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A mala

3 03UTC Maio 03UTC 2009

Terror dos terrores! O tanto que eu gosto de planejar uma viagem é inversamente proporcional ao tanto que eu gosto de fazer mala. Eu AMO planejar. Eu ODEIO fazer mala. Mas faz parte, então vamos lá.

Durante a viagem eu invejei muito quem viaja de mochila nas costas. É bem mais fácil quando você precisa subir e descer escadarias eternas no metrô. Rodinhas não adiantam NADA nestas horas. Então se você é jovem e cheio de vida, não hesite em fazer uma mochilona em vez de uma malinha de rodinha. Você vai me agradecer quando estiver na quarta baldeação no metrô. 

Uma dica básica, mas que deve ser levada à sério: nunca vá com a mala cheia. Você VAI comprar coisas na sua viagem e não vai querer ter de optar entre trazer suas compras ou suas roupas (eu optei por deixar uma calça jeans em Paris, mas principalmente porque ela foi tão usada que acabou rasgando no meio das pernas.

Mesmo se você for fazer uma viagem meio longa, seja esperto e faça uma mala leve e pequena. Você sempre vai poder lavar suas roupas no apartamento que você espertamente alugou ou em uma lavanderia automática.  Se você é mulher e tem calafrios só de pensar em aparecer em todas as fotos usando as mesmas roupas, seja sagaz e invista em lenços, brincos, chapéus, tiaras, cintos e coisas leves e pequenas que, usando bem, mudam seu visual.

Daí uma coisa muito importante. Consulte a previsão do tempo para fazer sua mala. Não adianta se você for fazer uma viagem longa, mas pelo menos você saberá o que te espera no primeiro destino. Eu recomendo o Weather Channel pra isso. Se você for neurotiquinho como eu, procure as médias historicas para a época em que você estará nas cidades. Dá pra ter uma boa noção.

De qualquer forma, não pire e leve a casa nas costas. Você sempre pode comprar o que precisar onde estiver. E meias, calcinhas, cuecas, toalhas, camisetas básicas e afins são bem baratinhas, caso você precise comprar. Por onde você for vai encontrar C&As, Zaras, H&Ms, Top Shops e similares. NÃO TEMA.

Leve seu tênis mais confortável.
Leve uma canga ou um panão pra você poder deitar na grama sem sujar sua tão preciosa roupinha.
Leve chinelos, sempre.
Leve os remédios que você está habituado a tomar nas emergências (dor de barriga, febre, gripe, dor de cabeça, dor muscular)
Se você for menina, leve um alicate de cutícula – foi o que mais me fez falta.

Hospedagens

3 03UTC Maio 03UTC 2009

Em 2008 eu viajei para Buenos Aires, e em vez de reservar um hotel ou uma cama em um albergue, resolvi alugar um apartamento. Desde então, eu nem considero muito outra opção de hospedagem, especialmente quando vou ficar uma semana ou mais no mesmo lugar e quando não estou viajando sozinha.

Pesquisando bem dá pra achar apartamentos bem localizados, equipados e bem decorados com preços MENORES que albergues. Sério. Fora que é muito mais gostoso chegar no fim de um dia puxado em um apartamento com quarto, sala, cozinha, banheiro, tudo espaçosinho e mais legal do que a cama de um quarto de hotel apertado. 

E a delícia que é brincar de morador da cidade que você está visitando? Ir ao supermercado, comprar pão, vinho, tomar o café-da-manhã do seu jeito, e, se for o caso, até economizar nas outras refeições também, cozinhando em casa mesmo. E se você tiver amigos na cidade que vai visitar, pode recebê-los pra uma festinha em casa e tudo. Preciso falar mais alguma coisa pra convencer que alugar apartamento é uma grande pedida?

Na viagem pra Europa eu achei os apartamentos em que fiquei no Homelidays. Não é uma agência imobiliária, mas uma espécie de classificado de imóveis para alugar. Você vai lá, busca exatamente o que quer, e pode ver fotos, vídeos e ler as avaliações de quem já se hospedou por lá. Eu passei muitas horas pesquisando até achar exatamente o que eu queria, e vou te falar que vale a pena. A única cidade em que optei por ficar em hotel foi Madrid, porque achei um baratinho que me parecia bom, e no fim das contas foi bem funcional mesmo. 

Vamos lá. Em Lisboa eu fiquei neste apartamento aqui, no bairro de Penha de França. Pagamos 42 euros a diária. Eu recomendo MUITO este apartamento. O bairro é residencial, tranquilo e charmoso, tem metrô perto, pontos de ônibus e de táxi perto, e tudo que você pode precisar ao redor (tipo banco, farmácia, restaurante, padaria, etc). A decoração é fofa (dá-lhe IKEA), as camas confortáveis e os proprietários extremamente atenciosos e amáveis. Sem contar que o apartamento tinha TUDO que a gente podia precisar, inclusive uma caixinha de costura para se fosse o caso de pregar um botão. E tem a vantagem suprema e absoluta de ser térreo, o que é maravilhoso depois de um dia de sobe-e-desce ladeira. E ah! Tem internet wireless. Puts, que saudade desse apê!

