Lisboa – pra começar

By Ligia Helena

 

Castelo de São Jorge e a lua cheia sobre Lisboa

Castelo de São Jorge e a lua cheia sobre Lisboa

 

Minha viagem começou por Lisboa. Optei por isso por alguns motivos, e se você concordar comigo talvez também opte por essa cidade fofa pra começar suas andanças, especialmente se nunca tiver ido à Europa antes.

Primeiro: esqueça aquela conversa que “Lisboa não é Europa”. Isso é idiotice. Lisboa é Europa geograficamente falando e não é menos “Europa” que as outras cidades européias que eu visitei. É uma cidade pequenininha, com poucos habitantes, muito charmosa e acolhedora, e muito familiar para nós, brasileiros.  

 

Lisboa lá embaixo, vista do alto das muralhas do Castelo de São Jorge

Lisboa lá embaixo, vista do alto das muralhas do Castelo de São Jorge

 

É até engraçado viajar 9 horas, atravessar o oceano e mudar de hemisfério e chegar em um lugar onde você entende tudo o que está escrito. Dá a impressão que você está num lugar que ainda não conhece no Brasil. E não acredite quando te dizem que não dá para entender o que os portugueses dizem, e que eles não vão entender o que você diz. Basta ter boa vontade e manter os ouvidos espertos para se deliciar com o sotaque deles. Em três dias você também vai estar falando chiadinho, pode acreditar. 

 

Revolwers e accessórios

Revolwers e accessórios para caçadores

 

Batendo papo com amigos que moram lá, fiquei sabendo que brasileiros não são exatamente bem vistos pelos lisboetas, especialmente os que estão lá ilegalmente. Alguns me disseram que os lisboetas são grosseiros. Eu, turistona, não vi nada disso. Fui extremamente bem recebida e bem tratada em todos os lugares onde fui, e os lisboetas se mostraram muito gentis e simpáticos.

Você vai encontrar muitos brasileiros turistando e morando em Lisboa. Não teve uma vez que peguei o metrô (que lá chama-se metro, assim sem acento) e não tinha brasileiros dentro. 

Mas voltando à vaca fria. Os motivos que me levaram a começar a viagem por Lisboa foram os seguintes:
- É a capital européia mais perto do Brasil, então era onde eu ia chegar mais rápido. Resolvi entrar por lá e depois ir me embrenhando.
- É a cidade mais baratinha das que eu ia visitar, então eu poderia começar a viagem sem muita dor e sofrimento.
- Fala-se português, então você se aclimata na Europa com menos uma dor de cabeça – não vai precisar enrolar a lingua pra falar espanhol, ou francês ou inglês
- Das cidades que eu ia visitar, é a mais cheia de ladeiras, então era bom estar com os pés ainda sem calos e bolhas pra aguentar o tranco.

 

Lisboa tem sete colinas. E você vai querer subir e descer todas elas

Lisboa tem sete colinas. E você vai querer subir e descer todas elas

 

Abril em Portugal é realmente muito, muito agradável. Pegamos dias lindos de sol e céu azul, como vocês podem ver nas fotos. Mas é começo de primavera, então sempre vai ter um ventinho gelado pra refrescar. Não esqueça do filtro solar, mas também não esqueça do cachecol. É uma equação complicada, mas como eu sou paulistana já estou acostumada a ter todas as estações do ano em um dia só. 

Quando dizem que Lisboa é barata, pode acreditar. A passagem do metro era 0,80 euros, a cerveja de um litro no boteco era 2 euros, o pão (uma delícia!) 0,20 euros, e o almoço saia entre 5 e 10 euros. Convertendo, são preços paulistanos. Mas não caia na bobeira de converter. “Quem converte não se diverte”, já diz o ditado. Eu optei por levar euros daqui do Brasil, e um Visa Travel Money carregadinho com euros também. Então fiz a conversão uma vez só: quando comprei os euros. Dali por diante, nada de multiplicar por 3. O preço é aquele e pronto.

 

Cerveja rocks

Cerveja rocks

Agora, dados importantes sobre a cerveja que você vai encontrar por lá. Em Lisboa o mais comum é você encontrar ou a Sagres, ou a SuperBock. A SuperBock não é escura, não é “bock”, ao contrário do que o nome dá a entender. Nenhuma das duas é sensacional, e eu encontrei gente que gosta mais da Sagres e gente que gosta mais da SuperBock. Eu sou do time da Sagres, mas bebi umas da outra também, porque né? Lá eles não têm chope. Até tem cerveja sob pressão, mas não é como o nosso chope. Para pedir uma tulipinha, o nome é IMPERIAL. Não é a marca da cerveja, é o tamanho do copo. Eles têm canecas e outras medidas também. Aventure-se :)

Depois de um tempo insistindo na cerveja, eu passei a beber mais vinho na viagem: nos países por onde passei era garantido que o vinho seria bom, ao contrário da cerveja; o preço é mais ou menos o mesmo – isso quando o vinho não é mais barato (no supermercado é, por exemplo), e vinho não dá tanta vontade de fazer xixi. Foi uma boa escolha. E ah: em Lisboa você pode beber na rua, tranquilamente. 

