglês e tantas outras línguas. A festa foi ótima, no 26o. andar de um prédio no Parque Vasco da Gama das Nações, com a lua deslumbrante refletindo no Tejo, e eu não podia acreditar que havia um lugar melhor do que o “aqui e agora”. Mas daí Ricardo, um lisboeta muito do bacana, me perguntou: “já foi à Belém?” E depois do meu “ainda não”, ele disse em um tom de voz mais baixo, como se estivesse contando um segredo: “é o melhor de Lisboa”.

Confesso que eu não botei muita fé, porque tinha visto a Torre de Belém do trem quando fui para Cascais e não tinha achado grandes coisas. Mas é claro que eu iria lá conferir. E assim fiz, em plena Sexta-Feira Santa: fui até o Cais do Sodré e lá peguei o tram para Belém. Eu, minha mãe e mais muita, muita gente. Era feriado, e tinha gente da Europa toda passeando por Lisboa.

Descemos em frente ao Mosteiro dos Jeronimos e a fila estava imensa. Deu até um desânimo. Daí enquanto esperávamos na fila, começou a chover. IMAGINE quão felizes estávamos.

Sol e chuva, casamento de viúva

Sol e chuva, casamento de viúva

Mas enfim, a fila andou, como sempre anda, e nós conseguimos entrar no Mosteiro. E ainda bem que nem passou pela nossa cabeça desistir, porque cada minuto sob a chuva passando frio vale a pena quando você dá de cara com o claustro. Eu achava, na minha ignorância, que claustro era uma coisa escura, fechada, úmida e CLAUSTROfóbica. Qual não foi minha surpresa ao conhecer o claustro do Mosteiro dos Jeronimos?

Eu JURO que minutos antes estava chovendo

Eu JURO que minutos antes estava chovendo

UAU. Uau. É lindo de chorar. Esse estilo arquitetônico, que lembra os castelos de areia toscos que eu fazia em Peruibe quando era criança (hahaha) é chamado manuelino e aqui vocês podem saber mais sobre ele. As coisas são muito cheias de detalhinhos e formas e dá para passar minutos olhando uma fachada ou uma coluna e ir identificando os elementos. Rostos, sereias, frutas, cordas, anjinhos, é uma profusão de coisinhas, muito lindo.

Bom, entre as coisas que você pode ver no Mosteiro, além do próprio prédio que é de chorar, está o túmulo de Fernando Pessoa, transferido pra lá em 1985. É bem bonito e emocionante, porque é um bloco de pedra retangular, e em três lados há trechos de poemas dele – na real um do Ricardo Reis, um de Alberto Caeiro e um de Alvaro de Campos. Muito bonito.

A foto ficou uó, pessoalmente é bem mais bonito

A foto ficou uó, pessoalmente é bem mais bonito

NÃO BASTA abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
20.4.1919 – Alberto Caeiro.
PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
14.2.1933 – Ricardo dos Reis.
NÃO. NÃO quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
1923 – Álvaro de Campos

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
20.4.1919 – Alberto Caeiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
14.2.1933 – Ricardo dos Reis

Não. Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
1923 – Álvaro de Campos


Além do Fernando Pessoa, os túmulos de Vasco da Gama e Luis de Camões também ficam no Mosteiro dos Jeronimos. É para lá que vão os grandes homens de Portugal, ser enterrado no Mosteiro dos Jeronimos é honra das honras, você vai ver pelo menos uma meia dúzia de túmulos, para quem curte história é bem interessante. Daí, como parte desse “complexo” tem também um museu arqueologico e um museu da Marinha, mas esses eu não vi.

E daí tem a igreja, né? A igreja deve ser visitada em qualquer dia, em qualquer época, porque ela é imensa e linda e lá que estão os túmulos do Vasco da Gama e do Luis de Camões. Mas lembra que eu disse que era Sexta-Feira Santa? Bom. A gente passou pela igreja, garantiu para o “porteiro” que não éramos turistas, mas sim católicas fervorosas que queriam rezar, e tivemos o privilégio de assistir a um pedaço da Celebração da Paixão de Cristo. Com cantos. Numa igreja fantástica. Nessas horas dá até vontade de ter religião, mas a vontade passa logo ;)

Bom, saímos da igreja e fomos almoçar. O frio pedia um caldo verde, fomos em um restaurante simples e gostosinho nos arredores do Mosteiro. De sobremesa, claro que fomos comer pastéis de Belém. Sério, gente. Acredite no hype e enfrente a fila (anda rapidinho, juro, eles são agilizadíssimos): pastéis de Belém são reconfortantes, são gostosos, são tipo um abraço quentinho em forma de doce. Crocantes por fora, cremosos por dentro… compre e coma quantos você puder, porque depois você vai sentir saudade – eu senti e sinto até hoje.