(Perdoem os meus cabelos nesse video, a gente estava arrumando mala quando eu lembrei de filmar o apê, nem passei um pente)

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Em Madri fiquei no Hostal Gonzalo, que também recomendo. Não tem luxo nenhum, glamour nenhum, mas é funcional e honesto e barato. Pagamos 55 euros a diária de um quarto duplo e pequeno. Camas boas, tudo muito limpo, um armário modesto, um banheiro sem nada de especial (tinha banheira, mas isso nem é vantagem na Europa – lá você tem comemorar se tem chuveiro, e nesse tinha um bem bom). O bom desse hotel é a localização, do ladinho do Paseo del Prado, do Museo del Prado, do Reina Sofia, do Caixa Forum, do Parque do Retiro, das Cibeles, do Thyssen Bornemisza, da estação de Atocha… enfim. E ainda assim em uma rua tranquila e silenciosa a noite. E cheia de bares e restaurantes legais em volta. Vale muito a pena. Ah, importante: fica no 3o. andar de um prédio. Tem elevador, mas é daqueles do século retrasado, que você abre e fecha a porta com a mão e que só cabem 2 pessoas. Se você tem problemas com isso, nem arrisque. Eu acho um charme ;)
 

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Em Barcelona eu fiquei em um apê que não recomendo e não vou linkar. A localização era fantástica, em Gracia, ao lado da Plaça Rius i Taulet (ou Plaça de la Vila de Gracia) e o preço foi o melhor que eu achei (60 euros por dia). No entanto o apê é mal conservado, meio toscão e caindo aos pedaços. As camas são ruins, e eu me arrependi um pouco nessa economia. E ah, fica no 3o. andar sem elevador, o que no dia a dia não é tão ruim, mas pra subir e descer as malas foi meio trevas. Se você mesmo assim quiser o link desse apê me pede nos comentários (e deixe seu e-mail) que eu te passo em PVT.

 

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Em Paris ficamos em outro que eu recomendo MUITO. Ele só perde do apê de Lisboa por causa do tamaninho: esse é um studio minúsculo, que serviu bem a duas pessoas, mas mais do que isso eu não arriscaria. Também maravilhosamente localizado, no Marais, com preço bom (pagamos 69 euros a diária), bem decorado, bem equipado, confortável, silencioso e térreo! E o proprietário também é muito, muito atencioso. Coisa linda! Pra conhecer você pode acessar o site do apê ou o link no Homelidays.

As passagens

3 03UTC Maio 03UTC 2009

No fim das contas, comprar as passagens com oito meses de antecedência foi a melhor coisa que eu podia ter feito. Primeiro porque dei sorte e peguei o dólar baixinho, na casa dos R$1,60, o que fez com que as passagens saíssem por cerca de R$ 2000,00 (reais mesmo. Não é euro não). Segundo porque como parcelamos em 6 vezes, então antes de viajar já havíamos pago tudinho. 

Depois o dólar disparou, como todo mundo sabe, então se não tivessemos comprado com antecedência, corria até o risco de desanimarmos por causa do preço da passagem.

Os trechos voados foram:
São Paulo – Madrid;
Madrid – Lisboa;
Lisboa – Madrid;
Barcelona – Paris;
Paris – Madrid;
Madrid – São Paulo

Tudo incluso no preço lá de cima. Mandamos bem ou não?

Para Barcelona fomos de AVE, o trem de alta velocidade espanhol, e pagamos 43 euros. Depois eu falo mais sobre essa ida de AVE para Barcelona, mas desde já recomendo fortemente.

Um bom observador deve ter sacado que voamos de Iberia, o que eu não recomendo fortemente, mas também não “desrecomendo”, pelo simples fato que a Iberia é barateira, então talvez seja a melhor opção para o viajante econômico,  como eu.

Eu sei que existem as low costs, mas sinceramente, não acho que seja a melhor opção para quem vai viajar desde o Brasil e passar bastante tempo viajando. A menos que você tenha o dom de viajar com uma malinha pequena ou uma mochilinha, eu acho que não vale a pena, porque você tem de pagar extra de bagagem, os aeroportos normalmente não são os mais próximos dos destinos, você corre mais risco de sofrer com atrasos, etc etc etc. Acho as low costs sensacionais para quem, por exemplo, mora na Europa e faz viagens de final de semana ou feriado para os países próximos, mas considere orçar todos os trechos com a companhia que vai te levar para a Europa, que talvez você ganhe em conforto e praticidade.

Como tudo começou

3 03UTC Maio 03UTC 2009

Como começa uma viagem? A minha eu nem sei quando foi que começou a ser sonhada. Eu acho que todo jovem terceiro mundista capitalista pseudo sofisticado sonha em conhecer a Europa, e eu não era exceção. Essa vontade surge mais ou menos quando a gente começa a se achar muito adulto pra ir pra Disney – bobagem.

Enfim. Eu sempre quis ir pra Paris. Desde quando eu era uma pequena leitora da revista Capricho e a Monica Figueiredo era a diretora de Redação. Daí lá pelos 20 anos eu encasquetei com Lisboa, culpa das minhas raízes lusas e de um amigo desnaturado que cuidou de não estar na cidade quando eu finalmente consegui ir pra lá. E entre as duas cidades tinha a Espanha, então por que não dar um pulinho lá também? E assim se definiu o roteiro dentro da minha cabeça: Lisboa, Madri, Barcelona e Paris. 

Quanto tempo eu tinha? Minhas férias são de um mês, então decidi tirar uma semana para arrumar as malas e cuidar da vida no Brasil, e três semanas e pouco pra gastar sola de sapato pela Europa. E quando eu iria? Abril em Portugal e Primavera em Paris são clássicos. Então ia ser em abril mesmo. Uma semana em Lisboa, uma semana na Espanha (4 dias em Madri e 3 em Barcelona) e oito dias em Paris. 

Chamei minha mãe pra viajar comigo. Ela é uma boa companhia, e, assim como eu, nunca tinha ido pra Europa. Ela se animou. Comprei as passagens, reservei as hospedagens e… esperei OITO meses. Quase uma gravidez. Porque eu não sei se você notou, mas eu sou ansiosa. Pra caramba.