Lisboa é SEGURA. Tão segura que assalto em que roubam 500 euros e um laptop de uma pessoa comum vira notícia no jornal (sério: eu comprei o Jornal de Notícias e dei de cara com uma notícia dessas). Claro que isso não quer dizer que você pode andar por lá com a bolsa aberta e as notas de dinheiro expostas. Fique de olho nos seus pertences, cuidado com os CARTEIRISTAS e já está (minha expressão portuguesa preferida, “já está”). Eu andei sozinha por lá, de dia e de noite, e em nenhum momento me senti insegura. Não sei se foi impressão minha ou se é fato, mas de todas as cidades que fui, achei a mais segura. 

 

A "minha" estação, Arroios

A "minha" estação, Arroios

O metro é pequenininho, 4 linhas só (tipo São Paulo, com a diferença que Lisboa é MUITO menor), mas cobre bem a cidade, menos os lados de Belém. Mas pra ir pra Belém você pode pegar um comboio (que você deve conhecer por bonde, tram ou algo assim). Eu não tive tempo pra me entender muito com os ônibus, só usei uma vez, mas dá pra ver que funcionam bem também, e nos pontos tem o trajeto, então não tem erro: o transporte público rola bem lá. O táxi não é caro, mas pra que, né? Use para ir e voltar do aeroporto e já está. E ah, claro: ande à pé, muito e sempre.

 

O comboio antiguinho

O comboio antiguinho

 

O comboio moderninho

O comboio moderninho

Lisboa tem um cartão para turistas chamado LISBOA CARD, que dá direito a usar o transporte público e dá descontos em museus e monumentos. A gente optou por não usar. Primeiro porque o com maior duração de tempo era só de 72 horas, e daí a gente teria ou que comprar dois cartões para cada uma, ou concentrar nossos passeios em 3 dias apenas, o que não era a ideia. E também porque os descontos nas atrações não são muito significativos, então preferimos pagar tudo picadinho. No metro eles vendem um cartão chamado Viva Viagem que você pode carregar com dinheiro e ir debitando nos transportes públicos, é uma boa ideia. Não descarte esse cartão, ele pode ser recarregado muitas e muitas vezes (embora pareça descartável).

Você pode saber mais do transporte em Lisboa no site da Carris.

Que mais… comida. Como disse pra mim meu amigo Daniell, comer bem em Lisboa é muito fácil: você entra em qualquer restaurante, senta, pede a comida e já está. Tem um lugar, que eu acho que é o único lugar em Lisboa que vai ter gente caçando você na rua pra comer, que é a Rua Portas de Santo Antão, ali pertinho da praça dos Restauradores. É um saco, você passa e ouve “want to dinner? quieres cenar? quer jantar?” a cada 3 passos. Mas algumas coisas lá valem a pena. Lá a gente foi no Bonjardim, “o rei dos frangos”, comer o frango a piri-piri (não é como na música da Gretchen, é píri-píri, ok?), apimentadinho, bem delícia. Fomos também numa pizzaria metida a besta mas muito gostosinha, cujo nome não me lembro. E tentamos ir na Casa do Alentejo, mas não fizemos reserva, então ficou impossível. Lá deve ser MUITO bom, porque está sempre abarrotado de gente, e mesmo se você não for comer lá, entre pra dar uma espiada: o prédio é lindo, lindo. Lá funciona uma associação alentejana ou algo que o valha. 

 

A linda Casa do Alentejo

A linda Casa do Alentejo

 Outras coisas que tem a ver e são essenciais são as guloseimas:
- nada no mundo é mais reconfortante que um bom pastel de nata quentinho. Se vier da fábrica de Belém então… 
- se você for à Sintra, e acredite, você TEM QUE IR à Sintra, lá o lance são as queijadas da Periquita. Coma até enjoar.
- Ginjinha. Não é exatamente uma guloseima, mas para mim foi aperitivo, sobremesa, aquecedor do corpo… qualquer desculpa é boa o suficiente pra beber uma ginjinha, que é um aguardentezinho de ginja, um tipo de cerejinha. É demais. Quando forem te servir, vão perguntar se você quer “com ou sem”. Peça COM e vicie como eu.  

ginjinha 
- Castanha assada. Se estiver frio, especialmente, é como um abraço pegar aquele cone de jornal com as castanhas pretinhas de carvão. Nham…  
- Pães. As padarias deles, que eles chamam de pastelarias, são MUITO tentadoras. Não resista, compre seu pãozinho diariamente, experimente coisas diferentes, divirta-se ;)
- Sandes. Nada mais, nada menos do que nosso bom e velho sanduiche. E é feminino, “uma sande”.
- Sopas.  Se você gosta, vai se esbaldar. Tem até fast food de sopa. 
- Peixes e frutos do mar.  Sorry. Não como, então não posso opinar. Mas todo mundo fala muito bem.

Uma resposta para “Lisboa – pra começar”

  1. Ana Disse:

    Uma da melhores vistas de Lisboa…vejo q vc ficou assim como eu emocionada com essa cidade, AMO LISBOA :)

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