Alimentadas e descansadas, continuamos nossa caminhada. Tem um jardim lindo demais entre o Mosteiro e a Torre de Belém, então nem pense em pegar o tram para chegar na Torre: ande pelos jardins, vale a pena e você ainda vai poder tirar fotos lindas. Aqui, como em Cascais, é um lugar muito legal para alugar uma bicicleta e passear.

bicis
Você anda, anda, passa pelo Centro Cultural de Belém (ou CCB. Parece ser ótimo, mas eu não fui) atravessa a rua por uma passagem subterrânea (fique esperto e de olho nas placas!) e chega no Padrão dos Descobrimentos, um monumento realtivamente moderno (é de 1960) que homenageia os grandes heróis dos descobrimentos. É mais bonito “pessoalmente” do que nas fotos, e dentro dele tem um museuzinho mas eu não tive vontade de entrar. No chão tem uma rosa dos ventos e um mapa com as antigas colônias de Portugal, tá lá nosso Brasil. Bom, é o monumento que aparece na foto lá do começo do post.

Daí é só seguir andando mais um pouco em direção à Torre de Belém. A gente foi pela beirinha do Tejo, pode ser que você encontre gente pescando, e no fim da tarde vale sentar na margem pra ver os pássaros comendo peixinhos e os barcos – de veleirinhos à transatlânticos – passando. Tem sempre bastante gente por lá, o clima é uma delícia.

Namorinho na beira do Tejo. Invejei um pouco

Namorinho na beira do Tejo. Invejei um pouco

Bom, daí você finalmente chega na Torre de Belém! Ela é linda, linda. Foi construída numa ilha do rio, mas agora fica na margem mesmo, com as águas do rio cercando só por um lado. Servia para defender Lisboa de ataques pelo mar (porque o Tejo deságua no mar logo ali), e também é em estilo manuelino, como o Mosteiro. Bom, a visita toda é demais, desde o pátio com os canhões até todas as salas, a primeira imagem de um rinoceronte na Europa (éééé!), a vista do alto da torre… vale muito a pena. Mas vá com paciência, as escadas pra subir e descer das salas são muito estreitas, rolam congestionamentos e dá um pouco de aflicão se espremer naqueles degrauzinhos. Só que é imperdível.

Ela é mais linda pessoalmente

Ela é mais linda pessoalmente

Daí uma dica que eu nem precisava dar, porque você faria isso de qualquer forma. Mas eu vou falar mesmo assim. Quando você chegar lá no topo da torre, vai ver todo o bairro de Belém, lindo, e bem aos pés da torre, um gramadão. O que você vai fazer quando descer da torre? Brincar de europeu e deitar e rolar no gramadão, claro.

Isso que é vida :P

Isso que é vida :P

Daí sim, deitada, olhando pro céu azul, vendo barquinhos passar, eu cheguei à conclusão que o Ricardo estava certíssimo. Belém deve ser mesmo o melhor de Lisboa. Tanto concordei com ele, que foi para lá que eu voltei no último dia de estadia em Portugal. Para me despedir da cidade no seu melhor lugar. E na beirinha do Tejo :)

Ah, Belém... um dia eu volto :)

Ah, Belém... um dia eu volto :)

… ao Castelo de São Jorge

6 de maio de 2009

Você está no ponto mais alto de Lisboa, e subindo nas torres das muralhas do Castelo você terá a vista 360 graus mais sensacional da cidade. Excelente para tirar fotos, muitas fotos, e se você não tiver a oportunidade de ir à Sintra (shame on you), esse também é um castelo mouro – menos legal que o de Sintra, mas ainda assim legal.

O “problema” é que o Castelo de São Jorge é o lugar mais visitado de Lisboa. Então talvez ele seja um pouco cheio demais para pro seu gosto, mas respire fundo e curta  bastante.  Diz que lá que Lisboa foi fundada, e você vai achar várias informações sobre a história da cidade – prato cheio pra quem curte.  É um lugar bom para passar a tarde, tomar um café, esticar as pernas e ficar curtindo o privilégio de estar em uma capital da Europa que – sabe-se lá o porquê – é meio desprezada pelos brasileiros.  

Atoron castelon
Atoron castelon

Ah! Incluido no preço do Castelo está a Torre de Ulisses. Vá se você achar que vale a pena, eu adorei: nessa torre há um periscópio ligado a uma câmara escura. Então de meia em meia hora (acho) há uma sessão de observação da cidade de Lisboa pelo periscópio. É muito legal ver a lente abrindo, e as imagens aparecendo na tela bem debaixo do seu nariz. E por mais que a gente saiba que aquilo é em tempo real, não dá pra não soltar um “uau” quando mostram os carros passando na ponte, e as pessoas andando na rua. Hah, é um grande big brother! Há visitas em português, inglês e espanhol, e é muito legal “passear” por Lisboa pelo periscópio (eu achei, mas eu sou meio nerds, então avalie você mesmo).

 

Magias da óptica física :D

Magias da óptica física :D

Bom, dá para gastar bastante tempo no Castelo, e vale a pena, mas nesse dia a gente andou tanto, mas tanto, mas tanto, que acabamos indo embora meio cedo. E para descer, pulamos dentro de um dos bondes antiguinhos (não sem antes fazer um lanche com direito a vinho do porto).

Daí vou confessar uma coisa feia: a gente não pagou o bonde. Na real acho que ninguém pagou aquele bonde. Porque tem uma maquininha pra você validar a sua passagem, mas eu não vi quando entrei. E daí quando saí não vi também. Mas vi que essa maquina existe. Então se você for pegar esse bonde e quiser ser honesto, procure pela maquininha de validar a passagem e valide. Não faça como eu.

Daí voltamos para casa, porque à noite eu tinha uma festa num lugar FANTASTICO. Mas isso eu conto depois.

 

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Da Baixa à Sé, da Sé à Alfama, de Alfama…

6 de maio de 2009

Depois de visitar o Convento do Carmo resolvemos seguir explorando o centro de Lisboa. Descemos para a Baixa, passando pelo Chiado. O Chiado é o que liga à Baixa ao Bairro Alto, e é uma região legal de explorar, com lojinhas descolex, um shoppingzinho que tem Sephora e Body Shop e Fnac (comprei minha câmera lá) e vários cafés gostosos. É no Chiado que fica o café A Brasileira, aquele que Fernando Pessoa costumava frequentar e onde fica sua estátua – é clichê, mas quem resiste a tirar uma foto batendo papo com Pessoa?

 

"Me conta, hoje ce tá mais Álvaro de Campos ou Ricardo Reis?"

"Me conta, hoje ce tá mais Álvaro de Campos ou Ricardo Reis?"

Bom, daí vocês desce, anda, se embrenha, faz os caminhos mais longos, e de repente pode chegar aos pés do elevador de Santa Justa, que é lindo e vive com uma fila gigante de turistas querendo passear nele. Eu fiquei feliz só em ver do lado de fora, valheu.

O elevadorzão liga lá em cima a aqui embaixo, mas eu fui à pé mesmo

O elevadorzão liga lá em cima a aqui embaixo, mas eu fui à pé mesmo

Daí você segue andando, e pode passar pela Rua Augusta, que é tão bacana quanto a nossa, mas de um jeito diferente. É um calçadão cheio de turistas e lojinhas e cafés, que começa no Rossio e termina num arco triunfal lindão. Eu subi e desci a Augusta muitas vezes na semana em que fiquei lá. 

O arco triunfal da Rua Augusta emoldurando Dom José I

O arco triunfal da Rua Augusta emoldurando Dom José I

Depois do arco tem uma praça, a Praça do Comercio, e logo depois o Tejo. Quando estive lá, a praça estava em obras – algo sobre saneamento básico e a limpeza do Tejo, se não me engano. Mas mesmo assim deu pra admirar as arcadas da praça e chegar até a beirinha do rio – e pra mim o Tejo é a alma de Lisboa, é emocionante estar às margens dele, não dá pra não lembrar de Pessoa. Tanto que eu me despedi de Lisboa às margens do Tejo, mas isso vocês veem mais pra frente.

Bom, siga andando. Eu peguei a Rua das Pedras Negras, e caminhando, caminhando, dei de cara com isso:

 

Para nascer, Portugal; para morrer, o mundo

«Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas terras para a sepultura. Para nascer, pouca terra, para morrer, toda a terra; para nascer Portugal, para morrer o mundo» - Pe. Antonio Vieira

Me deu um misto de inveja com orgulho das minhas raízes portuguesas, meus olhos encheram de lágrimas (Lisboa me fisgou de um jeito que eu nunca pensei ser capaz de ser fisgada, então se quiserem, relativizem o que eu digo, eu me emocionava a cada espiadinha no Tejo, a cada esquina, a cada sotaque). 

Fiquei tão emo que nem me liguei que do outro lado estava a igreja de Santo Antonio. Yeah, baby, THE Santo Antonio, aquele casamenteiro, diz que nasceu ali em Portugal, e que foi batizado na igreja da Sé. “Mas Ligia, ele não é de Pádua?”. ARRÁ: Santo Antonio de Padua MORREU em Padua. Mas nasceu em Portugal. Para nascer, Portugal; para morrer, o mundo! Mas enfim, fiquei emo e perdi a oportunidade de ir pedir um maridex pro Santo, em linha direta. Acho que pedidos feitos lá são mais TRUE. Enfim, Santo Antonio, sigo solteira, se você tiver acesso à internet, der um google no seu nome e cair aqui, cá estou ;)

Mas tergiverso. O fato é que seguimos caminhando, caminhando, caminhando e chegamos à Sé de Lisboa, que é bem menor que a Sé de São Paulo, mas tem seu charme. Diz que lá estão os restos mortais de São Vicente. A gente deu uma espiadinha e… seguiu andando.

Nosso objetivo final, vou contar pra vocês, era chegar ao Castelo de São Jorge. Mas não sei se vocês sabem: o Castelo de São Jorge é o ponto mais alto da cidade de Lisboa. E a gente resolveu que ia à pé. Numa cidade já famosa por suas ladeiras, a gente resolveu ir ao ponto mais alto à pé. 

Daí você pode achar a gente maluca, e querer pegar um ônibus ou um bonde até lá em cima. E eu, apesar de ter sofrido bastante com a caminhada deste dia, insisto: vá à pé. Especialmente porque você pode ir pelo caminho que a gente foi: se perdendo pela Alfama.

 

Telhadinhos da Alfama

Telhadinhos da Alfama. E o Tejo. Não é LINDO?

Passear pela Alfama é o melhor jeito de saber como era a Lisboa pré-Terremoto, porque foi uma das áreas que foi menos destruída. Então as ruazinhas ainda são meio medievais, estreitas, sem espaço para carros, e cheias de casas daquelas que a gente vê em filme, com as roupas secando do lado de fora da janela.

Eu não sei se faz sentido na cabeça de mais alguém, mas a Alfama me lembrou um pouco o esquema das favelas cariocas. Ruelas estreitas, subidas intermináveis, escadões cortando caminho aqui e ali, e uma gente mais simples. Ele é (ou era, não sei) o bairro dos pescadores, e até hoje você sente um cheirinho de peixe – diz que os moradores colocam suas churrasqueirinhas para assar sardinhas na porta de casa – eu não vi, mas bem senti cheiro. É bom passear por lá, e inevitavelmente você vai encontrar velhinhos bem velhinhos subindo as ladeiras com suas bengalas. Eu estava ofegante e vi uma dessas velhinhas recusar a ajuda de uma menina de uns 13 anos que queria carregar as sacolinhas de compra dela: “eu ‘stou bem, m’deixe subir sozinha”. E lá foi ela. Enquanto eu quase morria de cansaço.

Bom, uma vez que você chega no fim da Alfama, eu recomendo dar uma parada no Miradouro de Santa Luzia para recuperar as energias.  De lá você tem uma vista sensacional do tejo e dos telhadinhos, e se der sorte pega uma boa musica na rua. Eu ainda vi uns meninos muito bonitinhos andando de skate.

 

Um fazia as manobras, o outro filmava. Vi essa cena umas 15 vezes

Um fazia as manobras, o outro filmava. Vi essa cena umas 15 vezes

Recuperou o fôlego? Siga subindo então. Não desanime, o Castelo está pertinho. Chegue até lá, pague o ingresso e divirta-se.

Ruínas do Convento do Carmo

4 de maio de 2009

 

O Convento visto da Praça do Rossio

O Convento visto da Praça do Rossio

Talvez você não saiba (eu não sabia), mas no século XVIII a cidade de Lisboa foi quase totalmente destruida por um terremoto. Foi um lance muito cruel, porque depois do terremoto diz que teve um tsunami e vários incêndios. Morreu uma cacetada de gente, e vários prédios foram completamente destruidos, bem como livros e obras de arte, etc e tal. A cidade foi reconstruida sob a batuta do Marquês de Pombal, que fez um belo trabalho – isso sou eu que acho. 

Mas o Convento do Carmo não foi reconstruido. Parece que até tentaram começar, mas faltou dinheiro, e enfim.  Ficaram lá as ruínas do que foi uma das construções góticas mais importantes de Portugal, como uma espécie de memorial do terremoto. 

 

Largo do Carmo - a portinha vermelha engana...

Largo do Carmo - a portinha vermelha engana...

Bom, quando você chega ao Largo do Carmo – que é beeeeeeem charmosinho -, e entra pelos portões para pagar seu ingresso, não dá pra imaginar o que vai ver quando finalmente entrar no Convento. Aliás, uma das coisas mais legais foi ficar sentada nas escadarias da entrada observando a reação das pessoas quando entravam. Não dá pra segurar, o seu queixo VAI cair, especialmente se o dia estiver lindo como estava quando eu fui.

 

Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaau...

Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaau...

Bom, o que você vê é uma igreja gótica, toda imponente, apontando para o céu, mas sem o teto, então você de fato vê o céu para onde as paredes apontam. Dá pra imaginar como ela devia ser bonita. As paredes brancas contrastam com o céu azul, e você fica sem fôlego de tanta LINDEZA. 

Ali mesmo, ao ar livre, são expostas algumas peças que foram encontradas após o terremoto. Cruzes, túmulos, placas com inscrições em português de antigamente, pias batismais, enfim, coisas de igreja, que existia desde o século XIV. Daí tem também um museu arqueológico indoor, pequenininho mas bastante interessante. O destaque, pra mim, foram as peças romanas e as duas múmias peruanas.  

Fiz um videozinho tosco, olha aí:

Cascais

4 de maio de 2009
Oi, mar de Cascais :)

Oi, mar de Cascais :)

Antes de viajar eu tinha um mini-objetivo pra essas férias: colocar os pés no Mediterrâneo, quando chegasse em Barcelona. Babaquice, mas po, passei 26 anos da minha vida só sabendo o que é o Atlântico, queria ver como era outro oceano. Nessas, nem me liguei que estando em Lisboa, estaria ao lado do Atlântico Norte, que não é exatamente outro oceano, mas né? Daí, quando me toquei, decidi que também queria colocar os pés no Atlântico Norte.

Ir à praia de jeans é coisa de gringo - coisa que eu era lá, então beleza

Ir à praia de jeans é coisa de gringo - coisa que eu era lá, então beleza

O lugar que escolhi pra isso foi Cascais. Eu seeeeeei, a Costa da Caparica é bem mais badalada, mas eu não tava indo lá pra fritar no sol. Queria um lugar pertinho, pra ir de trem, voltar rapidinho e tal. Então voltei de Queluz na estação do Rossio, e fui para a estação de trem de onde saem os trens para Cascais: Cais do Sodré (dá pra ir de metro ou andando de uma pra outra. Eu fui andando).

O trem para Cascais já é uma alegria. Você vai beirando o Tejo, que é lindo e emocionante, até ele encontrar com o mar. Passa por cidadezinhas que dá vontade de descer do trem e morar por lá pra sempre. Passa por baixo da Ponte 25 de Abril, que é muito bonita, e ao lado do Padrão do Descobrimento e da Torre de Belém (que do trem parece pequena e feia, mas não é não).

É mais ou menos assim que você vai ver a Ponte 25 de Abril de dentro do trem

É mais ou menos assim que você vai ver a Ponte 25 de Abril de dentro do trem

Há quem opte por descer antes de Cascais para conhecer Estoril. Lá tem um cassino, pra quem curte jogar deve ser legal. Mas tem cassino em Lisboa também, no Parque das Nações, então a opção é sua. Eu fui direto para Cascais. A viagem dura cerca de 3o ou 40 minutos também, como a ida para Sintra.

Bom, Cascais é uma cidadezinha praiana como tantas outras que a gente conhece. Se você quiser, pode ir de biquini e fritar no sol, mas na boa – no Brasil a gente tem praias muito mais lindas e legais. Então acho que é muito mais jogo explorar a cidadezinha à pé. Ela tem um centrinho comercial cheio de restaurantes e lojas, é tudo mais caro que Lisboa, claro, mas nada é proibitivo. Daí você vai se embrenhando por vielas e bequinhos e quando vê, está numa das escadarias que levam a uma das praias. Eu molhei meu pé na praia da Rainha, que estava assim:

praia-da-rainha

Cheeeeeeeeeeia de nórdicos achando que só porque estava sol era verão – sem brincadeira, a temperatura na sombra devia ser de uns 15 graus, e a água era geladíssima. É divertido observá-los durante um tempo, eles ficam muito felizes mesmo com a chance de poder tomar um solzinho. A areia é meio marrom, nem branca como no Rio, nem cinza como no litoral sul de São Paulo, mas é bem grossa e fofa, o que faz a água ficar clara. Se o dia estiver bonito é demais, você pode até fingir que está na riviera francesa (aham).

Daí siga sua caminhada pela orla. Ou então alugue uma bicicleta, tem vários lugares pra você fazer isso, e deve ser uma delícia pedalar por lá. Eu andei no sentido oposto a Estoril, mas dá pra ir em direção a Estoril e chegar até lá. Não sei se é legal, porque não fui.  Bom, se você for pro lado que eu fui, vai encontrar praias charmosinhas, outras nem tanto, um paredão de pedra, restos de muralhas, e eventualmente vai chegar à Marina de Cascais, que é bem lindinha. Eu curto andar perto dos barcos ancorados e ficar sonhando com o dia em que eu vou ter um iate. Hehehe.

marina-de-cascais
Diz que vez por outra aparecem uns golfinhos na Marina de bobeira. Eu só vi peixes, MUITOS peixes ali pertinho dos cascos dos barcos.

Nessa hora pode bater uma preguiça e uma vontade de voltar, mas talvez, se você olhar para a sua direita, veja um farol branco e azul muito do lindinho. Então siga caminhando (ou pedalando), porque vale a pena. Esse é o Farol de Santa Marta. Chegue até ele, porque lá você vai encontrar um museusinho dos faróis de Portugal (é minúsculo, mas ver as lentes dos faróis de perto impressiona), uma sala multimidia (não sei se sempre rola, mas quando eu estive lá estava passando um documentário sobre a vida dos faroleiros portugueses, e sem sacanagem, é MEGA interessante) e um café. Ótima pedida pra descansar os pés e recarregar as energias pra voltar pro centro. E é tudo de graça (menos o café, né?)

Além de tudo é um lugar FODA pra fotografar

Além de tudo é um lugar FODA pra fotografar

Daí eu voltei. Mas se por acaso você se empolgar, e tiver pique pra pedalar, acho que até rola chegar na praia do Guincho, que dizem ser a mais espetacular da região. Se você estiver de carro, rola ir ao Cabo da Roca, que é o ponto mais a oeste da Europa. Eu não fui, então…

Ah, do lado da estação de trem de Cascais tem um shopping. Eu entrei lá pra comprar DVDs virgens, mas acho que vale comentar que lá dentro tem um supermercado Pingo Doce, então se você quiser fazer um piquenique em Cascais pode comprar suas coisinhas lá. ;)

Por algum motivo esotérico, Cascais e o Farol me deixaram EMO

Por algum motivo esotérico, Cascais e o Farol me deixaram EMO